Segredo de um filme Mulher

Um filme de Gary Ross com Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling. Oito Mulheres e um Segredo acompanha Debbie Ocean (Sandra Bullock), recém saída da prisão, que logo ... Assistir Oito Mulheres e um Segredo Online Dublado e Legendado. Cinco anos, oito meses, 12 dias... em contagem regressiva. Este foi o tempo que Debbie Ocean levou para preparar o maior assalto da sua vida. Ela sabe que precisará de uma equipe com as melhores do métier, a começar pela sua parceira de crimes Lou Miller. Sinopse: Oito Mulheres e um Segredo (Oceans Eight) dublado e com qualidade de blu-ray.Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) planeja executar o assalto do século em pleno Met Gala, em Nova York, com o apoio de Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter), Daphne Kluger (Anne Hathaway) e Tammy (Sarah Paulson). Elenco de Oito Mulheres e um Segredo, um filme de Gary Ross com Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling. E o que é ainda mais legal: para Assistir Filme Oito Mulheres e um Segredo Dublado, ou curtir outras opções de Filmes Online, basta você se cadastrar clicando no Player acima, e em poucos minutos você já têm acesso á Filmes Online. Da mesma forma, além de ter muito mais conteúdos, não precisa instalar nada!. É tudo Online! Crime Comédia Ação Suspense Diretor: Gary Ross Origem: Estados Unidos Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) planeja executar o assalto do século em pleno Met Gala, em Nova York, com o apoio de Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter), Daphne Kluger (Anne Hathaway) e Tammy (Sarah Paulson). um filme de LILIH CURI. ... SEGREDO FILMES é uma produtora de cinema independente com sede em Salvador, Bahia/Brasil. ... TERESA (2014) e CARMEN (2013) e a Mostra Lugar de Mulher É no Cinema que chega em sua 4ª Edição em 2020, exibindo curtas nacionais dirigidos por mulheres ou com mulheres como protagonistas. Filmes. Carolina.

A Prostituta- Verídico

2020.10.14 12:21 DonaBruxa_Deyse A Prostituta- Verídico

🕷🕸Relato recebido. Foi contado por uma mulher sobre seu contato com Setealém.🕸🕷
Eu sou Brasileira e morei em Milão/Itália entre os anos de 2003 à 2015.
Minha mãe tinha cidadania italiana, pois na sua juventude tinha sido modelo e morado na Itália. No seu tempo, chegou até a atuar em alguns filmes do de Sica. Mas minha mãe era fria, ruim, maldosa. Não dava a mínima pra mim. Ela era alcoólatra e me batia desde sempre.
Nunca conheci meu pai. Ela jamais citou seu nome. Sempre imaginei que fosse um italiano famoso e mantive a esperança de encontrá-lo. Minha avó era boa e me confortava após as surras. Contava que minha mãe nem sempre fora assim. Que era doce, meiga, sorridente. Mas que depois que voltou de vez da Itália pro Brasil, nunca mais fora a mesma. Tinha se transformado num monstro e que nem a reconhecia mais. Eu só pensava em fugir de casa. Minha avó morreu em 2002. Fiquei ainda mais sozinha.
Quando fui descoberta como modelo, não pensei duas vezes e fui embora. Minha mãe assinou os documentos e pela primeira vez na minha vida, parecia feliz por estar se livrando de mim.
Cheguei em Milão com 15 anos na esperança de seguir carreira como modelo. Sai do Brasil com um contrato assinado para desfiles de modas e realmente, desfilei por 2 anos. Porém, muitas meninas chegavam com o mesmo sonho, por ser um mercado com muita competição, os trabalhos foram diminuindo. Morava num apartamento perto de monte Napoleone e dividia com mais 5 garotas também modelos.
Comecei a trabalhar como vendedora pra uma loja de grife: Chanel. Mesmo recebendo comissão, era muito cara o estilo de vida que levava e tinha o sonho de ter sucesso na vida.
Uma das minhas colegas de apartamento, não escondia de nós que trabalhava como Ragazza imagine em danceterias e saia com clientes ricos depois dessas noitadas. Na verdade, ela era uma garota de programa e saia com a nata da sociedade milanesa.
Eu estava de saco cheio daquela vida e eu mesma pedi que ela me apresentasse para seu “chefe”. Era uma agência de “modelos”. Fiz fotos para um “book” que seria exibido para clientes que procuravam meninas com o meu perfil. O cachê para esses encontros partiam do valor de €1.500,00 por três horas de encontro. Esse valor livre em minhas mãos.
Nesse período em que trabalhei pra essa agência, sai com jogadores de futebol, políticos, artistas, sheikes árabes, milionários… Rolava sexo e muita droga. Eram homens generosíssimos e além do cachê pré combinado, ganhava gorjetas e muitos presentes. Nós não éramos obrigadas a usar, mas confesso que tornou-se um vício também. Numa sexta-feira, fomos chamadas para comparecer na agência.
Foi nos explicado que um cliente muito importante escolheria 7 garotas para um “evento”. Seria pago 17 mil euros para cada antecipadamente. As escolhidas seriam levadas por um motorista na data e horário combinado è trazidas de volta no fim do evento. Deveríamos assinar um termo de silêncio e que nada visto ou ouvido poderia ser divulgado. Meus olhos brilharam ao imaginar o valor que seria pago. Entrou então um avaliador. Ele estava ali para escolher as 7 meninas. Ele vestia terno caríssimo, sapatos que brilhavam, luvas pretas de couro, óculos escuros, mas eu pude sentir um desconforto toda vez que ele olhava para mim. Ele não falava nada. Parecia fraco, adoentado mesmo, pele amarelada. Todas as meninas vestiram biquínis, formamos uma fila e começamos a desfilar para ele. Ele apenas apontava o dedo para as que escolhia. Eu fui uma delas. Vibrei por dentro.
Houve uma segunda etapa da seleção, onde tínhamos que responder uma sequência de perguntas, que não faziam muito sentido naquele momento:
Você mora sozinha? Acredita em Deus e outros seres? Você tem medo do escuro? Transaria com um réptil? Qual período de tempo mais longo que aguentaria ficar sem beber água ou líquido? Acredita em orações ou rezas? Sabe dizer uma de cor nesse momento? Já ficou presa dentro de um quarto sozinha numa casa desconhecida? Você se considera uma pessoa capaz de guardar segredos? Se você desaparecesse, alguém sentiria sua falta?
Entre outras perguntas totalmente sem nexo....mas enfim, ricos são excêntricos, pensei!
Sai de la, com meus euros garantidos, porque no fim do processo, cada uma das 7 recebeu na conta o valor combinado. Deveríamos ir lindas e o tema da festa era “Mascarados”.
Sai da agência tão feliz. Resolvi comprar vestido, sapatos e bolsas novas. Comprei perfume e maquiagem. A festa seria na noite seguinte e meu motorista me buscaria as 19 horas em ponto.
No horário combinado, toda linda, eu aguardava no hall de entrada do prédio o tal motorista.
No termo que assinei dizia que não nos era permitido o uso/ portar nenhum aparelho fotográfico ou celular.
Então, parou um carro preto antigo, muito velho e desceu um homem tão estranho quanto o que me escolheu na seleção da agência.
Ainda assim de forma educada, sem olhar para mim, abriu e fechou a porta do carro.
Ele não trocou uma palavra comigo durante uma hora e meia até chegar ao local do evento.
Sabia que estávamos na região do lago de Como, mas nunca vira ali na Itália uma estrada tão deserta. Não cruzamos com nenhum Autogrill. Até chegarmos a um castelo antigo, que a primeira vista parecia abandonado. Estávamos no meio do nada e ali tinha um castelo! Ao adentrar no castelo, vi no meio do salão minhas 6 amigas. Estávamos lindas, ansiosas. Nos cumprimentávamos, quando ouvimos 7 rufadas de um tambor. Congelamos. Apareceu uma mulher vestida de preto e seu rosto escondia-se atrás de uma telinha do seu fascinator. Fez sinal para que a seguíssemos e fomos até outra sala ainda maior. Antes de entrarmos nessa segunda sala, a cada uma de nós foi perguntado ( pela senhora de preto): -Acredita na unidade daquele que é um só? Todas nós respondemos que sim ( nem sei dizer porque respondi que sim) e entramos no grande salão. Estava escuro e de repente, mais sete rufadas de tambor e a nossa frente, uma luz amarela acendeu. Era uma luz amarelada estranha, meio fraca, piscava e a nossa frente surgiam pessoas mais estranhas ainda. Ouvimos uma música que nos perturbava. Ficamos sem reação. Deveríamos dançar? Conversar? Sorrir?
Notei que aquelas pessoas pareciam pertencer a uma alta classe social porque por mais estranhas que fossem, havia muita pompa no modo delas vestirem-se e portarem-se. Repito que era tudo estranho e feio! Havia homens e mulheres e até crianças mascaradas naquela festa! Pessoas ricas com roupas tão surradas? Havia um cheiro muito forte no ar. Como se algo tivesse estragado ou em putrefação. A música era a mesma e eu já não entendia nada. Aos poucos, homens mascarados se aproximavam. Um deles, cambaleando chegou até mim, sorriu e NÃO TINHA DENTES. Me disse algo e seu hálito me atingiu... Inconscientemente, levei a não até a boca e nariz! Quase vomitei. Ainda assim, disfarcei e sorri. Quando ele encostou a mão gelada no meu antebraço, senti que cairia no chão.
Ele pressionou meu braço e me levou para dançar. Se é que aquilo seria dançar... davam uns pulos, tinham trejeitos e a falta de coordenação daquele povo poderia ser considerado patético!
Suportei por bem uns 10 minutos aquele bafo, mãos geladas sobre mim... Até que pedi algo para beber. Ele disse numa voz rouca mas fina, que não tínhamos permissão para beber nem comer.
Gente, que absurdo.
Porém, tinha levado meu pozinho mágico e seria obrigada a usá-lo para aguentar aquele show de horrores. Lembrando que já tinha embolsado meu dinheirinho, estava tudo Ok. Pedi para usar o banheiro e então a senhora de preto me levou. Iluminando o caminho com uma vela preta. O banheiro era a coisa mais NOJENTA que há vi na vida.
As privadas estavam todas sujas de m€£%¥. Tinha até vermes na água que fica parada no vaso. Pedaços de carne podres! Não tinha descarga. Ao tinha torneiras. Desisti de fazer xixi. Usei minha bolsa de apoio e fiz a maior carreira de minha vida. Quando voltei para o salão as pessoas tinham desaparecido. Só tinha uma mulher mascarada que me observava. Resolvi que deveria puxar assunto e caminhei na direção dela. Faltavam 5 passos e vi que uma senhora também de preto a arrastou. A mascarada gritou: - Eu sou você! ( disse meu nome!!!)Vá embora! Fuja daqui! Nós liberte desse inferno! Na confusão, sua máscara cai e pude ver seu rosto. Aquela mulher era idêntica a mim! Era eu num outro corpo. Nada pude fazer... A vi ser levada. Minhas colegas já tinham sumido e eu fiquei sozinha ali. Senti as mãos geladas no meu braço outra vez. Era aquele horrorizo novamente. O povo parecia ser muito ruim de festa. Ninguém falava, ninguém tia ou cantava, vão podíamos comer ou beber! Fui levada até um quarto . Passamos por corredores frios e escuros. Eu e ele! Meu coração batia forte... Não sabia se era a droga ou o medo. Comecei a escutar gritos ao passar por outros quartos. Chegamos ao “nosso” quarto! Era tão ridículo e feio quanto todo o resto até aquele momento.
Uma vela preta estava acesa. A única luz naquele quarto frio.
Tinha chegado a hora.. Teria que fazer jus ao dinheiro pago por aquela noite. Estava arrependida já!
Comecei a me despir, o homem, tirou a máscara e falou:
-NÃO OUSE!
Paralisei!
-Sente-se!
Ela falou comigo sem abrir a boca!
Sentei e ele me explicou:
-Eu sou seu irmão. Sou filho da mulher que gritou seu nome. Meu pai aprisionou ela aqui há anos. Ele é prefeito aqui. Você está num lugar que não existe. Aqui é o meio. Aqui é Sathlem ( algo assim)... Não sei escrever ou repetir. Prometi à ela que te libertaria. Suas amigas jamais voltarão. Já pertecem a esse lugar.
Quanto mais ele falava, mais lúcida eu ficava. Será que esse pozinho era tão forte assim? Só pensava nisso?!? Como eu poderia estar pensando nisso?Meu Deus, estou tendo uma overdose! Não é possível!
E o estranho concluiu meu PENSAMENTO: - Não, você não está alucinando ou alterada. Você foi despertada pelo UM SÓ! Não fale mais nada para não desperta-lo!
Comecei a chorar! Queria devolver o dinheiro! Queria ir embora.
Comecei a ouvir passos... Como se um gigante se aproximasse. O estranho fez sinal para eu calar a boca. Não era capaz de controlar meu choro. Até o estranho pressionar com o dedo um ponto na minha garganta! Doeu muito. Ouvi ele pedindo desculpas por fazer aquilo e perdi os sentidos.
Acordei na minha cama. Estava com o vestido e sapatos da festa.
Tinha um bilhete escrito na comoda do quarto escrito assim:
Senti tanto medo. Jurei que nunca mais beberia ou me drogaria na vida e pararia com aquele “trabalho” Realmente, nunca mais fiz nada daquilo.
Meu telefone tocou e era o agente. Precisava ir até a agência.
Fodeu, pensei! Fodeu, fodeu, fodeu!
Mas fui... Porque sabia que se vão fosse, eles viriam ate mim. Meio que você começa a fazer parte da máfia! Você tem que prestar contas!
Fui com o coração na mão! Bom, pensava a, gastei o dinheiro somente com o vestido, bolsa, sapatos e maquiagens. Não tinha gastado tanto e teria como cobrir os gastos e devolver os 17 mil.
Quando cheguei lá, o agente me tratou tão bem... Disse que eu tinha sido venerada e exaltada. Que tinha sido profissional e me destacado . Gostaram tanto de mim que pediram meus dados bancários porque me fariam um agrado!
Entendi que o agente tinha sido recompensado. Perguntei sobre minhas colegas e ele mudei de assunto: -Que colegas? De quem você está falando?
(NUNCA MAIS AS VI!) Não eram amigas. Nas as viagem festas e tal... Jamais as vi novamente.
Fui até um ATM e quando solicitei meu saldo, quase caí de costas! Havia sido depositado na minha conta alguns muitosssss 00000000000 de euros.
Com essa grana, mudei minha vidaComprei um apartamento e carro. Estudei. Conheci um grande amor. Tenho filhos. Moramos na Bélgica. Sou estilista de moda e tenho minha grife!
Tenho sonhos recorrentes com aquele lugar onde estive. Meu marido sempre comenta ter a sensação de estar sendo seguido ou observado. Diz ver carros estranhos parados na rua de casa. Comenta sobre carros estranhos! Digo que é apenas impressão dele!
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2020.09.30 21:06 pla-to Escritor a beira do colapso

Olá, Brasil
hoje venho lhes apresentar meu dilema. Gostaria de saber se os senhores podem me auxiliar, pedindo desculpas antes mesmo de começar a me explicar, tendo em vista o tamanho do post que abaixo segue. Para quem possuir a paciência e a resignação de ler até o final, só me faz possível agradecer e lhe estender um virtual e fraternal abraço.
tl;dr>! sou bipolar e gosto de escrever, não tenho um puto no bolso pq anos de estudos de filosofia e literatura me tornaram incapaz de conviver de maneira adequada nessa sociedade doente, peço que avaliem meu trabalho para que eu saiba se há futuro para mim na escrita e, também, que me ajudem com conselhos profissionais, doações ou de qualquer outra forma para que eu possa sair da cidade em que resido e busque um lar em São Paulo.!<
Vamos lá:
Me chamo Dillon Hagar (meu pseudônimo literário) e tenho ~30 anos. Sou formado em direito e administração com pós em direito penal e processual penal, não que isso me seja muito relevante sobre quem sou, acredito estar mais relacionado com minha história.
Venho de uma família brasileira típica: meu pai e minha mãe são pessoas honestas que sempre trabalharam (muito) para buscar oferecer o melhor para meu irmão e eu. Apesar da extrema formalidade que compele o viver dos dois, sei por fato e história o quanto eles nos amam. Meu pai sempre foi um cara absurdamente estourado e - até recentemente - acreditei que isso era apenas seu jeito de ser, afinal o cara já engoliu alguns sapos da vida (principalmente de sua falecida mãe).
Talvez pelo fato de ser tão estourado, permiti por muito tempo que minhas escolhas fossem feitas por mim, afrontar seus nervosismos só me gerava ainda mais ansiedade. Sempre me foi difícil o necessário pisar em ovos com ele, já que somos pessoas absolutamente distintas. Seu ideal de justiça é através da imposição da violência enquanto sou apenas um advogado que valoriza o debate, defende as garantias e direitos individuais e conhece um pouco das mazelas do nosso maravilhoso Brasil.
Fiz uma faculdade (duas, se prezar pela especificidade) que me habilitaram em uma profissão que não tinha e nem tenho a menor intenção de exercer. Sou advogado inscrito na OAB/SP, porém tudo que gostaria de fazer é rasgar minha carteira e escrever... Mas tudo bem, quem não é advogado hoje, não é mesmo?! Está ai a primeira vaidade formal que meus pais têm sobre mim que não faço questão.
Tenho um irmão mais velho (programador) que, com muito trabalho e talento, conquistou seu lugar ao sol nesse caótico mundo e foi morar em outro país, longe do julgamento dos velhos.
Para o caçula, restou apenas buscar se adequar a sociedade de uma cidade do interior paulista (~180k habitantes, ~450km da capital) e tentar ganhar algum dinheiro, porém, como fazemos isso quando não há oportunidades e se é um desarticulado?
Aos melhores empregos, não possuo a experiência. Para os demais, sou mais qualificado do que deveria. Sou um monstro em pele de homem, vagando por uma cidade que não parece ter o interesse de recepcionar o diferente.
Veja bem, estimado leitor. Sei o que sou e, acredito que aqui, seja o momento ideal para dizer o bestial ser que lhes redige este biográfico texto. Minha sinceridade é inata, não posso me mostrar por menos, não me sentiria bem comigo mesmo se não soubessem quem realmente é aquele que lhes pede algo.
Há alguns anos - graças a uma maravilhosa ex-namorada psicóloga - contrariado pelos meus pais que sempre viram saúde mental como tabu, decidi buscar ajuda profissional para tratar o vazio existencial que existe/ia dentro de meu peito. Após 6~8 anos de terapia e pelo menos outros 6 de clínica psiquiátrica, me deparei com o diagnóstico de um distúrbio de personalidade, "Transtorno de bipolaridade tipo 2", dizem os médicos. Como gosto de informalidades, prefiro chamar apenas de "meus demônios".
"Meus demônios" por muito tempo foram seres antagônicos dentro de mim, me aterrorizavam madrugadas a dentro, cochichando terríveis segredos em meus ouvidos. "Nunca serás o suficiente", "aqueles que dizem te amar riem de ti", "se tens medo de monstros olhe bem para dentro de si: tu és o monstro de quem teme". Nada legal, não?!
Medicação e terapia me tornaram inteiros, ao menos o suficiente para que tomasse as forças necessárias para meu "salto de fé", me fazendo no começo do ano finalmente deixar o ninho e buscar continuar somente com a força de minhas próprias pernas. A felicidade e a esperança, como bem sabem do ano de 2020, talvez tenham sido mal colocadas.
Surpreendentemente, mesmo com as coisas nesse plano de existência estarem indo em vertiginoso declínio, me encontro de certa forma bem e feliz comigo mesmo. "Meus demônios" agora são seres integrados em minha convivência e, com a força do estudo da filosofia (valeu Platão, estoicos, Nietzsche e demais) e outros literatos, descobri que não deveria mais temer minha patologia. Aprendi que ela sou eu e eu sou ela, essa "bipolaridade" que me faz navegar tão rapidamente entre humores é tão somente parte de quem sou. Se antes terapia e remédios eram minha cura, hoje digo com propriedade que aprendi ser minha própria mirtazapina. Se antes chorar de manhã e sorrir de tarde eram um problema, hoje aprecio o fato de lacrimejar enquanto escuto Avril Lavigne (que mulher!), mais tarde me abraçar ao som de Dream Theater e me odiar durante as madrugadas com Witchcraft ou Void King. Música, filmes e livros: ai está minha eterna companhia.
Pois bem, caríssimos estranhos. Sou o que sou e não lhes nego! Talvez esse seja o maior trunfo do anonimato: a possibilidade de ser quem quiser ser sem o prejuízo de julgamentos. Espero que minha sinceridade não lhes seja ofensiva ao decoro, para os que até aqui chegarem agradeço de coração sua insistência.
Ok, ok, divago! Vamos voltar ao ponto central e motivo desse texto: Não tenho amigos e não tenho emprego. O primeiro se deve ao fato de que sou quem sou: aprendi a duras verdades que em uma cidade deste tamanho existem mais pessoas dispostas a lhe julgar do que entender. Geralmente fogem quando confesso ser bipolar ou quando descobrem que não tenho medo de estar em contato com meus sentimentos. Que coisa não?! Em pensar que o que todos buscavam era verdadeira conexão e honestidade nas relações. Mas tudo bem, quem lhes redige sabe que sua intensidade pode ser exigente demais da disponibilidade dos outros, procuro não julgar os que me negam.
Já para falta de emprego talvez seja uma consequência lógica do primeiro: Em entrevistas de emprego costumo ser brutalmente honesto com meu empregador (afinal não é o que pedem?), ainda há pouco me perguntaram qual o meu salário ideal, quando respondi minha quantia, balançaram a cabeça em sinal negativo e disseram que era incompatível. Quem sabe não tenha sido o mais inteligente de minha parte dizer que "talvez o senhor não devesse fazer perguntas que não lhe agradam a resposta, achei que me perguntavas o que eu queria, não que buscasse adivinhações". Sim, sou este tipo de ser. Novamente perdão se lhes ofendo, reafirmo não ser minha intenção. Convido-lhes para uma reflexão, amado desconhecido: poderia eu, sendo quem sou, responder diferentemente?
Pois bem, venho fazendo o que todo jovem advogado têm feito: ofereço serviços jurídicos a preços módicos (que costumeiramente adapto aos meus clientes como forma de lhes ajudar). Sou criminalista mas somente atendo um seleto tipo de criminosos: àqueles a quem se não oferecido um serviço jurídico, muito provavelmente seriam engolidos pela máquina punitiva do Estado e integrados ainda mais a criminalidade. Não advogo para partidos criminosos e muito menos para criminosos de carreira, minha intenção é ajudar e não livrar-lhes de culpa. Talvez percebam aqui os motivos de porque não me restar dinheiro...
A fim de dedicar ainda mais honestidade à este texto, digo-lhes que tenho sim uma amiga. Uma sócia-comparsa, somos advogados e trabalhamos juntos coletando moedas enquanto tentamos ajudar, um pássaro de asa quebrada por vez.
Novamente divago, perdão. Ao ponto então: bem, como já devem tê-lo percebido, meu negócio é a escrita. Amo escrever, estudo latim por hobby, leio dostoievisk por esporte. Escrevo poemas, poesias, cartas, o que quiser. Dedico aos meus amigos e conhecidos aquilo que posso oferecer: no meu caso é o que coletei em meus 30 anos de existência. Você tem um problema amoroso? Ótimo! Sou teu brother e lhe farei uma carta ou um poema para que sares o coração, ó jovem apaixonado! Lhe incomoda a ansiedade saber que em breve terá que defender seu TCC? Maneiro, meu parceiro! Dedicarei à ti minha próxima carta sobre como deve se lembrar que em outra época, também já se apavoraste com o vestibular mas, ainda assim sobreviveste. Aproveito para lhes endereçar esta pergunta: Como se sentiriam se alguém lhes dedicasse uma carta sobre um problema que você confessou ter? Enfim, acho que pegaram o fio da meada.
Atendendo ao meu cósmico chamado, neste mês de setembro (setembro amarelo, lembro), silenciei meus demônios e passei a publicar alguns de meus textos, cartas e poemas em meu facebook particular. Alguns receberam mais likes que outros, alguns nenhum. Devo dizer que me dói saber que minha escrita às vezes não é apreciada.
Ao verem uma suculenta oportunidade, meus "dêmos" foram atiçados e voltaram a sussurrar. A minha vantagem é que neste momento, estando um bocado mais forte que antes, pensei que talvez não devesse eu ceder a régua que me mede à mão de pessoas que porventura não são verdadeiramente amigas. Improvável mas possível...
Sem dinheiro, sem perspectiva e sem companheiros, resto sozinho vivendo em um apartamento quase de favor com um conhecido. Gostaria de me mudar para São Paulo e conhecer todas aquelas pessoas estimulantes que pertencem àquele maravilhoso lugar, porém, como, se não disponho de condições nem para minha terapia e psiquiatra? Às vezes sinto que minto para as duas quando digo que estou bem, em ordem de fazer diminuir o número de sessões e medicamentos que preciso despender. Mando meu amor para as duas: não fosse por elas e os descontos absurdos que me proporcionam (na terapia, pago menos da metade; na psiquiatra, 1/3), talvez eu não estivesse me sentindo tão radiante. Não é lindo quando profissionais se despem de sua autoridade e tocam outro humano apenas como um humano?
Pois bem, venho até este maravilhoso sitio eletrônico e lhes peço: sejam meus juízes! Convido-lhes ao meu julgamento e de meu trabalho. Serei eu um bom escritor? Existe um ofício por trás destra escrita? Poderia eu tudo abandonar e - quem sabe finalmente - me encontrar alinhado e instrumentalizado pelo senhor universo através da bela e indescritível energia cósmica enquanto escrevo? Acredito que o tempo e os senhores podem me dizer...
Encaminho o link de meu tumblr (tumblr pra escritor br, ok, isso é ainda de se analisar), nele encontrarão algumas de minhas escritas publicadas nesse mês de setembro. Caso a paciência e a boa vontade acompanhem os senhores e senhoras, peço gentilmente que leiam, avaliem e sentenciem neste post o que considerarem pertinente. Caso estejam cansados de minha presença e queiram buscar apenas o poema mais lido, acredito que tenha sido este.
Para aqueles que realmente creem no valor de meu trabalho, também anexo um link para doação em paypal, onde aceito qualquer valor que puderem me ceder. Por ora, fica desabilitado a possibilidade de subscreverem em assinatura as doações, antes avaliarei se há futuro para mim nesse negócio de escrita.
E para você, que precisa de alguém que lhe escreva uma carta, um poema, uma poesia, ou que tenha, sabia ou queira um empregado escritoredatofaz tudo, sabia que recebo pedidos por email ( DillonHagarF ARROBA gmail PONTO com ) ou até mesmo através desse post ou direct.
Há aqueles que me chamarão de tolo por acreditar na bondade de estranhos na internet, devo lhes dizer que não me importo. Somente atendo minha própria natureza assim como acredito que cada um deve atender a própria. Estejam todos abençoados e em paz: aos que me ajudarem, mais, aos que me ignorarem, em igual proporção.
Por fim, agradeço todos que chegaram até aqui. Vocês são seres maravilhosos e o dom de sua curiosidade proporcionou a um desconhecido na internet um momento de felicidade. Um profundo e sincero obrigado! Sintam-se amados até mesmo por quem lhes desconhece!
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2020.07.30 17:47 bebahia Beleza, games e ideologia

Ontem eu me deparei com uma entrevista do diretor do Yakusa, da Sega, elogiando o Ghost of Tsushima. Ele disse que esse é um jogo que deveria ter sido feito no Japão, e um dos entraves que ele citou me pareceu bem curioso: de acordo com ele, a aparência de um protagonista como o Jin não seria aprovada, por ele ser "feio".

Feio, com uma aparência que certamente está muito acima da média. Isso me fez lembrar imediatamente daquele vídeo antigo que circulou por aqui na semana passada, do repórter comentando sobre a aparência de uma mulher normal, chamando ela de feia, com "cara de bolacha". E, de fato, por muito tempo a gente teve por aqui a regra que ator tinha que ser bonito, de preferência muito bonito, e esse padrão era tão forte que uma fala como a do repórter ali nos parecia perfeitamente normal.

Outra lembrança que tive foi quando lançou o Horizon Zero Dawn, no fórum em que participava rolou uma polêmica por que a protagonista seria feia, e a razão para isso é por que feministas estavam invadindo o "nosso espaço", impondo um padrão de beleza claramente ideológico. Aí eu perguntava, em que mundo que a Alloy é feia? E por qual razão seria ideologia colocar protagonistas femininas com aparência normal nos jogos? Rolou a mesma polêmica pouco depois com a Senua, mais uma mulher protagonista que foi chamada de feia.

Então, me corrijam se eu estiver enganado. Existe, ou existia, um padrão que nos fazia imaginar que um tipo de aparência bem lá no meio da curva normal de distribuição seria um 2, ou 3, mas isso não seria ideologia?

E claro, como sabemos, a reclamação dura até hoje. Todo novo jogo com personagens femininos mais realistas é acusado de favorecer uma "agenda", rola aquela torcida pelo seu fracasso, e quase sempre o jogo é um sucesso. Porque, e nesse caso podemos no apoiar na quase unanimidade que é o Ghost of Tsushima, dependendo da proposta do jogo ele só tem a ganhar quando os personagens se parecem com pessoas, e não atores de Hollywood, ou personagens de anime em CG. Imagina lá o Jin como um jovem de 16/20 anos, cara de personagem do Final Fantasy, e a Yuna lá sendo uma super waifu kawaii desu, que merda não seria, que perda de imersão. Ideologia é fugir desse padrão?

"Ah, mas aí que está a diferença, foi natural, não forçaram ideologia porque o jogo não é político", camarada, o jogo é uma homenagem aos filmes do Kurosawa, mostra um Japão feudal não romantizado, cheio de questionamentos a estrutura social da época, como assim? Já viram algum filme dele? E tem até uma missão que você se depara com um aldeão que visitava o túmulo do amante em segredo, por que o cara tinha sido casado então aquilo seria visto de uma péssima maneira.
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2020.06.19 13:35 cucutz PORTUGUESE FEATURE FILMS AVAILABLE ON STREAMING

FILMIN:


HBO

NETFLIX
Acho que não existe nenhum conteúdo


Se souberem de outros filmes ou plataformas por favor partilhem!
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2020.04.05 03:15 samreachers O tempero colombiano - Um conto/crônica para tirar você do sério, no melhor dos sentidos

Nos ribombares da pandemônica década de 60, meu pai, Mário Pedro da Silva, chegou ao estado do Rio, vindo da doce e estacionária vida em Arapongas, no interior do Paraná. Vinha em busca de glória e fama: sonhava ser ator. Ou cantar no rádio. Ou uma ponte que o levasse à Hollywood. Ou você pensou que a parte carnavalesca de meu nome, “Sammis Reachers Cristence” Silva, veio de uma inspiração superior? Talvez descendente de abnegados missionários ingleses, ou colonos alemães avermelhados pelo sol e pelo solo paranaense? Que tal de Herbert Richers, o falido e antes onipresente empresário da dublagem televisa (“Versão brasileira: Herbert Richers”, lembra?). Veio dos nomes nos créditos finais dos filmes que ele, meu velho jovem pai, amava, na pacatitude da já citada Arapongas, onde o cinema era tudo o que havia, a bacia das almas.
Bem, após alguns meses desavisadamente fustigantes na efervescência da capital, a inadequação de nosso herói mambembe encontrou refrigério inesperado quando ele foi convidado para ver “aquela cidade ali, do outro lado da baía”. Atravessando as águas turvazuis da Guanabara, o jovem paranaense teve uma iluminação ao conhecer a cidade onde eu vim a nascer (epa, spoiler!). A calmaria da Niterói ainda em sua meia idade lhe lembrava de alguma forma o Paraná pacatizado, pacativante, e a paixão assomou aos olhos do aspirante a James Dean.
Em pouco tempo Mario estava de mala e calça boca de sino alugando quarto de pensão em Icaraí, naquela época o bairro (que já era nobre) que reunia o melhor consórcio de aprazibilidade e centralidade.
Em pouco tempo meu pai conseguiu emprego na cidade sorriso e pôs-se a fazer amigos. Na própria pensão em que se instalara, havia os mais diferentes tipos.
A tal pensão tinha sua legislação, como é (epa, ao menos era) de praxe em tais repúblicas. Nada de mulheres; nada de cozinhar nos quartos; divisão de quartos? No máximo entre dois homens.
A dona da pensão era o coração pulsante do lugar, e ela mesma uma figura da mais relevante singularidade. Bogotana, filha da Bogotá de nossa vizinha Colômbia, ninguém nunca soube o que ela viera fazer naqueles idos por aqui. A suspeita que liderava as pesquisas era que a agora velha Consuelo, jovem ainda havia se apaixonado por algum cafajeste viajor, que a trouxera para as paragens braileñas, e aqui a abandonara à própria e mala sorte.
Era ela, a querida de todos na pensão, que proporcionava o momento mágico da vida daqueles senhores, homens e rapazes que ali habitavam, durante o jantar (a pensão servia apenas café da manhã, simplório, e jantar. O almoço cada um tinha que filar ou comprar em outras paragens). A comida, sempre exuberantemente saborosa, mesmo nos dias de maior frugalidade, entorpecia os ânimos e estômagos de todos aqueles que, felizardos, a provassem. Uma cozinha primorosa, cercada como convém de segredos (era terminantemente proibido que enxeridos penetrassem na casa de dona Consuelo durante a elaboração dos pratos) e com doces toques de exotismo era ali praticada; uma cozinha que merecia até estar aberta ao público, e mais, a um público mais seleto do que àquela coletânea de solteiros que se refastelava nas panelas. Solteiros que, cientes da bênção que era sorver aquela cozinha encantadora, segredavam entre si o privilégio que era morar naquele lugar, se por mais nada, ao menos pela comida fulminante. Contrariados, evitavam estender-se em elogios, embora os mesmos fossem algo inevitáveis: temiam que a boa senhora abrisse um restaurante, caso em que certamente faria imediata fortuna, e de uma única e mesma facada lhes fosse surrupiada a estalagem e a boa comida...
Após o repasto, a alegria descia sobre os agregados; as conversas se expandiam. Tímidos passavam a palrar como canários; os já faladores eram então insuflados a animadores de auditório. As cantorias tomavam o ar de torneios, de “Festivais da Canção” onde duelavam-se sorridentes convivas. Havia algo de mágico naquele ambiente, e era sempre após o jantar que aquela magia socializadora ou destimidizadora parecia explodir.
Certa feita o silencioso Abelardo, aprendiz de oculista, e que normalmente mal despachava um “bom dia, boa noite” aos companheiros de pensão, pôs-se a rodopiar em dança, solitário, olhos cerrados, como que arrebatado; seu bailar, aplaudido pelos demais, estendeu-se portão afora da república – e lá foi o Abelardo, antes tímido que só ele, dançarolando pela calçada, ao som de algum acompanhamento musical que só ele ouvia (pois não havia música a tocar), para espanto dos poucos transeuntes daquele trecho.
E o Fernando, policial turrão e engomado, príncipe da empáfia e da arrogância militaresca, que, sempre que tocado pelos benfazejos vapores do jantar, punha-se a pedir perdão aos companheiros por seu comportamento usualmente arrogante? Certa feita receitou, de improviso, um belo poemeto em honra da amizade, declamação que o levou embaraçosamente aos soluços lacrimais.
Mas o efeito mais bizarro daquela felicidade pós-banquetal se dava sobre o Rui, pernambucano cabo da Marinha de Guerra, varonil mulherista e mui cioso de sua elevada posição (cabo, como disse) na hierarquia militar. O brincalhão e pretensamente galanteador marujo, negro de média estatura, peitoral proeminente, belos olhos de um castanho claro que ele alegava serem os terrores do mulheril, quando de barriga cheia e engolfado pelo clima descontraído que se sucedia àqueles jantares, ganhava um brilho diferente no olhar. Primeiro era seu riso, que se alongava; em seguida suas gesticulações passavam a ganhar mais vida, mais curvas; a marcialidade de seus movimentos cambiava para uma leveza quase... quase feminina. E assim, sorrindo largamente até as gargalhadas, traquejando com inesperada malemolência, o Rui, agora levantado de sua cadeira, passava então a apertar e massagear os ombros dos amigos, alisando os cabelos de um aqui, ajeitando a gola de outro ali... O que no princípio inevitavelmente descambou em algumas confusões, mas rapidamente aquela “transformação” foi absorvida pela geleia geral daquele festim diário de pós-expedientes.
O desenlace de nossa historieta teve seu início com o aperto e a correspondente esperteza de meu pai: conhecedor da proibição de cozinhar nos quartos, o jovem paranaense, talvez contaminado pela mítica malandragem carioca, resolveu transgredir a lei em nome da economia: conseguindo um pequeno fogareiro de um bocal, movido à prosaico querosene, passou a cozinhar pequenas porções de macarrão ou outras basicalidades dentro do quarto; para isso, todos os dias na hora do almoço voltava para a pensão a título de descansar justamente o “almoço” que alegara já ter consumido no centro de Niterói...
Em pouco tempo nosso herói, tão inábil na cozinha quanto um cego, passou a ressentir-se de ter que comer seu macarrão ou arroz ou o que fosse sempre maculado pela mais insossa sem-saboria. Já não sabia cozinhar; “mal” acostumado que ali fora a uma cozinha dos deuses, amargava cada colherada de sua própria comida como um condenado.
Um dia o estudante autodidata de inglês, que ainda sonhava em conhecer Hollywood, teve um insight: e se ele conseguisse dar uma expiada na dona Consuelo enquanto ela cozinhava? A velha era irredutível nesse ponto, mas ele poderia bolar algum tipo de burla para conferir como aquela maga temperava suas comidas. Não deveria ser tão difícil. Nosso mais novo malandro já não suportava a tortura de almoçar sola de sapato e jantar manjares e ambrosias...
Um belo dia meu pai saiu um pouco mais cedo do trabalho (nesta época já trabalhava como contínuo na Facit, no centro de Niterói) e dirigiu-se para a pensão. Ali, esgueirou-se pela parte detrás daquele conjunto de quartos, já com um tamborete nas mãos, para dar altura à pequena janela que fundeava a cozinha da velha, e lá se espichou ele para observar qual o segredo dos temperos da dona Consuelo. Observou por um tempo considerável enquanto a velha picava carne para um ensopadinho, cozinhava uma formidável panela de arroz e remexia um feijão que estranhamente não levava alho, mas ficava sempre delicioso. A atenção do malandrete estava concentrada no momento das temperanças, pois ali ele esperava descobrir ao menos algo que pudesse replicar, ainda que porcamente, a fim de mitigar o gosto já intragável de sua comida.
Pendurado e atento em seu tamborete, o jovem viu a idosa estrangeira sacar de dentro de um armário uma chusma de matos diversos. A velhinha pôs-se a picar bem finas algumas folhagens; meu pai estava atento: pôde reconhecer cebolinha, aipo e talvez cardamomo. Mas então a matrona bogotense ou bogotana apanhou um grande pote plástico e dele sacou uma outra erva. A velha espremeu algumas das estranhas folhas nos dedos, e pareceu sorver seu aroma por alguns instantes; depois pôs-se a arrancar pedaços daquelas folhas estreladas e jogar dentro de todas as panelas que tremelicavam no fogão.
O ex-matuto de roça e aprendiz de haute coisine já havia visto aquela erva fina, mas não fora nas pequenas roças de fundo de quintal naquela terra roxa e fértil do Paraná, nem nas vendas e armazéns, quando sua madrasta lhe mandava ir até lá comprar este ou aquele item; quem lhe mostrara aquele tipo de tempero fora Fernando, o policial ferrabrás, que certa feita exibia numa revista de sua corporação imagens daquela exótica planta, tão em moda naqueles idos da década de 60. O desconcerto da informação, sub-reptícia e algo dura de equalizar, derrubou meu jovem pai estatelado no chão.
Enquanto caia de sua banqueta, num daqueles fenômenos de slow motion que gostam de acontecer nos momentos dramáticos de nossas vidas, o jovem cinéfilo paranaense revira em flashback toda aquela espalhafatosa alegria pós-pasto; a música, as piadas, o gracejos e traquejos e a felicidade quase mágicas que assomavam a todos os republicanos da pensão de dona Consuelo. O motivo estava agora claro, pensava o magricela enquanto pranchava suas costelas contra alguns pedregulhos do chão.
Sabe-se lá por que cargas d’água (e a que custo, meu Deus, a que custo!), dona Consuelo temperava todos os seus pratos com frescas folhas de maconha...
* * * * * *
Deglutidos os embaraços, o jovem migrante paranaense não pensou uma segunda vez. Reuniu seus vinténs e avançou ainda mais mato adentro: Comprou uma caxanguinha em nossa São Gonçalo, longe dos exóticos temperos colombianos. Bem, nem tão longe assim, mas essa história todos conhecemos...
- https://marocidental.blogspot.com/
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2020.02.10 02:42 Utumno_visitor Megathread - Oscars 2019

Essa é a 92ª edição dos Academy Awards, referente aos melhores filmes de 2019

Indicados

MELHOR FILME

MELHOR ATOR

MELHOR ATRIZ

MELHOR ATOR COADJUVANTE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

MELHOR ANIMAÇÃO

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR FIGURINO

MELHOR DIREÇÃO

MELHOR DOCUMENTÁRIO

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

MELHOR CURTA ANIMADO

MELHOR CURTA-METRAGEM

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

MELHOR MIXAGEM DE SOM

MELHORES EFEITOS VISUAIS

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Coringa lidera o número de indicações, com 11 no total, incluindo a de melhor filme Era uma vez em Hollywood, O Irlandês e 1917 tem 10 indicações cada Democracia em Vertigem é o representante brasileiro, concorrendo por melhor documentário
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2020.01.24 01:53 ShotEmotion Me ajudem a descobrir qual filme é please

Filme antigo de antes 1990 , onde mulher é assassinada logo no início por descobrir segredos de uma empresa, antes ela esconde um envelope na parede com o segredo, e anos depois quando o prédio da empresa é reformado um homem da construção civil encontra e é perseguido o resto do filme todo e no decorrer da trama mostra que a empresa modificava alimentos e todos que comiam ficavam doentes,com problemas mentais.
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2019.12.01 16:36 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quinquagésima Terceira Semana

Heróis. Toda criança tem heróis. Personagens, na maioria das vezes fictícios, que povoam filmes, seriados, desenhos e, mais importantemente, nossos sonhos pueris. Almejamos seus poderes e sua confiança, queremos sua glória e nos inspiramos em suas personalidades e princípios. Um reflexo de quem queremos ser. Meninos se espelham em personagens masculinos, quase que sem exceção. Mas e as meninas? Quando a maioria das representações ou são da princesa que precisa ser salva ou da personagem secundária que está ali apenas para servir ao mocinho principal. Claro, essa representatividade aumentou um pouco nos últimos anos, mas falo, sobretudo, da minha experiência como menina trans que cresceu no final da década de oitenta e começo da década de noventa do século passado. De uma infância povoada por super sentais, metal heroes, alguns desenhos americanos e a chegada dos animes em terras tupiniquins.
Sou uma órfã da rede Manchete. Não que não tenha passado manhãs mesmerizada pela Xuxa e seu séquito de paquitas. Como queria ser uma, mas nessa época ainda não sabia que era uma menina. Só sofria mesmo com a dissonância inexplicável entre querer ser alguma coisa que não me era permitida. Não entendia nada, só me conformava na medida do possível. Dessa primeira infância me lembro claramente do Esquadrão Relâmpago Changeman e suas transformações, veículos e robôs gigantes. Ficava dividida entre a motoqueira invocada, a Change Fênix, e a frieza amargurada do líder, o Change Dragon. Essa dualidade me acompanharia pelo resto da vida sob diversos outros avatares. Não conseguia compreender o porquê de só poder vestir a máscara vermelha do protagonista, se anteriormente haviam me dado a bonequinha da Cheetara para brincar. Talvez fosse apenas pela completeza do conjunto, pois também tinha o Lion-O, o Panthro e o Tygra. Não me lembro de questionar, e como criança comportada que era, só aceitei.
Posteriormente vieram Jiraiya, Cybercops, Tartarugas Ninja e He-Man, séries com subrepresentação feminina. Os questionamentos, embora latentes, ficaram esquecidos. Anos de tranquilidade subitamente interrompidos por Patrine. Provavelmente, a primeira série com protagonista feminina que, mesmo às escondidas, assisti. Não entendia a fascinação. Quase simultaneamente vieram os X-men e a identificação imediata com a destemina e reprimida Vampira e a forte e sábia Tempestade. De alguma forma, à época já sabia que não me era permitido gostar de personagens femininas, por isso forcei-me futilmente a substituí-las pelo Wolverine e pelo Ciclope, que ao meu ver manifestavam as mesmas personas: rebeldia e conformidade. A dualidade renovava-se.
Enfim chegamos ao final de 1994. Havia recentemente descoberto a minha natureza de menina presa em um corpo de menino. Da possibilidade impossível de transicionar. Sem perceber, muitas das minhas questões fizeram sentido. A incessante briga interna entre transgredir e me conformar. Já não era mais uma criança inocente. Sabia da minha cina. Sabia que precisaria ser alguém antes de poder ser eu mesma. Não podia mais ser criança. Tinha que crescer e isso na minha ingenuidade implicava parar de fazer coisas de criança como assistir desenhos. Não poderia ter estado mais enganada, porque vieram os Cavaleiros do Zodíaco e minha infância que julgava terminada, renasceu. Lembro da primeira cena que assisti: a Shina dando um couro no Seiya. Fiquei maravilhada: mulheres guerreiras e fortes. Tudo o que sempre quis. Infelizmente, ela não era protagonista, só uma das principais antagonistas.
Dos principais, o primeiro a chamar a minha atenção foi o Shun: armadura rosa, com peitos, protegida por uma constelação feminina. E as correntes, o que eram aquelas correntes? Sem contar que, pelo menos no começo do anime, o corpo do Shun tinha traços nitidamente andróginos. Contudo, depois de anos de repressão, sabia inconscientemente que não poderia gostar abertamente dele. Revelaria meu segredo: um risco que não poderia correr. Ele era demasiadamente feminino. Fui resgatada pelos meus alter egos: o conformador Dragão e o transgressor Fênix. Vivia dividida sobre quem eu seria. No entanto, essa duvida não durou muito: sabia que não teria coragem de magoar as pessoas que eu amava transgredindo. Logo, só me restava o sacrifício de ser quem não era para salvar meus pais da minha vergonha. Eu, era o Shiryu. O paladino que sempre faz a coisa certa, que não exita em se machucar por aqueles que ama.
Endureci, e exceto pelas personagens de videogame e RPG, não mais me identifiquei com nenhuma personagem de filme, série ou desenho. Sempre tinha uma desculpa na ponta da língua. Nos jogos de luta eu sempre era a menina: Chun Li, Orchid, Kitana e Vampira, porque elas eram rápidas e ágeis. No Mario Kart, sempre escolhia a Princesa por causa de sua manobrabilidade, ao menos era o que eu me dizia. No jogos de RPG, falava que preferia jogar com mulheres porque era um desafio de interpretação. Desculpas e mais desculpas para não admitir para mim mesma o que eu já há muito sabia.
Enganei minha dissonância até que Star Wars com a Rey e sobretudo com a Ahsoka Tano a tornaram novamente insuportável. Por que tinha que me identificar tanto com elas e não com algum personagem masculino como o Poe Dameron ou o próprio Anakin? Por que os produtores não a fizeram homens? Seria tudo tão mais fácil. Poderia continuar enganando a mim e a todos ao meu redor de que era um menino. Afinal, homens não crescem, apenas os brinquedos ficam mais caros. Chegara enfim a hora de crescer e deixar a menina, enfim, florescer. Trangredir. Era inevitável.
Uma excelente semana a todes. Se tiverem um tempinho, comentem sobre seus heróis de infância aqui.
Um beijo para a minha mãe, para o meu pai e para vocês.
Gabi
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2019.11.18 22:03 eduardazaparim Pilares Da Automação Instagram Gratis São Poderosos

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2019.10.27 20:14 Major_Tom_Comfy_Numb Recomendações de livros de horror

Aproveitando o clima de Halloween, recomendem bons livros de horror, especialmente aquelas pérolas não tão conhecidas.
Eu começo com dois que li recentemente e achei excelentes:
O Terror - Dan Simmons
Inspirado na história real da Expedição Franklin, do século XIX, em que 2 navios e suas tripulações desapareceram após partir da Inglaterra para tentar encontrar a cobiçada Passagem Noroeste, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico através do Círculo Polar Ártico. Apesar do autor incluir alguns elementos sobrenaturais, só o relato das dificuldades e problemas enfretados pela tripulação já vale a leitura.
The Fisherman - John Langan
Conta a história de um grande mal que se instala em uma região próxima ao Rio Hudson em Nova York, no melhor estilo ameaça cósmica. Esse autor gosta de escrever num estilo "história dentro da história, então você acaba acompanhando 2 histórias relacionadas, em diferentes linhas de tempo.
Além desses recomendo dois outros mais mainstream:
Tripulação de Esqueletos - Stephen King
Uma antologia de contos do mestre King, sendo que alguns foram adaptados para o cinema. Tem alguns contos que até hoje me causam algum impacto, mesmo tendo lido o livro há mais de 5 anos atrás.
Dagon, O Chamado de Cthulhu e outros - H. P. Lovecraft
Existem várias antologias de contos do Lovecraft e vale muito a pena pegar alguma delas pra ler, principalmente se contiver algumas das histórias mais famosas dele, como Dagon, O Chamado de Cthulhu, A Cor que Caiu do Espaço, O Horror de Dunwich etc.

Edit: Seguem recomendações do pessoal nos comentários:
tit0savi0/
Mountain of Madness - Lovecraft
Uma expedição vai pra Antártica investigar o desaparecimento de outra expedição, ai acontece Lovecraft :)
zerotheelde
O Curioso Caso de Charles Dexter Ward, A Cor que Caiu do Céu, e O Horror em Dunwich - Lovecraft
Waldonville/
Vozes do Joelma: Os gritos que não foram ouvidos - Marcos DeBrito, Rodrigo de Oliveira, Marcus Barcelos e Victor Bonini
[Os autores] se uniram para criar versões perturbadoras sobre as tragédias que ocorreram em um terreno amaldiçoado, e convidaram o igualmente perverso Tiago Toy para se juntar na tarefa de despir os homicídios, acidentes e assombrações que permeiam um dos principais desastres brasileiros: o incêndio do edifício Joelma
almean/
Os Salgueiros de Algernon Blackwood - E Edgar Allan Poe
Fuck_Passwords_/
The Wendigo de Algernon Blackwood: Homens encontram uma criatura na floresta
The Yellow Wallpaper de Charlotte Perkins Gillman: Uma jovem mulher é presa no seu próprio quarto (ou na sua própria mente)
Let The Right One In de John Ajvide Lindqvist: Um menino solitário conhece a uma criança muito especial que é mais do que parece
The Exorcist e Legion de William Peter Blatty: sobo primeiro já todos conhecem mas, uma menina é possivelmente possuída pelo diabo. O segundo está relacionado à um dos personagens do primeiro.
House Of Leaves de Mark Z. Danielewski: Uma casa que esconde lugares segredos
I Remember You de Yrsa Sigurdardóttir: Um grupo de amigos que ficam isolados numa ilha com uma casa mal assombrada
klausz/
O médico e o monstro - Robert Louis Stevenson Drácula - Bram Stoker
100titlu/
Drácula - bram stoker - Alem de ser um marco cultural, o fato da narrativa se dar por diários e transcrições torna ainda mais charmoso.
Incrível Viagem de Shackleton: A mais extraordinária aventura de todos os tempo - Alfred Lansing - Basicamente é a mesma vibe de história real [de O Terror] só que sem o lado sobrenatural.
FlameKerberus/
O bebê de Rosemary, não tem muito o que falar, é um romance de terror escrito por Ira Levin. O livro conta a história de um casal que se mudam para um novo apartamento e pretendem ter um filho, porém fatos estranhos acontecem durante a gravidez. Se passa em nova iorque da década de 60.

Filmes:
ajinomoto123/
Midsommar
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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2019.06.11 20:31 marcelo_33 Meu ultimo desabafo...

Eu sou um "incel", tou chegando aos 21 anos virgem, sem emprego, sem amizades, virgem, sem auto estima nenhuma, sem dinheiro, sem vontade de viver nenhuma, eu tenho despersonalizaçåo e desrealização constante. Eu tenho depressão profunda e sindrome do panico. Minha familia nao me entende, o unico que parece que me entende é Deus. externamente pareço saudavel, mas por dentro minha mente ta corrompida e destruida. eu tenho visao errada sobre muitas coisas, principalmente o feminismo e as mulheres. Ja estou no ponto de ser nazista e ser um admirador de hitler e o nazismo. todos os sites que fui sempre fui esculachado ou nao me ajudaram, como: elaele, yahoo, o segredo, etc. tudo parece tao horrivel e preto e branco pra mim, parece que tou no filme do john wick onde todos tao contra voce ou coisa parecida. minha mente ta muito, muito fudida. Penso em cometer suidicio as vezes, o que me falta é coragem. nao tem como ser positivo num ambiente em que todos estao de julgando e ferrando ainda mais com voce inves de ajudar. Estou sentindo minha alma e minha consciencia sair fora do meu corpo. E agora eu me tornei uma pessoa extramamente amarga e vingativa, talvez seja esse o meu destino, vou retribuir todos os meus sofrimentos com a sociedade que me cerca, e nao vou deixar ninguem me ajudar.
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2019.05.13 08:15 aperorazio Até onde vai os seus sonhos

Saí de casa no final da tarde deste sábado para ir ao Mundial comprar uma simples caixa de bombom. Calma, não estou grávida, apenas queria comer um chocolate para controlar a TPM. Fui ao mercado, comprei o que tinha que comprar, mas mulher sempre acaba comprando além, né? Na saída, um menino, com aparência de mais ou menos uns dez anos, me abordou. - Boa noite, meu nome é Felipe! - Boa noite, Felipe! - na mesma hora, pensei (Este garoto é ator...). Dito e feito. - É que eu estou vendendo umas palhas italianas deliciosas, uma por 3 e duas por 5 reais. Você poderia me ajudar comprando para eu pagar os meus cursos de TEATRO? Na mesma hora, aquilo mexeu comigo. Mas eu estava só com o Ticket Alimentação no meu bolso e tinha deixado a bolsa com dinheiro no carro. - Olha só, Felipe. A tia deixou o dinheiro no carro, mas eu vou voltar aqui e comprar com você, tá? - Tá bom! Obrigado! - Ah, só uma coisa. Nunca desista dos seus sonhos! - gritei, de longe, pois não sabia se ia conseguir sair do estacionamento de baixo, subir a rampa e dar a volta pelo estacionamento de cima para comprar as palhas italianas com ele. Então, desci com o carrinho de compras correndo. Algumas pessoas me abordaram no caminho e eu quase “atropelei” um rapaz descendo o carrinho de compras na rampa. - Desculpa, moço! Coloquei as sacolas na mala, liguei o carro e fui procurando a saída, torcendo para a catraca não ser no subsolo e sair direto na Avenida das Américas. Quando subi, peguei logo os cinco reais e fui contornando o estacionamento, procurando o Felipe, até que avistei de longe o menino. - Felipeeeeee! Olha o dinheiro! Cadê a palha? - perguntei, de dentro do carro, com os vidros baixos, pois minhas coisas estavam todas no banco do carona. Na hora, ele se assustou. Achei que não se lembrava mais de mim. - Ué, não vai mais me vender as palhas não? - É que eu tenho muito medo de carro - disparou, olhando para dentro do mercado. Na mesma hora, vi que tinha algo estranho. Levantei os vidros, fechei o carro e fui para a frente do mercado, do jeito que eu estava, para falar com ele. - Mas por que você tem medo de carro? - É que minha mãe não deixa eu chegar perto do carro de estranhos. Ela está lá dentro e eu estava esperando ela voltar para poder vender para você. Desmoronei. - Felipe, me desculpa. É que a tia ficou tão feliz quando te viu que nem pensou nisso. Mas você está certíssimo em obedecer a sua mãe. Você é um menino muito bonito, inteligente e, no mundo em que vivemos, alguém pode fazer alguma maldade contigo. Não chega perto do carro de estranhos mesmo não! Cadê sua mãe? - Ela tá lá dentro, mas já tá voltando. - na certa, ela deveria ter ido comprado algo para os dois comerem. - Então, Felipe. Vou te contar uma coisa. Quando você falou comigo a primeira vez, eu já sabia que você era ator! - Como você sabia? - Pelo seu tom de voz, sua clareza com as palavras e sua desinibição. - Engraçado! Muitos atores que passam aqui dizem a mesma coisa para mim, que da pra ver que sou ator! - Vou te contar mais um segredo, Felipe. - (como se fosse segredo para alguém, mas para ele ainda era) - É que a tia também é atriz. Sua mãe tem Instagram? - Minha mãe não, mas eu tenho o meu, que é monitorado por ela. - disse ele, imediatamente, pegando um papelzinho cortado com o nome do perfil do Instagram dele impresso. Reparei que tinham vários papeizinhos no fundo do pote de palhas italianas. Fiquei toda arrepiada, da cabeça aos pés. - Então, Felipe. Vou te adicionar no Instagram e vou falar com a sua mãe! Vou dar os parabéns para ela, pelo filho que tem, por estar te ajudando a batalhar pelos seus sonhos e, principalmente, pela educação que ela te dá todos os dias. Continue obediente a ela e não entre no carro de ninguém, viu? - Obrigado! Eu estudo aqui perto em um curso, vou estrear uma peça no final do ano e gravar um curta! - dava para ver a emoção dele ao falar. - Você vai longe, Felipe! Vou assistir à sua peça, ao seu filme e, um dia, se Deus quiser, ainda vou te ver na TV! Fica com Deus! Entrei no carro e vim direto para casa olhar o perfil do corajoso ator-mirim. Felipe é do Sul e veio para o Rio com a mãe, Silvia, para conquistar seus sonhos. Provavelmente, é ela quem faz as palhas italianas, que eu já fiz questão de provar e são uma delícia. Ele faz curso de teatro aqui no Recreio, vai estrear uma peça e passou para um curta-metragem no final do ano que vai rodar festivais Brasil afora. O texto é longo, mas é um grande exemplo de luta, conquistas e determinação. Um exemplo de educação em casa, honestidade e obediência também. Não foi à toa que saí de casa para comprar um simples bombom. Adoçou minha boca, meu dia e meu coração. Isso só renova as minhas esperanças que, o tempo todo, nos simples detalhes da vida, me provam que, se você tem um sonho, ou vários, quaisquer que sejam, vale a pena correr atrás, seja vendendo palha italiana ou fazendo o que só você é capaz de fazer! Humildade, caráter e dedicação não se encontram em qualquer lugar, a gente aprende desde cedo, como ele já demonstrou tudo o que aprendeu em tão pouco tempo de vida. Nunca é tarde para se dar uma nova chance, acreditar nas pessoas e se reinventar! Que Deus continue iluminando a vida desse garoto abençoado. Que, de tão abençoado, abençoou o meu dia e espero que abençoe os seus sonhos também, assim como aconteceu comigo.
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2018.09.12 23:59 ThomazM r/Brasil, vamos falar do nosso YouTube?

(FINAL DO POST TEM RESUMÃO; EU ESCREVI PRA CACETE, FOI MAL CHAMPS)
Brasil, hoje eu cometi um erro.
Um terrível erro. Aquele tipo de erro que te deixa acordado horas de madrugada pensando sobre a impressionante merda que você fez. Aquele erro que volta pra te assombrar num jantar de família ou num encontro com aquela mina dos seus sonhos, aonde todos os seus deslizes passam pela tua cabeça tudo de uma vez. E esse é daqueles que vem em primeiro lugar.
Hoje... Eu visitei o "Em Alta" do YouTube.
Piadas de lado, já é papo antigo reclamar do YouTube de hoje e seus criadores de conteúdo, sei bem disso, meus consagrados -- mas o nível que chegamos não cansa de me surpreender. Todo santo dia. É uma coletânea de clips de programa de televisão, um oceano de clickbait e conteúdo sem esforço, aonde o sensacionalizado e o mal informado são beneficiados pelo algorítimo e propulsionados as massas, de pouco a pouco poluindo e corrompendo a plataforma ainda mais. O Ilha dos Barbados tem um ótimo vídeo sobre o assunto aonde são representadas algumas perspectivas diferentes sobre esse problema. Sacomé, com aquela vibe de papo de bar deles.
É importante ressaltar que eu não tô denegrindo o cenário de criadores brasileiros num geral. Sei identificar como um conteúdo que hoje não me interessa pode ser de um forma ou outra entretenimento para outro. Seja de gameplay até tutorial de maquiagem, quase tudo tem seu lugar. O problema surge na fachada, na apresentação deste conteúdo, assim como a transparente falta de orgulho e fodas dadas ao próprio trabalho.
Os irmão Neto são incrivelmente transparentes como figuras que desvendaram o algorítimo e o manipulam para ganho próprio. E há um certo mérito nisso. Eles são mestres de marketing e já dominaram todos os segredos da plataforma. No cenário global, você vê isso nos irmãos Paul, Rice Gum e o resto dos DoucheTubers. Pessoas que venderam a alma por visualizações e dinheiro. Que há anos não dão uma foda para o conteúdo que produzem.
Então pera aí, ThomazM: O que o YouTube brasileiro tem de especial nessa história toda? Parece que o conteúdo da plataforma global está um lixo!
É verdade que o YouTube já teve épocas melhores, mas a realidade é que o cenário global (ou americano) possui um diferencial muito importante: Por mais que o conteúdo catapultado ao "Em Alta" não seja nenhuma obra de arte, o cenário americano é de fato muito mais diversificado que o nosso; e com criadores excelentes de conteúdo que, mesmo que não tão assustadoramente bem sucedidos quanto seus contrapartes, são reconhecidos e de sucesso na plataforma.
O YouTube brasileiro, infelizmente, não tem isso. Não tanto. Não ainda.
Entenda bem: Não estou dizendo que o YouTube brasileiro não possui ótimos criadores (como já foi discutido nesse thread há alguns meses), é claro que eles existem e é uma imensa tragédia que esse pessoal não é reconhecido. A questão, porém, é que logo pela plataforma não recompensá-los, eles são poucos; E galera: Existe uma audiência sedenta por bom conteúdo no YouTube brazuca. Eu sei que há. E eu não sou daquele pessoal que prega que bom precisa ser educativo ou profundo, minha galera. Conteúdo bom tem as áreas do YouTube. Vamos dar alguns exemplos?
(Aviso: Esta lista é composta de YouTubers que eu acompanho, logo, já peço perdão se ficar faltando algum que você curte! E mantenha em mente que essa lista está aqui pra ilustrar o que eu considero um conteúdo de boa qualidade no cenário global, nada mais.)

Filmes

É estudante de cinema? Quer um projeto ao lado pra te manter ocupado ou preencher o vazio até ingressar no mercado de trabalho? Ou só tá afim de falar sobre cinema? Ótimo! Mas se for fazer, faça bem! A galera abaixo são alguns dos meus reis de crítica e análise midiática no cenário americano. Não há nada de errado em se inspirar nos gigantes, não é mesmo? (Alguns desses canais também publicam sobre outros assuntos além de cinema/TV.)

Contracultura

O que mais precisamos na plataforma, de longe. Os canais da contracultura estão aí pra criticar e ridicularizar as bizarrices do mainstream de maneira crude e franca, porém sempre humorística e hiperbólica.

Educativo/Ciência

Será que é mesmo possível conteúdo educativo ser genuinamente divertido? Ah, meu jovem, mas se é. Conteúdo educativo é aonde um dos melhores canais do cenário americano se encontram. Não acredita? Dá uma olhada só. (A maioria desses é legendado, se quiserem dar uma olhada!)
ML;NL:
Galera, é o seguinte. Eu tô meio pistola com a situação do nosso YouTube. Ainda mais porque eu sei que o nosso cenário tá cheio de gente honesta, se expressando de maneira genuína e fazendo um conteúdo show -- como demonstrado nesse thread, que na verdade foi o que me inspirou a fazer este. Eu me surpreendi com a quantidade fantástica de canais brasileiros que eu não conhecia -- não pela falta de procurar, mas porque a plataforma não recompensa essa galera.

O que eu quero é entender.

Vamos bater um papo, meus bons: Por que será que lá fora esse conteúdo diferenciado é mais reconhecido? Será que é coisa da língua? Afinal, inglês é infinitamente mais falado que português. Mas será que isso é o suficiente para essa diferença enorme em números? E por favor, vamos prestigiar essa galera também! Compartilhem seus canais brasileiros favoritos, de qualidade top, que o algoritmo não pega. Eu também preciso admitir minha ignorância no nosso cenário nacional. É triste, realmente, que eu só consigo fazer uma lista com 20+ canais americanos (ou que falam inglês, você entendeu). E eu tô afim de mudar isso. Então, bora se inscrever nessa galera! E vamos discutir! O que você acha que tá fazendo falta no nosso cenário hoje? Só eu que fico irracionalmente puto com o estado do nosso "Em Alta"? E é lógico, se tu achar que eu falei alguma merda (o que é bem possível) pode falar também! Ninguém é infalível. Quero saber a tua opinião. O que você acha de tudo isso?
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2018.06.18 15:48 Alpha_Unicorn Lista com todos os livros propostos no final dos livros do D&D "Leitura Inspirada", com preços e links para a Amazon

Eu fiz uma lista com links para a Amazon de todos os livros propostos na Leitura Inspirada, dei preferência para as edições em português e impressas; tem alguns valores bem altos ai mas se você preferir comprar eBook provavelmente os encontrará em valores mais acessíveis.
Só pesquisei na Amazon Brasileira, e se tiver algum título em inglês que tenha versão em português, compartilhe com a gente =D
Resolvi botar a sinopse dos livros que tem versão em português para deixá-los em maior destaque
(Os valores dos livros são referentes ao mês de Junho de 2018)
  1. Throne of the Crescent Moon (The Crescent Moon Kingdoms) por Saladin Ahmed R$ 58,92
  2. The Book of Three por Lloyd Alexander R$ 32,33
  3. The Broken Sword por Poul Anderson - R$ 49,48 - The High Crusade - R$ 46,45 - Three Hearts and Three Lions - R$ 32,92
  4. Split Infinity (Apprentice Adept) por Piers Anthony - R$ 31,44 - e o resto da série Apprentice Adept
  5. Gods and Fighting Men por Lady Augusta Gregory - R$ 48,79
  6. Range of Ghosts (The Eternal Sky) por Elizabeth Bear - R$ 61,91
  7. The Face in the Frost por John Bellairs R$ 41,16 (eBook)
  8. BEST OF LEIGH BRACKETT por Leigh Brackett Indisponível - The Long Tomorrow - R$ 65,10 - The Sword Of Rhiannon - R$ Indisponível
  9. A Espada de Shannara. Trilogia a Espada de Shannara por Terry Brooks - R$ 37,00 - e o resto da trilogia
    Há muito tempo as Grandes Guerras do Passado arruinaram o mundo. Vivendo no pacífico Vale Sombrio, o meio-elfo Shea Ohmsford pouco sabe sobre esses conflitos. Mas o Lorde Feiticeiro, que todos julgavam morto, planeja regressar e destruir o mundo para sempre. A única arma capaz de deter esse poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada somente por um herdeiro legítimo de Shannara. Shea é o último dessa linhagem e é sobre ele que repousam as esperanças de todas as raças. Por isso, quando um aterrorizante Portador da Caveira a serviço do mal voa até o Vale Sombrio, Shea sabe que começará a maior aventura da sua vida.
  10. Hall of Mirrors por Brown Fredric - R$ 24,76 eBook - What Mad Universe - R$ 9,59 eBook
  11. O livro de ouro da mitologia: Histórias de deuses e heróis por Thomas Bulfinch (Autor),‎ David Jardim (Tradutor) - R$ 19,30 - Em inglês - R$ 51,69
    Altares ruíram e templos se perderam nas areias do tempo, mas as religiões da Grécia e da Roma Antigas nunca despareceram por completo. Seu legado de mitos e heróis continua presente até hoje, e é o pilar da cultura ocidental. As histórias passadas de geração a geração há milênios, que hoje são peças-chave das mais populares e consagradas obras de diversas formas de arte estão reunidas aqui, sob as bênçãos de Zeus. As mais cativantes narrativas que a mente humana já criou transportam o leitor para terras onde fatos incríveis acontecem - onde belas ninfas e corajosos heróis veem seus destinos nas mãos de caprichosos deuses e criaturas fantásticas ganham vida.
  12. Uma Princesa de Marte por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 27,90 - Em inglês - R$ 19,80 - e o resto da série Mars
    Um século após sua publicação, Uma Princesa de Marte recebe sua primeira versão brasileira do texto original que inspirou o filme John Carter, dos estúdios Disney. O capitão John Carter, combatente do exército confederado, tenta recomeçar sua vida após perder tudo o que possuia com o fim da Guerra Civil Americana. Ele só não poderia imaginar que seu caminho o levaria a terras desconhecidas em outro planeta. Apesar da aparência inóspita, Marte é repleto de vida, com uma flora peculiar e fauna diversificada, habitada por estranhas raças constantemente em guerra umas com as outras. Capturado pelos temíveis tharks, John Carter luta por sua liberdade e busca conquistar o amor de Dejah Thoris, princesa de Helium. Numa jornada repleta de contratempos, ele se envolve em disputas entre as diversas tribos de Barsoom – como o planeta é chamado por seus habitantes –, fazendo poderosos inimigos e ganhando a confiança de importantes aliados. Em seus romances barsoomianos, do qual Uma Princesa de Marte é o primeiro livro, seguido por Os Deuses de Marte e O Comandante de Marte, Burroughs criou um herói marcante, uma cultura vasta e rica.
  13. At the Earth's Core por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 21,05 - e o resto da série Pellucidar
  14. Pirates of Venus por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 43,81 e o resto da série Venus
  15. Lin Carter - The Warrior of World’s End - R$ 78,81 - e o resto da saga World’s End
  16. GlenCook - A Companhia Negra - R$ 26,91 - Inglês - R$ 25,64 - e o resto da saga Black Company
  17. The Fallible Fiend por L. Sprague De Camp - Indisponível
  18. The Compleat Enchanter - por L. Sprague deCamp (Autor),‎ Fletcher Pratt (Autor) - Indisponível - e o resto da série Harold Shea, e Carnelian Cube
  19. The Watchers Out of Time: Fifteen soul-chilling tales: Fifteen soul-chilling tales by eBook Kindle por H.P. Lovecraft (Autor),‎ August Derleth (Autor) - R$ 55,41
  20. Contos Maravilhosos - Lord Dusaney R$ 32,40 - e outros livros deste autor
    “A leitura dos textos fundamentais do passado nos permite rever os caminhos trilhados pelo gênero e recompor nossa visão do que ele é ou pode vir a ser. O contato com a prosa elaborada de Dunsany e de outros nomes do passado nos ajuda igualmente a somar ferramentas estilísticas aos recursos disponíveis para a escrita de fantasia no Brasil'. Roberto de Sousa Causo.
  21. The Maker of Universes (World of Tiers) por Philip Jose Farmer (Autor) - R$ 15,13 eBook
  22. Kothar: Barbarian Swordsman book #1: Revised (Sword & Sorcery) (English Edition) - R$ 10,07 eBook - e o resto da série Kothar e a série Kyrik
  23. Brian Froud's Faeries' Tales por Wendy Froud (Autor),‎ Brian Froud (Autor) - R$ 89,25
  24. Tempo Dos Gemeos. Lendas De Dragonlance - Volume 1- por TracyWeis, Margaret Hickman (Autor) - R$ 45,00 Inglês R$ 24,64 - e o resto da série Dragonlance
    Isolado na escuridão da Torre de Alta Magia em Palanthas, cercado por inomináveis criaturas do mal, Raistlin Majere traça um plano para conquistar as trevas - e se transformar em seu senhor absoluto. Crisânia, uma linda e devota clériga de Paladine, tenta usar sua fé para afastar Raistlin das trevas. Ela desconhece os desígnios sombrios do mago, e aos poucos ele a atrai para a sua armadilha cuidadosamente preparada.
  25. The Night Land por William Hope Hodgson (Autor) - R$ 33,85
  26. Conan, o Bárbaro - Livro 1 por Robert E. Howard (Autor),‎ Mark Schultz (Ilustrador),‎ Gary Gianni (Ilustrador),‎ Alexandre Callari (Tradutor) - R$ 35,90 - e o resto da série Conan
    Conan, o Bárbaro, é a obra máxima do escritor Robert E. Howard, um dos mais celebrados novelistas de sua geração, criador do gênero Espada & Feitiçaria, e principal inspiração para autores de renome indiscutível, como J. R. Tolkien, George Martin e Michael Moorcock. Dividida em três volumes, a saga apresentará na íntegra todas as aventuras de Conan seguindo a ordem em que foram publicadas originalmente
  27. The Inheritance Trilogy por N. K. Jemisin (Autor) - R$ 61,25
  28. O Olho do Mundo - Livro 1. A roda do tempo - Robert Jordan - R$ 35,80 - e o resto da série Wheel of Time
    Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno — o mais rigoroso das últimas décadas —, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os conduz àquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo. “Com A Roda do Tempo Jordan conquista o mundo que Tolkien difundiu.” The New York Times
  29. Tigana - Guy Gavriel Kay - R$ 17,50
    Tigana é uma encantadora obra de mito e magia que vai marcar os leitores para sempre. É a história de uma nação oprimida que luta para se libertar depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. O povo foi tão amaldiçoado pela feitiçaria do Rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado. Mas anos após a devastação de sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo Príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa de recuperar o nome banido: Tigana. Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, um povo determinado luta para alcançar seus sonhos. Tigana é um épico sublime que mudou para sempre as fronteiras da fantasia.
  30. Os Olhos do Dragão - Stephen King - R$ 23,50
    O livro conta a história de um reino chamado Delain onde viviam Sua Majestade, Rolando, a rainha Sacha e seus filhos, Pedro e Tomas. Apesar de ser esforçado, Rolando não tinha carisma e era considerado um rei medíocre. Quem contava com a simpatia e o respeito do povo era a rainha. Essa admiração alimentava o ódio de um perigoso inimigo - Flagg, o feiticeiro, um influente conselheiro nas decisões reais.
  31. Hiero's Journey (English Edition) por Sterling Lanier - eBook R$ 24,99
  32. The Unforsaken Hiero (English Edition) por Sterling Lanier eBook - R$ 20,83
  33. O feiticeiro de Terramar (Ciclo Terramar Livro 1) por Ursula K. Le Guin (Autor) - R$ 20,90 - e o resto da série Terramar
    Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.
  34. Swords and Deviltry (Fafhrd and the Gray Mouser) por Fritz Leiber - eBook R$ 12.90 - e o resto da série Fafhrd
  35. H.P. Lovecraft - TUDO - R$
  36. As Mentiras de Locke Lamora (Nobres Vigaristas Livro 1) por Scott Lynch (Autor) - R$ 39,90
    O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.
  37. [Game of Thrones - George R R Martin]() - R$
  38. The Forgotten Beasts of Eld (FANTASY MASTERWORKS) (English Edition) por Patricia A. McKillip (Autor) - R$ 37,63
  39. The Collected Works of Abraham Merritt: Science Fiction Novels & Fantastic Adventures: The Moon Pool, The Metal Monster, The Ship of Ishtar, Seven Footprints ... The People of the Pit… por Abraham Merritt (Autor) - eBook R$ 4.90
  40. Estação Perdido (Série Bas-Lag) por China Miéville (Autor),‎ José Baltazar Pereira Júnior (Tradutor),‎ Fábio Fernandes (Tradutor) - R$ 55,90 - e o resto da série Bas-Lag
    "Com seu novo romance, o colossal, intricado e visceral Estação Perdido, Miéville se desloca sem esforço entre aqueles que usam as ferramentas e armas do fantástico para definir e criar a ficção do século que está por vir." – Neil Gaiman
  41. Elric de Melniboné. A Traição do Imperador (Português) Capa dura – 3 nov 2014 por Michael Moorcock (Autor),‎ Ricardo Toula (Ilustrador),‎ Dario Chaves (Tradutor) - R$ 27,90 e o resto da série Elric e a série Hawkmoon
    A história de Elric de Melniboné, o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la.
  42. Return to Quag Keep (English Edition) por Andre Norton (Autor),‎ Jean Rabe (Autor) - R$ 12,64 - Witch World - R$ 10,70 - São eBooks
  43. Swords Against Darkness (English Edition) por Robert E. Howard (Autor),‎ Andrew J. Offutt (Editor) - eBook R$ 7,90
  44. Gormenghast por Mervyn Peake (Autor),‎ Tad Williams (Introdução) - R$ 62,69
  45. The Color of Magic por Terry Pratchett (Autor) - R$ 32,10 - e o resto da série Discworld
  46. The Blue Star por Fletcher Pratt (Autor) - R$ 67,96
  47. O nome do vento (A Crônica do Matador do Rei Livro 1) por Patrick Rothfuss (Autor) - R$ 37,90 - e o resto da série do Matador de Rei
    Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
  48. The Broken Lands (Inglês) por Fred Saberhagen (Autor) - indisponível Changeling Earth indisponivel
  49. Homeland: The Legend of Drizzt, Book I: Bk. 1 por R.A. Salvatore (Autor) - R$ 23,96
  50. Mistborn: primeira era: Nascidos da bruma: O império final por Brandon Sanderson (Autor) - R$ 69,99 - e o resto da série Mistborn
    O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn!Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou...Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente.Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa classe social inferior , Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.
  51. The Return of the Sorcerer: The Best of Clark Ashton Smith por Clark Ashton Smith (Autor) - eBook R$ 15,60
  52. Change the Sky and Other Stories (English Edition) por Margaret St Clair (Autor) eBook - R$ 9,62
  53. JRR Tolking - TUDO - R$
  54. Coming of the King (Spectra) Hardcover – March 1, 1989 by Nikolai Tolstoy (Author) - $ 0,49 - Amazon Gringa
  55. Tales of the Dying Earth: Including 'The Dying Earth,' 'The Eyes of the Overworld,' 'Cugel's Saga,' and 'Rhialto the Marvellous' por Jack Vance (Autor) - eBook R$ 37,90
  56. Valley of Dreams (Inglês) por Stanley Grauman Weinbaum (Autor) - R$ 26,47 The Worlds of If (Inglês) Capa Comum por Stanley Grauman Weinbaum (Autor) - R$ 26,47
  57. The Golgotha Dancers by Manly Wade Wellman, Fiction, Classics, Fantasy, Horror (Inglês) Capa Comum – 1 mai 2011 por Manly Wade Wellman (Autor) - R$ 32,83
  58. The Cosmic Express por Jack Williamson 1908-2006 (Autor) eBook - R$ 28,83 The Pygmy Planet R$ 25,67
  59. The Shadow of the Torturer: Urth: Book of the New Sun Book 1 (Gateway Essentials) por Gene Wolfe (Autor) eBook - R$ 13,59
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2018.02.14 11:59 Alfre-douh Pré-Valentinos

Antes de entrar no café endireito o cachaço, tiro as mãos dos bolsos para abrir o quispo e descubro a cabeça, raspo os pés no tapete com estrias de borracha já gastas e entro. Televisão ligada no canal de notícias do CM com um notícia qualquer sobre mais uma mulher maltratada por um marido desempregado, deprimido e caído num marasmo de inatividade e inutilidade. Ninguém presta atenção. As conversas de café, com focos muitos próximos uns dos outros, são a principal música ambiente. Recentemente limitadas, normalmente funcionam em ciclos e são fortemente influenciadas pela mediatização que determinados assuntos ganham, na ausência disso algumas pessoas são mais fechadas e outras mais abertas. As mais abertas falam de pormenores sórdidos da vida pessoal tratando as mais fechadas como melhores amigos, confidentes e merecedores da confiança barata que têm para vender, os mais fechados dividem-se em dois grupos: os que não se importam de ouvir e os que, reféns eternos do dever moral de cortesia, suportam com vontades de mutilação pessoal e procedimentos de medicina dentária a frio as vivências das pessoas mais abertas. Eu pertenço ao grupo das mais fechadas, obviamente, uma conversa de café nunca deve passar para o campo intimo, isto é, o que sentimos nos afetar e a condicionar a nossa forma de estar de modo algum deve sobressair numa conversa de café. É das poucas convicções que tenho, embora seja aquela de que mais depressa abdico se houver um bom vinho ou whiskey. O álcool, na medida certa, é uma meretriz/massagista macaense: desinteressada, exótica, de aspecto frágil mas com uma força suficiente para nos desentorpecer, mãozinhas de anjo e, claro, a confidente ideal porque nos faz sentir tão bem que nos leva a oferecermos-lhe em gratidão aquilo que nos é mais precioso, os nossos segredos, o prazer faz-nos sentir compreendidos basicamente é isso.
Olha, está cá o Aníbal. Adoro este tipo. O Aníbal é daquelas pessoas pacatas e de conversa fácil mas curta, condensada é a melhor palavra para descrever a interação com ele. Sempre que falo com ele fico mais ou menos bem disposto. É um tipo fora do comum, tem algumas barreiras sociais e actos pouco adequados às situações, mas não há um pingo de maldade ou presunção na sua forma de ser. A sua autenticidade, com todas as suas manias e trejeitos, leva-me sempre a desafiar-me a mim próprio, a levantar perguntas sobre a minha autenticidade, a querer saber porque é tão importante para mim e tão necessário dissimular uma personagem: “o” Alfredo, um Alfredo apelativo e comercial. Nunca vou muito longe porque ao mesmo tempo que o faço analiso também os seus tiques e as suas deixas tão fora do comum. Estico a mão para o cumprimentar, e ele sorri, um sorriso genuíno por me ver que me faz sentir especial, faz-me sentir um tipo especialmente porreiro e isso é...porreiro. Estende-me a mão com um recibo qualquer entrelaçado nos dedos, demora um segundo a aperceber-se e de seguida pega no recibo e coloca-o encima do balcão, alisa-o com cuidado e lá me cumprimenta. "Este tipo é fascinante" penso eu, meio (positivamente) embaraçado depois de ter estado com a mão esticada para o cumprimentar a assistir a todo aquele procedimento.
“Tão?! Isto é que está um dia de chuva, han?!”
“É! As aranhas é que não se dão bem em dias assim”
“Não?”
“Nem por isso, as teias ficam molhadas e os insetos dão pela presença delas”
“Ah pois”
“Bicho curioso, nunca se vê uma aranha a descansar as pernas, tão sempre a planear qualquer coisa”
Ao mesmo tempo que diz isto coloca as pontas dos dedos sobre o balcão e com os nós fletidos simula a postura de uma aranha.
“É verdade, nunca têm caimbras as filhas da puta!”
Arrependo-me imediatamente de asneirar. Vê-se que lhe causa algum desconforto ouvir palavrões. Deve ter alguma coisa a ver com ter levado porrada em miúdo, deve-lhe lembrar os abestados que se metiam com ele. No entanto é esta a conversa típica que se tem com o Aníbal, que de tão vaga e fora do comum parece ter milhões de significados subliminares. Se calhar a palavra certa para descrever a conversa que se faz com ele é densa.
Vai pedir mais uma imperial, retirando duas moedas de 0,50€ de uma bolsa da carteira e uma moeda de 0,20€ de uma outra bolsa. Esta é a característica dele que as pessoas utilizam para categoricamente o considerar um tipo estranho. “O Aníbal pá! Tu sabes quem é! É aquele tipo que tem sempre montes de moedas e que paga sempre a quantia certa, tem uma paranóia qualquer quanto a receber trocos, tu sabes quem é!” e toda a gente se lembra logo de quem é o Aníbal. É verdade, é o único tipo que alguma vez conheci que tem essa panca, e as pessoas, por nunca saberem ao certo o que achar disso, reagem com sorrisos de ambivalência. É das coisas mais transversais, o desconforto balanceado que uma pessoa sente quando se depara com alguém que faz algo inconsequente fora de comum, que tem daquelas pancas que não chateiam ninguém, mas que nos deixam sem saber o que pensar de tão habituados que estamos a moldar o nosso comportamento em função da apreciação de terceiros. De facto é essa talvez a característica dele que mais fica na memória, mas se uma pessoa tiver com ele um bocado o desconforto passa a ser uma piada periódica. Lembro-me de uma vez que o vi no supermercado, o total das suas compras dava 17,88€, ou coisa assim, ele paga em moedas e com o jeito dele fica com um sorriso amistoso e compreensivo a olhar para a moça da caixa a contar o dinheiro, ela engana-se e ele diz “não leve a mal, mas tenho a certeza que dei certo, conheço as moedas, todas têm a sua história própria”, ela conta outra vez o dinheiro enquanto ele espera já com as compras ensacadas mais um longo minuto, até que ela diz “tá certo desculpe lá” e ele acena, sem qualquer altivez, genuinamente compreensivo, toda a gente na fila que ansiava o desenlace esboça um sorriso e ficam a vê-lo afastar-se meio atarracado até às portas automáticas.
Estamos ao balcão, lado-a-lado, eu acabei por também pedir uma imperial e instala-se uma pausa confortável na conversa que me faz lembrar em forma de um filme esse episódio no supermercado. Entretanto entra uma senhora, a Laura. Tem um cabelo grisalho, liso, muito bonito que lhe cai, solto pelos ombros, anda sempre vestida com camisolas polares, a minha mulher diz que é por ela ser antropóloga marinha, “as mulheres científicas têm uma adoração pela Quechua” diz ela, eu torço o nariz à ideia, mas a verdade é que não é o tipo de comentário em que ela está completamente errada portanto calei-me. Ela dá um ligeiro encosto no Aníbal e pede três pacotes pastilhas de menta, “podem ser estas aqui?” “não, têm mesmo de ser das super frescura se não se importar”. E é aí que me lembro da minha mulher me contar a história da Laura antropóloga marinha. Segundo a minha mulher, ela desde muito nova que tem problemas de fígado que lhe provocam mau hálito, no entanto não ligava muito a isso, obviamente que a punha pouco à vontade, mas seguia a sua vida normalmente, até que teve um filho e aí começou a ficar obcecada com a ideia de que o bébé iria criar uma rejeição à própria mãe por esta ter mau hálito. Foi então que começou a consumir todo o tipo de porcarias para alterar o hálito, rebuçados, smints, tictacs e pousou de vez nas pastilhas de super frescura, daquelas que os putos dos anúncios ficam em gelo quando as consomem. Tenho uma vaga ideia da minha mulher dizer que ela se separou do marido porque este, em situações públicas, tinha a mania de lançar a piada de que ela nunca na vida iria ter problemas com os poços de ar ao andar de avião. Acho que contava sempre a mesma piada e ficava-se a rir na cara dela, até que ela um dia perdeu a cabeça, cuspiu-lhe uma pastilha à cara e pediu o divórcio.
Quando vai a pagar, o Aníbal sem querer dá-lhe um toque com o cotovelo e ela deixa cair no chão três maços de moedas embrulhadas em papel.
“Moedas embrulhadas! Deixa-as mais confortáveis, não é assim?”
“Sim, costumo andar com as moedas assim para ter sempre a quantia certa para pagar as pastilhas”
O Aníbal responde com um sorriso que desarma imediatamente a ideia da Laura de que esta tinha sido uma deixa a evitar. Ela, olhando-lhe nos olhos ri-se também e levanta-se com as moedas na mão.
“Também sou assim, adoro ser meticuloso com o dinheiro e ter sempre a quantia certa. Acho que as pessoas se esquecem do trabalho e precisão que está por detrás de cada moeda, da arte e simbolismo cultural da troca de um produto por um valor representativo”
“Sim também acho bonita essa associação, normalmente as pessoas olham para mim e acham-me uma maluquinha, pensam que eu devo passar a vida a jogar em slotmachines ou assim”
Começo a sentir que se está a passar qualquer coisa para a qual a minha cabeça não está preparada para assimilar, como consultas de acompanhamento familiar para estrelas-do-mar ou co-adopção por casais homossexuais.
“Bem tenho que ir andando, muito prazer em conhecê-lo sou a Laura”
“Aníbal! Prazer é todo meu”
Trocam dois beijos na face, tão desajeitados e vermelhos que chegam a comover esta velha carcaça de cínismo, que bebe mais um gole enquanto se apresentam e se despedem. Ela precipita-se então para a porta. E é então que: “Laura espere”, o Aníbal tira rapidamente duas moedas de 0,50€, duas de 0,20€ embrulha-as no recibo que trazia ao início na mão e dá-lhe.
“Quando comprar o próximo pacote de pastilhas espero que lembre com prazer esta nossa pequena conversa”
Ela retribui-lhe o sorriso mais terno, que decai para um sorriso lascivo e diz escrevinhando num papel: “Tem aqui o meu número, fico à espera que numa próxima vez as pastilhas acompanhem um café e uma boa conversa”.
O Aníbal aceita embasbacado e fica, com um ar ridículo, mas que para quem o conhece perdoável, a dizer-lhe adeus à medida que ela segue rua fora.
Já na minha varanda a fumar, reproduzo a cena na minha cabeça. Coitado do Aníbal, parece que o estou a ver a ir com dinheirinho contado comprar preservativos no supermercado, com aquele ar dele atarracado, mas de tipo cinco estrelas.
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2018.01.18 22:56 _hiruluk Docs e Filmes a expirar no Netflix

hoje
(2013) O centenário que fugiu pela janela e desapareceu #sueco
20/01
(2013) Philomena #judydench
(2008) Vigaristas #aventura #Rian Johnson
(2012) Dredd - O Juiz do Apocalipse
(2001) Onze homens e um segredo* #soderbergh #b.pitt
(2007) Treze homens e um novo segredo*
(1996) D3: The Mighty Ducks* #superpatos
31/01
(1983) Christine - O Carro Assassino* #S.King #j.carpenter
(1982) Annie*
(2003) Lágrimas do Sol* #war #b.willis
(2006) Mais Estranho que a Ficção* #comedy
(2001) Mulher Infernal* #jack.black
(1981) O Barco - Inferno no Mar* #2worldwar
(2002) O crime do Padre Amaro* #garcia.bernal #mexico
(1978) O Mestre Invencível* #jack.chan
(1995) Razão e Sensibilidade* #jane.austen
(1989) sexo, mentiras e videotape* #soderbergh
(1989) Tempo de glória* #civilwar #denzel.w
(1998) Vampiros* #j.carpenter
(1994) Só você* #r.dowey.jr
01/02
(2013) 21 & Over*
(1993) A casa dos espíritos* #meryl.streep
(1986) A Costa do Mosquito* #h.ford #peter.weir
(1992) A Força em Alerta* #s.segal #t.lee.jones
(2005) A lula e a baleia* #noah.baumbach
(2002) A Máquina do Tempo* #hg.hells
(2008) A vida secreta das abelhas
(1999) Alto Coltrole* #j.cusack
(2015) Amy* #doc.musica
(2005) Angel-A* #french
(2015) Champs* #doc.boxe
(1998) Crupiê – A Vida em Jogo*
(1966) Caçada Humana* #m.brando
(1985) De Volta para o Futuro*
(2004) Doze homens e outro segredo* #g.cloney #soderbergh
(2014) Enquiring Minds* #doc
(1984) Era uma Vez na América* #sergio.leone #mafia #r.deniro
(1989) Faça a coisa certa* #spike.lee
(2014) Finding Home* #doc
(1999) Freaks and Geeks (18 eps) <---------- #j.franco #seth.rogen
(1989) Henrique V* #shakespare
(2011) Histórias cruzadas*
(2012) Hora de Aventura: Temporada 4*
(2012) Hotel Transilvânia* #animação
(2015) Kurt Cobain: Montage of Heck* #doc.musica
(1990) Leão Branco - O Lutador sem Lei* #van.damme
(1993) Manhattan Murder Mystery* #woody.allen
(1992) Memórias de um Homem Invisível* #chevy.chave #j.carpenter
(2014) Now: In the Wings on a World Stage* #doc.teatro #k.spacey
(2011) O artista* #pb #mudo
(2011) O espião que sabia demais* #spy #g.oldman
(2008) O lutador* #mike.rourke
(2009) O Menino da Porteira* #br
(2014) O Pior Ano da Minha Vida, Outra Vez (13 eps.)*
(1992) O Poder de um Jovem* #morgan.freeman
(2011) Pacto do Passado*
(2000) Psicopata americano* #c.bale
(2011) Sete dias com Marilyn*
(1995) Sexo, Rock e Confusão*
(2013) The Invisible Woman* #ralph.phienes
(2010) The Runaways – Garotas do Rock*
(2000) Tigerland – A Caminho da Guerra* #war
(1987) Um Homem em Fogo* #denzel.whashigton #manonfire
(2011) Uma vida melhor* #indie
(2010) Undocumented* #doc
(2012) O Incrível Mundo de Gumball: Temporada 2*
(2009) Wolverine and the X-Men (26 eps.)* mais:
http://filmes-netflix.blogspot.com.b2018/01/videos-expirar-na-netflix-em-29-dias.html
ps; vou colocar umas tags mais tarde
07/05/18 (109 dias) (2005) Supernatural (241 eps.)
01/06/18 (134 dias) (2002) Naruto (220 eps.)
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.08.12 14:09 feedreddit Vídeos mostram cenas inéditas de milícias lutando contra o ISIS na Síria e no Iraque

Vídeos mostram cenas inéditas de milícias lutando contra o ISIS na Síria e no Iraque
by Murtaza Hussain via The Intercept
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“Lutar contra americanos era mais fácil do que [contra] o Estado Islâmico”, o comandante da milícia conta à câmera, perto das linhas de frente da cidade de Fallujah, controlada pelo Estado Islâmico. “Estávamos planejando emboscadas, estávamos plantando bombas. Os veículos militares deles passavam e a bomba explodia. Então, você ia embora.”
Quem fala é Hashim al-Mayhi, um comandante do Kata’ib Al-Tayyar Al-Risali (“Os Batalhões do Movimento Missionário”). O grupo de Al-Mayhi é um dos grupos milicianos xiitas apoiados pelo Irã que antes lutavam contra as forças norte-americanas no Iraque, mas hoje são parte da coalizão para derrotar o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.
Fallujah com Al-Mayhi e seus homens foram filmados em 2015 e fazem parte de uma nova série de curtas-metragens sobre a guerra contra o Estado Islâmico, intitulada “Our Allies” (Nossos Aliados), do cineasta norueguês Anders Sømme Hammer. (Você pode assistir ao primeiro e ao segundo episódios abaixo, e o terceiro está acima, em destaque.)
Episódio 1: As Mulheres Curdas Video: _Anders Sømme Hamme_Field of Vision Quando a guerra anti-Estado Islâmico se intensificava, em 2015, Hammer seguiu grupos de soldados de milícias xiitas, mulheres membros das Unidades de Proteção do Povo Curdo (conhecidas por suas iniciais curdas, YPG) e voluntários ocidentais desse grupo. O resultado foram três curtas-metragens com foco em cada um desses componentes da coalizão anti-EI. Embora já tenha havido cobertura jornalística do YPG e seus voluntários no passado, o acesso de Hammer aos grupos milicianos xiitas é único.
O grupo Kata’ib Al-Tayyar Al-Risali é uma milícia historicamente ligada ao exército Muqtada al-Sadr’s Mahdi, uma milícia xiita que lutou contra forças norte-americanas durante a ocupação dos EUA. Hoje, o grupo é apenas um em uma rede de milícias iraquianas que têm laços com o Irã e se juntaram sob a bandeira das Forças de Mobilização Popular, um movimento xiita criado para apoiar a resistência anti-EI no Iraque.
Conforme mencionado em abril de 2017 em um relatório do Carnegie Middle East Center (Centro do Oriente Médio Carnegie) sobre as Forças de Mobilização Popular, “as FMP não são uma milícia xiita monolítica”. O relatório descreve o movimento como sendo dividido em subgrupos com ideologias variadas, que são, por sua vez, leais a diferentes líderes religiosos xiitas iraquianos ou iranianos. Alguns desses grupos são fiéis a iraquianos como o aiatolá Ali Sistani e estão sob o controle do governo iraquiano. Mas outras facções são representantes diretos da liderança do Irã, atuando como subordinados locais do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã e sua elite, Força Qods.
Episódio 2: Os Estrangeiros _Video: Anders Sømme Hamme_Field of Vision
No filme, al-Mayhi mantém pouco segredo sobre suas lealdades. “Sem a ajuda de Deus e do Irã, o Iraque não teria sido salvo”, diz ele. “Não encarando os Estados Unidos ou qualquer outro.” Al-Mayhi também é mostrado em sua casa em Bagdá, em uma entrevista à parte, um ano depois da batalha de Fallujah em 2015; ele aparece de camisa e blazer e mostra imagens de cicatrizes de estilhaços e balas que sofreu no último ano de combate. Sentado no sofá em sua sala, com a TV ligada ao fundo, al-Mayhi faz o que se pode pensar ser uma confissão surpreendente: “Eu agora estou comandando forças especiais dentro e fora do Iraque.” Suas tropas estão participando de batalhas fora do país – incluindo contra rebeldes sem ligação com o Estado Islâmico na cidade síria de Aleppo.
Durante o passeio improvisado pela sua casa, ele mostra sua espaçosa piscina, assim como metralhadoras e lançadores de foguetes que haviam sido anteriormente usados para combater forças norte-americanas. Segurando um lançador de granadas diante da câmera, al-Mayhi diz: “Esses foram usados contra [um] veículo militar americano. Coitado, não sobrou nada”.
Indisposta a comprometer suas tropas terrestres, a coalizão que os EUA acabaram reunindo para combater o Estado Islâmico atraiu muitos soldados que eram ex-inimigos dos EUA. Embora o uso desses soldados tenha ajudado a atingir o objetivo dos Estados Unidos de derrotar o EI, também legitimou uma expansão da influência iraniana sobre a política do Iraque. Recursos e pessoal do Irã tiveram um papel chave no apoio a ambas as forças governamentais curdas e iraquianas nos últimos anos.
Uma matéria recente do jornal New York Times sobre a influência crescente do Irã destacou exatamente como a invasão dos EUA foi um presente para um dos rivais dos Estados Unidos na região.
Embora milícias como a de al-Mayhi tenham desempenhado um papel importante nos últimos anos de guerra, não está claro o que vai acontecer com esses grupos ao passar do tempo.Ainda assim, a crescente influência de grupos representantes leais ao Irã levou a tensões com o governo do Iraque, liderado pelo primeiro-ministro Haider al-Abadi. Embora milícias como a de al-Mayhi tenham desempenhado um papel importante nos últimos anos de guerra, não está claro o que vai acontecer com esses grupos ao passar do tempo. Com a guerra contra o EI lentamente se aproximando do fim, grupos milicianos parecem cada vez mais inclinados a uma transição para um papel político no Iraque. Uma reportagem do jornal al-Monitor no início do ano citou planos de algumas milícias para terem um papel no sistema educacional do Iraque, levando algumas pessoas a expressarem preocupação sobre uma “revolução cultural” ser fomentada entre a juventude do Iraque.
Ao longo dos últimos meses, Abadi tem sido mais crítico em relação a milícias apoiadas pelo Irã e suas tentativas de assumir a política. Em um discurso recente, o líder supremo iraniano Ali Khamenei alertou Abadi contra qualquer passo para enfrentar os representantes do Irã assim que a guerra terminasse. Os grupos, disse o líder do Irã, existiram para proteger a soberania do Iraque e serviram como um importante baluarte contra os Estados Unidos.
Os grupos, disse o líder do Irã, existiram para proteger a soberania do Iraque e serviram como um importante baluarte contra os Estados Unidos.Com o Estado Islâmico a ponto de ser derrotado, um confronto entre os vários componentes da coalizão anti-EI parece cada vez mais possível. O status das milícias xiitas será de áreas chave de disputa, enquanto Abadi tenta reaver sua autoridade sobre o país politicamente fragmentado.
Uma cena de “Our Allies” fornece uma visão sobre por que o esforço de Abadi para reinar sobre as milícias pode se mostrar difícil. Falando próximo à linha de frente com o EI, al-Mayhi afirma francamente que considera a luta da milícia contra o EI um dever religioso, e que não se pode ser subordinado aos interesses de nenhum governo. “Nós fazemos o que é ordenado por nossas autoridades religiosas, não por Estado algum.”
Vídeo em destaque: Episódio 3: As Miícias Xiitas. Filmado e dirigido por Anders Sømme HammeField of Vision.
Tradução: Bernardo Tonasse
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2017.08.10 20:01 npalmeida Backup dos posts de Nicholas Almeida de Ago 2016 a Ago 2017

Segredos da fonte por trás daqueles cartões de $ da App Store.
http://blog.equinux.com/2017/07/cracking-the-code-behind-apples-app-store-promo-card-design/
Um texto muito legal sobre o poder do Mercado Livre no e-commerce:
https://www.linkedin.com/pulse/o-mercado-%C3%A9-livre-introspec%C3%A7%C3%A3o-anal%C3%ADtica-da-do-ml-com-deivison-arthur
O Dave Desandro, que fez o Flickity que a gente usa e um dos melhores plugins de carrossel disponíveis, lançou o Infinite Scroll v3 que, como sempre ficou uma joia! Uma das coisas que eu mais gostei foi fato dele ser pensado em SEO e compartilhamento. A URL vai mudando conforme você "scrolla" e se você fizer "5 scrolls", copiar o link e mandar pro amiguinho, pimba, ele cai na página 5 e não no começo do scroll. Assim como outros plugins dele, o uso comercial é pago mas, se precisar para algum projeto, a gente compra!
https://infinite-scroll.com/
O site Update or Die fez uma seleção de 37 trabalhos que devem voltar com leões de Cannes este ano (http://www.updateordie.com/2017/06/12/37-trabalhos-que-devem-voltar-com-leao-do-cannes-lions-2017/4/). Vi vários e fiz um compiladão do que eu achei melhor. Se não der pra ver todos, vai só no: "The World Biggest Asshole" (https://youtu.be/-FeybXs18tk).
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Fearless Girl
Essa é a maior barbada do festival deste ano. Não há dúvida sobre se o case ganhará prêmios, mas sim quantos. “Fearless Girl” é uma ideia simples, mas incrivelmente poderosa em visual e conceito, além de complicadíssima de se executar: colocar a estátua de uma menina em frente ao tradicional Charging Bull de Wall Street. Um pequeno pedaço de bronze que se transformou no símbolo mais representativo – até aqui – da força da mulher no mundo dos negócios, e na geração do necessário debate sobre o assunto.
https://youtu.be/AGGE8GDA408
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My Mutant Brain
Aplguns trabalhos ganham Cannes não necessariamente pela criatividade, mas pela originalidade ou pela qualidade de produção. “Meu cérebro mutante” deverá ser um exemplo. Um filme de pouco menos de 4 minutos com a protagonista deixando um daqueles eventos chatíssimos e indo à loucura no caminho (bem non-sense) de fuga. A criação e direção é de ninguém menos que Spike Jonze; produção da MJZ (uma das maiores produtoras de comerciais do mundo); e música de Sam Spiegel & Ape Drums – com o mesmo nome do filme. Tá longe de ser o meu favorito, mas pode ter certeza que estará na lista de premiados.
https://youtu.be/ABz2m0olmPg
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The World Biggest Asshole
Um dos meus filmes prediletos do ano, ele conta a história de Coleman Sweeney, “o maior cretino do mundo”. O típico ser que deveria ser abolido do universo, com exceção de um pequeno detalhe: ter, em algum momento, ter escolhido ser doador de órgãos. Graças ao destino, o filme tenta convencer a fazer o mesmo, mostrando que “mesmo um cretino pode salvar vidas”.
https://youtu.be/-FeybXs18tk
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The Box That Keep Giving
Um trabalho primoroso de design para realizar uma ideia incrível e consideravelmente simples. Uma enorme caixa de chocolates Godiva, que você ganha, come metade e a outra metade vira uma caixa menor para presentear alguém. E assim vai, até o último e solitário bombom. Muito bom. :)
https://youtu.be/Q-2X8g1xK-g
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The Hacker Spot
Um case brasileiro, para o digital, que deve ganhar destaque também na Riviera Francesa. Ao descobrir que os banners publicitários acessados por cegos não respondiam bem aos aplicativos de acessibilidade, uma vez que não eram preparados para isso, agência e fundação começaram a transformar os códigos de programação em informações relevantes para os deficientes. Agora, ao invés de ouvir códigos aleatórios, eles recebem conteúdo pertinente em áudio, dedicado exclusivamente a esse público.
https://youtu.be/koNXlcoe_pk
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The Entire Journey
Esse filme de pouco mais de 5 minutos teve chamada no Super Bowl deste ano e foi, por muitos, considerada a peça mais emocional entre as veiculadas por lá. Foi, ainda, a mais claramente direcionada ao discurso de Donald Trump de construir um muro na divisa com o México. O trabalho, que divulga a loja de materiais de construção 84 Lumber, mostra a jornada de uma criança e uma senhora para atravessar a fronteira. Se tiver um tempinho, vale o play.
https://youtu.be/nPo2B-vjZ28
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Hello News
Para referendar a qualidade fotográfica de seu aparelho Moto Z, com o acessório Moto Snap Hasselblad, a Motorola fez uma parceria especial com o Estadão. Durante três meses, os profissionais do jornal utilizaram o smartphone em questão na cobertura das matérias: ou seja, colocando na edição impressa do periódico as imagens clicadas pelo celular, em vez de suas câmeras profissionais. Foram publicadas cerca de 300 fotos, todas com crédito direto ao Moto Z, além das matérias nas versões digitais. Ao final, as melhores imagens ainda viraram uma exposição fotográfica na capital paulista.
https://vimeo.com/212637314
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The DNA Journey
A Momondo é uma companhia aéreas com passagens mais acessíveis. E digamos que este case está longe de uma linguagem trivial para convencer potenciais passageiros a investir seu dinheiro com eles. Ao invés de descontos ou um filme inspiracional sobre turismo, eles convidaram dezenas de pessoas com uma visão patriota ou extremista de quem eram e os desafiaram a realizar um teste de DNA para descobrir realmente de onde eles vinham. O resultado é que ninguém é de apenas uma origem – então, que tal conhecer melhor suas raízes por aí? Se não para vender passagens aéreas, serve como um belo experimento sociológico.
https://youtu.be/tyaEQEmt5ls
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Vigie Aqui
O Reclame Aqui traz informações sobre diversas empresas atuantes no Brasil. Mas numa época em que um dos nossos piores prestadores de serviço são os políticos, nada como ter mais informações sobre cada um deles, sempre que possível. O “Vigie aqui” oferece exatamente isso: um plugin para o Google Chrome que, quando instalado, colore em roxo o nome de políticos suspeitos citados em qualquer notícia, trazendo toda a ficha deles num simples passar de mouse.
https://vimeo.com/195358808
Pix2Pix é um WebApp que gera fotos bizarras.
https://www.theverge.com/tld2017/6/6/15749754/pix2pix-auto-fill-neural-network-images-portraits
Os Emojis bizarros da Samsung:
https://hackernoon.com/samsungs-bizarre-emojis-6be568a3b7d9?gi=355e60af42c5
Um montão de experimentos visuais de HTML + CSS + JS
http://gearaward.com/inspiration.html?en
Não sei se vocês viram a nova versão do Google Earth pra Web, se não viram, vale a pena: https://www.google.com/earth/ E tem um vídeo MUITO legal explicando COMO eles fazem as imagens 3D do Earth! https://www.youtube.com/watch?v=suo_aUTUpps
https://www.google.com/earth/
Algumas listas de plugins legais pra Sketch.
https://www.designernews.co/stories/82747
Design is Code, Code is Design! Sketch 43 arrebentando!
https://uxdesign.cc/design-is-code-code-is-design-b941c14f3fd8
Wordpress provê 26% da internet!
https://managewp.com/statistics-about-wordpress-usage
Esse plug-in "Auto Layout" está tomando conta do Sketch! Nesse vídeo, o apresentador mostra como criar um sistema / guia para design que é uma jóia!
https://www.youtube.com/watch?v=_bjqVF7Fvg4
Acho que algum estag colocou um "zero" a mais no comando e derrubou a internet ...
https://www.theverge.com/2017/3/2/14792442/amazon-s3-outage-cause-typo-internet-server?utm_campaign=theverge&utm_content=chorus&utm_medium=social&utm_source=twitter
Quiz simples e bonitinho.
http://amiarealdeveloper.com/
Nossa, muito legal esse Chrome Experiment!
https://lines.chromeexperiments.com/
Um plug-in BEM legal para Sketch que facilita a construção e visualização de layouts responsivos / fluídos para diversos tamanhos de tela.
https://medium.com/sketch-app-sources/introducing-auto-layout-for-sketch-24e7b5d068f9#.9o6uhsqop
Encontrei uma ferramenta muito legal para a aplicação de "print screens" de telas em Mockups. É muito útil para fazer apresentações e coisas rápidas. → http://www.mightydeals.com/deal/smartmockups-app.html… Super fácil de usar além de ter verões para Mac e PC. Ela faz imagens como as abaixo de forma super simples. Você escolhe uma imagem ou site para ser seu "conteúdo" e ele monta a imagem dentro dos "devices". Existem sites que também fazem isso, mas não com a mesma qualidade / preço. Comprei pra mim e recomendo! Se alguém tiver interesse, está em uma promoção por US$ 14 (normalmente US$ 30).
Um vídeo muito legal sobre os princípios de design de jogos que a Nintendo busca em seus jogos.
https://www.youtube.com/watch?v=2u6HTG8LuXQ
E se o diabo fosse um UI Designer?
https://uxdesign.cc/if-satan-was-a-web-designer-dc5cdf06dff9?gi=78041c88b773#.4t9sz7bwn
Why we use progressive enhancement to build GOV.UK
https://gdstechnology.blog.gov.uk/2016/09/19/why-we-use-progressive-enhancement-to-build-gov-uk/
É, acho que os taxistas não vão gostar disso. Nem os motoristar de Uber. Nem os motoristas de caminhão. Nem ninguém que viva de levar alguém ou alguma coisa daqui até ali...
https://www.uber.com/blog/pittsburgh/pittsburgh-self-driving-ube?ref=producthunt
Site que monta uma experiência visual e sonora bem legal.
https://kamra.invisi-dir.com/589damxb/
Codificando um jogo (pong) em 5 min com Canvas + JS
https://www.youtube.com/watch?v=KoWqdEACyLI
Encontrei uma ferramenta bem interessante para abrir arquivos PSD. Funciona direto no browser e é bem rápida. Possibilita ligar e desligar layers, efeitos e etc. É bem interessante para quem não tem o Photoshop instalado na máquina mas que precisa inspecionar / alterar levemente o arquivo.
https://www.photopea.com/
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2017.06.21 22:54 fesfawdc Preciso de um concelho honesto sobre casamento

Olá Malta. Estou com um problema e gostava de saber a vossa opinião. Eu e a minha namorada vivemos juntos à um ano e meio, casamos por civil em segredo e só meses depois contamos apenas aos nossos pais. Ou seja para o resto da família continua em segredo de estado. Não quisemos contar a ninguém, porque não trabalhamos e vivemos juntos porque ela veio estudar para a minha cidade e eu fui ficando na casa dela até que decidimos casar e viver mesmo juntos . Mas as contas são suportadas pelas nossas famílias até estudarmos e arranjarmos um trabalho. O facto de viver a depender dos outros foi sempre algo que não me agradou muito e faz me imensa confusão, mas eu neste momento estou a acabar o curso e se trabalhasse teria de desistir de estudar , ou então para ser fiel aos meus princípios não viveria com ela porque não posso pagar as minhas despesas. Ela sempre me convenceu que não havia problema, visto que ela e a família teriam de pagar igualmente a casa e as respetivas despesas e que mal acabássemos os cursos assumíamos nós as nossas contas. Apaixonei-me por ela e ela pro mim tão perdidamente que decidimos casar em segredo , provando um ao outro que nos teríamos escolhido para o resto da vida. Já passou um ano e meio, estamos felizes. Ela é a tal e nunca fui tão feliz na minha vida. O problema é que ela quer casar pela igreja e fazer festa e eu não tenho condições financeiras para isso nem os meus pais embarcam nesse filme. Ela quer casar no verão de 2018 porque têm o avô que de volta e meia com crises horríveis de fígado e como já teve cancro tem medo de esperar mais tempo , pois quer que ele a leve ao altar. Ela já falou com a mãe dela e a mãe dela disse-lhe que se nós quiséssemos casar que de presente de casamento nos pagava o casamento completo, a minha parte e a dela visto nós não termos essa possibilidade. Ela , a minha mulher está em pulgas porque só quer casar e como a mãe paga quer aproveitar essa oportunidade, diz que nós quando trabalharmos temos de juntar durante muitos anos para podermos casar. O problema aqui é que eu não me sinto bem de casar sem trabalhar, de entregar convites à minha família sem trabalhar. O que vão pensar eles? Todos os meus primos quando casaram trabalhavam. O que vocês fariam no meu lugar? Casavam para o ano como ela quer e aceitavam o presente de casamento da mãe que é pagar o casamento ? ou esperavam ate trabalharem e conseguirem juntar dinheiro para pagar o casamento ( num tempo indeterminado porque não sei quando vou ter tanto dinheiro)? Por um lado quero vê-la feliz e casar com ela como ela sempre sonhou com tudo o que têm direito, mas por outro também não quero que a minha família pense mal de mim e pensem que me estou a casar por interesse ou me estou a aproveitar dela. O que faziam ?
tl;dr a minha namorada quer casar no próximo ano, mas nem eu nem ela trabalhamos, e a familia dela diz que paga
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2016.06.09 04:05 ClayDatsusara O. Unilateralis

Hoje descobri que há um fungo parasita que se instala no cérebro de uma variedade de formigas e as obriga a agir como zombies. O único objectivo da vida delas passa a ser subir plantas acima até atingir um ponto específico onde o balanço entre humidade e temperatura seja perfeito para o fungo se instalar e desenvolver. Nesse momento a formiga prende as suas mandíbulas à planta para nunca mais largar e aí prepara-se para morrer enquanto é comida de dentro para fora pelo parasita. O apex desta invasão fúngica acontece quando da cabeça da formiga brota uma espécie de cogumelo que imediatamente liberta para o ar esporos. Estes esporos, por sua vez, vão cair no solo. Mas não todos. O acaso encarrega-se de fazer com que alguns esporos aterrem em cima de outras formigas, as próximas vítimas. Seria um ciclo vicioso destrutivo para a colónia de formigas se não houvesse um processo de defesa por parte destas. Quando uma formiga é infectada e visivelmente luta contra o esporo invasor, caso seja vista pelas suas companheiras saudáveis, é levada para longe da colónia para que o contágio seja minorizado.
Eu sou a formiga.
Acho que fui infectado há muito tempo atrás. Eu devia ser apenas uma criança nos braços da minha mãe, pois nem sequer me lembro do primeiro momento em que senti esta vontade irresistível de correr rumo ao desconhecido e agarrar-me com as mandíbulas a algo que não consigo identificar, mas que sei possuir essas características vitais. A formiga também não sabe que procura a humidade e temperaturas certas. Eu não sei por que é que numa noite de verão os meus olhos caem inevitavelmente sobre uma ruiva de pernas longas e cabelo sobre a face. Ela passa sozinha uma vez, duas vezes, e depois acompanha grupo de pessoas, mas os seu olhar aponta ao chão e vejo que continua numa caminha solitária muito própria.
'Sete Palmos de Terra' eu digo inconscientemente, quando ela passa da primeira vez.
'Não acho' diz a minha amiga do momento. 'Também não acho' diz a amiga da minha amiga do momento. 'Eu também não a acho parecida' diz o amigo da amiga da minha amiga do momento.
Mas quando ela passa da segunda vez, eles já conseguem ver semelhanças. Da terceira vez todos temos a certeza que ela é a versão portuense da Claire Fisher. 'De certeza que ela não é portuguesa' diz o amigo da amiga da minha amiga. Eu concordo, e acrescento que ainda assim isso não interessa. 'A loucura não conhece nacionalidades. Americana, portuguesa ou o que quer que seja, vejo nela aquela tendência auto-destrutiva que leva os homens a correrem atrás dela como cães atrás de uma cadela com o cio'.
A minha vontade é levantar-me daquele chão e perseguir a Claire e cravar-lhe as minhas mandíbulas. Sei que ela me vai levar ao sitio certo. Sei que dentro dela os meus esporos vão crescer saudavelmente e o meu estilo de vida zombie vai finalmente fazer sentido. Mas não, não me levanto nem comento o assunto em voz alta. Sou levado depois para longe dali pelos meus companheiros nocturnos, que têm também eles as suas necessidades zombies, mais fortes que as minhas neste momento.
Porém, onde quer que eu vá, vai haver sempre uma ruiva com um olhar deprimido, que necessita urgentemente da nossa companhia para esquecer o que quer que seja que a atormenta. Vai haver sempre um sorriso enganador que tenta esconder uma solidão tão infinita que nos arrepia quando pensamos na crueldade da existência. Vai haver sempre a eternidade do universo para nos relembrar que somos nada mais que poeira cósmica. Que somos uma dolorosa sucessão de eventos e que toda a nossa existência é a busca por esse instante de alívio e sensação de pertença. Mas não, os olhos da nossa Claire Fisher diziam-me que não pode haver um sentido para a vida. E quanto mais eu pensava naqueles olhos castanhos a reprimir-me por pensar que alguma coisa tem algum significado remoto, mais crescia dentro de mim esta vontade automática de me unir a ela e lhe provar, e a mim também, acima de tudo, que mesmo que não haja uma lógica final, as coisas acontecem e há forças tão grandes no universo que massas planetárias gigantescas revolvem à volta de sóis ainda mais magníficos. Se pensares assim, Claire, não é difícil conceberes esta pequena força que me atrai contra ti. Já passou tempo demais desde a explicação de Newton sobre a atração entre dois corpos. Não quero estragar o ambiente romântico, mas o certo é que 'todos os objetos no Universo atraem todos os outros objetos com uma força direcionada ao longo da linha que passa pelos centros dos dois objetos'. Parece formal demais, mas o facto é que, segundo esta lei, todo o corpo atrai todos os outros corpos, independentemente da distância. E à medida que a noite me leva para outros caminhos, eu vou sentindo que é verdade. Que mesmo com a distância eu continuo a sentir a atração.
Mas é uma atração que desvanece e fica dissimulada, quase esquecida. Porque outro dia traz outra força gravitacional mais pertinente. Desta vez pode não ser uma ruiva enigmática, somente uma morena com óculos graduados de massa preta da Ray Ban, que apesar do tom de pele excessivamente bronzeado, transmite uma ideia de inteligência que te agrada ao intelecto sedento de conversas estimulantes. Ou pode ser uma loira hiper-produzida, com cara, corpo e comportamento de bomba sexual, disponível apenas para o mais rijo e animalesco dos machos alfa, mas que, sendo capaz de descobrir casualmente e até apreciar a tua eloquência sagaz e o teu humor desconcertante, é capaz de passar noites contigo ao telefone, contando-te os seus segredos mais humanos, e chegando ao ponto de te propor que vejam o stream de um filme qualquer no wareztuga em simultâneo, cada um em sua casa, comentando as partes mais engraçadas ao ouvido um do outro como se estivessem os dois no mesmo sofá, bem juntinhos como deve ser, obrigado mais uma vez Vodafone Extravaganza.
E a vida continua nesta sucessão de vontades e atrações que vêm e vão, ao sabor dos elementos, e tu não sabes por que é que te levantas todos os dias de manhã para ires para o trabalho. Ouviste dizer que há uma vida para além desta, mas secretamente calas-te quando falam nisso, porque já a viveste quando tinhas 24 anos e passaste aquele verão a viajar numa VW com as outras formigas que perseguiam a mesma humidade e a mesma temperatura que tu, e chegaste ao fim e sentiste-te tão destituído de objectivo de vida como quando iniciaste a viagem. Libertaste-te de preconceitos e entraste nu no mesmo mar alentejano que eles, para desgosto das famílias chocadas que levavam para longe as crianças inocentes demais para ver algum mal na cena; intoxicaste-te consecutivamente até perderes a noção da passagem dos dias e a possibilidade de criares memórias duradouras desses momentos de suposta iluminação; até achaste ter ido longe demais quando participaste no esquema de roubo de gasóleo de camiões e caravanas e sentias que a polícia andava a farejar muito perto, mas achavas que era tudo em nome de um sentido da vida que apregoava o respeito, a paz, a saúde física e mental e a justiça.
A vida normal, das nove às cinco, não te parece um fardo assim tão grande, em comparação com a incerteza moral dessa existência hipócrita. Ao menos dá-te a tranquilidade e a clareza de espírito que precisas para acalmares o teu modo de vida e achares que o pacote básico 3 em 1 da MEO, internet, televisão e telefone fixo, é o ideal para o teu estilo de vida. Ignoras os apelos das tuas amigas freaks que te dizem que a TV é um sorvedouro da alma humana e um instrumento de lavagem cerebral. Não lhes dizes na cara, mas sabes que elas não precisam de ver os programas de televisão sobre a infantilidade das irmãs Kardashian porque têm casais amigos com filhos que lhes fazem visitas todas as noites. E então trabalhas como uma formiga laboriosa e incansável, para teres tudo aquilo a que tens direito, tudo aquilo que os outros têm e que lhes dá nem que seja uns míseros segundos de satisfação efémera e tu invejas como se fosse o Santo Graal que tanto tens procurado ao longo destes anos. Também queres ter a Playstation 4 e a Samsung Smart TV Série 8000 de 75 polegadas; queres passar um mês na Tailândia e visitar a ilha onde filmaram o filme The Beach, mesmo que seja um antro de ingleses sujos e desordeiros; queres definitivamente é ter dinheiro para saíres à noite e não pareceres um pé-descalço desesperado para ter uma oportunidade no mundo dos adultos e poderes acompanhar aquele grupo de erasmus até ao Plano B ou ao Tendinha porque viste lá aquela alemã que te sorriu uma vez do outro lado da Travessa da Cedofeita e tu achas que tens uma hipótese se lhe mostrares a tua destreza motora na pista de dança e a tua habilidade para conseguires ter uma conversa inteligível berrando debaixo dos mais de 100 decibéis ensurdecedores de ruído que se parecem vagamente com a Last Nite dos The Strokes.
E mesmo tendo o dinheiro para essa festa das festas, acabas por beber demasiados shots e demasiada cerveja, exibes demasiada descoordenação motora para seres sequer levado a sério, perdes a competência conversacional que parecia ser um dado adquirido e acabas a noite sozinho, a caminhar para casa, onde chegas encharcado porque estamos em fevereiro, chove há mais de um mês sem parar e não és grande adepto de guarda-chuvas. Além disso és forreta demais para apanhares um táxi.
Finalmente livras-te da roupa molhada, amontoada agora tão descuidadamente quanto possível num canto do quarto, e lutas contra as mangas do pijama, que não parecem querer ser penetradas pelos teus braços. Vais à cozinha buscar um copo de meio litro de água que sabes ser indispensável nas próximas horas e colocas-lo cuidadosamente entre um monte de livros e o teu telemóvel, tentando não molhar nenhuma das tuas estimadas possessões. Enfias-te entre os lençóis e revês o filme da tua noite e tentas perceber onde é que erraste e como seria se aquela alemã loira e espadaúda ocupasse agora o espaço imediatamente acima do teu corpo, entre ti e o peso do edredão de penas. Fechas os olhos com um sorriso nos lábios à medida que imaginas os movimentos sensuais da alemã que te monta na tua imaginação. Por muito esperançosa que seja a tua ereção, sabes que o sono e a ebriedade que te dominam agora não te permitem sequer uma masturbação balsâmica.
Acordas de forma algo abrupta com o som de mobília a bater na parede do apartamento ao lado. Se escutares atentamente, distingues os gemidos por entre o arfar rápido e ritmado de duas pessoas. As gargalhadas indecentes, primeiro de um homem e quase imediatamente de uma mulher, ecoam pelo prédio. As molas do colchão chiam indecorosamente, numa cadência certa, pequenos gritinhos queixosos de uma cama que não foi feita para ser abusada tão violentamente. E o andamento acelera subitamente até se consumar num grito menos controlado e num silêncio ominoso. Depois recomeça, e o ritual repete-se uma e outra vez, mesmo quando já parece ter passado uma hora e tu imaginas que tenham experimentado todas as 8 posições que tu achas serem minimamente exequíveis. Vais bebendo água e esperas adormecer mais cedo ou mais tarde, quando o teu cérebro se habituar e todo aquele barulho se transformar em ruído branco, indistinguível do dos autocarros barulhentos que começam a abanar a estrutura do edifício de cada vez que passam na rua lá em baixo. Mas não consegues dormir. A tua imaginação não te deixa, os sons são sugestivos demais e não é propriamente o tipo de situação que consegues convencer o teu cérebro que é normal. O acto sexual, mesmo o alheio, é sempre algo de especial, e até parece que consegues sentir o cheiro do latex. Pões-te a pé e vais à casa de banho. Quando voltas bebes mais água e ligas o computador portátil. Metes os auscultadores nos ouvidos e escolhes um álbum de Thievery Corporation para adormeceres serenamente sem distrações externas.
Deve ter resultado porque acordo e já são três da tarde. No apartamento ao lado já não há sons de camas a abanar nem agitações sugestivas de actos impúdicos. Apenas o sussurro de vozes abafado pelas paredes mestras. Portas que se batem, talvez da casa de banho, talvez da entrada do apartamento. Ouço claramente passos descendo as escadas comuns, e depois o estrondo da porta da rua a ser batida violenta e despreocupadamente. Corro para a janela e espreito. O meu vizinho do lado sai com uma ruiva. Parece-me A Ruiva. Eles param de repente e ele volta para trás, deve ter-se esquecido de algo. Ela espera-o do outro lado da rua, encostada à parede. É ela, de certeza, a minha Claire Fisher. O meu coração bate mais rápido e sinto que ainda a quero. Quero-a ainda mais. Ela sorri quando o meu vizinho regressa, mas há sempre algo de triste e desconfiado nos seus olhos, um vazio permanente que ninguém vai nunca conseguir preencher. Ainda assim não me importava de morrer tentando. Eles afastam-se rua fora. Fico à espera que se aproximem, que deem as mãos, porém nada acontece, e acho que é ela que não quer. É esse tipo de coisas que a tornam o centro gravitacional do universo, essa distância orbital que ela cria e nos faz girar eternamente à volta dela, como uma lua em torno de um planeta, ferozmente sugada pela sua força de atração mas afastada o suficiente para nunca criar o perigo de colisão fatal.
Sinto-me de novo um zombie, com uma vontade irresistível de fazer alguma coisa que não sei descrever. Saio à rua instintivamente. Procuro um sítio onde me sinta bem, procuro os meus amigos, alguém que me distraia e amenize o dano causado.
Sou a formiga.
Sinto o esporo a penetrar lentamente em mim. Não lhe resisto. Não vale a pena. Só me resta procurar a amiga momentânea, e a amiga da amiga momentânea, e o amigo da amiga da amiga momentânea, e queixar-me da Claire Fisher e do esporo que ela libertou na minha direção e me tortura agora. Só me resta esperar que eles reconheçam o meu estado débil e o perigo potencial que represento e me levem para longe, para bem longe desta colónia de formigas, bem comportadas demais para eu lhes querer tanto mal.
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