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[Pre-Match Thread] UEFA CL 2019/20, #1: SL Benfica vs. RB Leipzig

2019.09.16 20:31 fidjudisomada [Pre-Match Thread] UEFA CL 2019/20, #1: SL Benfica vs. RB Leipzig

Conferência de imprensa de Bruno Lage

Lista de Convocados

  • Guarda-redes: Ivan Zlobin e Odysseas;
  • Defesas: Jardel, Ferro, André Almeida, Rúben Dias, Grimaldo, Nuno Tavares e Tomás Tavares;
  • Médios: Fejsa, Samaris, Pizzi, Caio, Taarabt, Rafa, Cervi e David Tavares;
  • Avançados: Jota, Seferovic e Raul de Tomas.

Boletim Clínico

  • Chiquinho: desinserção do tendão médio adutor, à esquerda;
  • Conti: lesão muscular na região anterior da coxa direita;
  • Gedson: fratura na base do quinto metatarso do pé direito. Já faz treino parcial;
  • Gabriel: entorse do joelho direito, com lesão do ligamento lateral externo;
  • Vinícius: lesão muscular na região posterior da coxa esquerda;
  • Florentino: lesão no menisco interno do joelho direito.

Retrospectiva

O Leipzig está apenas pela segunda vez na fase de grupos da UEFA Champions League e, tal como na estreia em 2017/18, vai ter de medir forças com uma experiente equipa portuguesa, viajando até Lisboa para defrontar o Benfica.
A equipa alemã conquistou a sua primeira vitória europeia frente ao Porto, rival do Benfica, na terceira jornada há dois anos e quer ter início positivo no primeiro duelo de sempre com o clube que está a iniciar a décima campanha consecutiva na UEFA Champions League.
Embora este seja o primeiro encontro oficial entre as duas equipas equipas, ambas defrontaram-se num jogo particular no Verão de 2017, em que o Leipzig ganhou por 2-0 em Londres. Marcel Halstenberg apontou um dos golos.

Guia de forma

Benfica
  • Campeão português pela 37ª vez na época passada, alargando o seu próprio recorde, o Benfica está na fase de grupos pela 15ª vez, embora só tenha passado aos oitavos-de-final em cinco dessas 14 campanhas. Os encarnados alcançaram os quartos-de-final em 1994/95.
  • Em 2018/19, o Benfica ficou no terceiro lugar do Grupo E com sete pontos, atrás de Bayern e Ajax, tendo passado para a UEFA Europa League. Depois de afastar Galatasaray (2-1 no total) e Dínamo Zagreb (3-1 no total), foi eliminado pelo Eintracht Frankfurt, devido aos golos marcados fora, nos quartos-de-final (4-2 c, 0-2 f).
  • Na primeira mão ante o Eintracht, o Benfica marcou pela primeira vez mais de um golo no tempo regulamentar em 15 jogos europeus em Lisboa, apontando um total de apenas 11 nessa sequência.
  • O clube da Luz perdeu apenas um dos últimos oito jogos europeus em casa (4V 3E), embora essa derrota tenha ocorrido frente a um rival alemão na primeira jornada da época passada, quando o Bayern venceu por 2-0.
  • O Benfica tem vasta experiência de duelos com adversários alemães, somando 14 vitórias, 14 empates e 20 derrotas em 48 jogos da UEFA. Sofreu apenas três desaires nos 23 jogos disputados em casa (12V 8E).
  • As "águias" chegaram a sete finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, tendo conquistado o troféu em 1961 e 1962.
Leipzig
  • Terceiro na Bundesliga e finalista da Taça da Alemanha na época passada, o Leipzig está a realizar a terceira campanha europeia e este será apenas o seu 25º jogo. Foi o primeiro clube a fazer a estreia europeia na fase de grupos da UEFA Champions League, em 2017/18, quando somou sete pontos e ficou em terceiro lugar num grupo em que também estavam Beşiktaş, Porto e Mónaco. Os alemães chegaram até aos quartos-de-final da UEFA Europa League, mas foram eliminados pelo Marselha.
  • Há dois anos, o Leipzig perdeu em casa do Beşiktaş (0-2) e no Porto, mas foi vencer por 4-1 ao Mónaco, conquistando a sua primeira vitória fora de casa na Europa.
  • Em 2018/19, o clube alemão ultrapassou três pré-eliminatórias e atingiu a fase de grupos da UEFA Europa League, mas foi eliminado da prova depois de somar sete pontos, terminando atrás de Salzburgo e Celtic.
  • O Leipzig venceu apenas três dos 12 jogos fora de casa na Europa (4E 5D).
  • Uma dessas cinco derrotas fora de casa aconteceu na única visita anterior a Portugal, com o Porto a ganhar por 3-1 na quarta jornada da UEFA Champions League de 2017/18, com Timo Werner a marcar o único golo dos visitantes. Willi Orban e Emil Forsberg tinham marcado no triunfo em casa, por 3-2, duas semanas antes, por sinal a primeira vitória europeia do Leipzig.

Ligações e curiosidades

  • O guarda-redes do Benfica, Odisseas Vlachodimos, nasceu na Alemanha e começou a carreira no Estugarda, cidade onde nasceu. Foi membro não utilizado na selecção da Alemanha que venceu o Campeonato da Europa de Sub-21 de 2017.
  • O avançado do Benfica, Haris Seferović, jogou três épocas no Eintracht Frankfurt, marcando 16 golos na Bundesliga, antes de se mudar para Lisboa em 2017. Fazia parte da equipa que perdeu por 3-0 contra o Leipzig em Janeiro de 2017, quando Werner marcou o segundo golo, enquanto Marcel Sabitzer e Yussuf Poulsen marcaram no empate a dois golos entre Leipzig e Eintracht, em Maio desse ano.
  • Forsberg marcou o único golo no triunfo da Suécia sobre a Suíça, que contou com Seferović como suplente utilizado na segunda parre, nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo de 2018.
  • Hannes Wolf fazia parte da equipa do Salzburgo que venceu o Benfica por 2-1 e conquistou a final da UEFA Youth League de 2017. Rúben Dias, Florentino Luís, Gedson Fernandes e Jota jogaram pela equipa portuguesa.

Notícias mais recentes

Benfica
  • Transferências de Verão. Entradas: Jhonder Cádiz (Vitória FC), Caio Lucas (al-Ain), Chiquinho (Moreirense), Raúl de Tomás (Real Madrid), Carlos Vinícius (Nápoles)
  • Transferências de Verão. Saídas: Raúl Jiménez (Wolves), Bruno Varela (Ajax, empréstimo), Diogo Gonçalves (Famalicão, empréstimo), João Félix (Atlético Madrid), Filip Krovinović (West Brom, empréstimo), Alfa Semedo (Nottingham Forest, empréstimo), Yuri Ribeiro (Nottingham Forest), Cristian Lema (Newell's Old Boys), Eduardo Salvio (Boca Juniors), Chris Willock (West Brom, empréstimo)
  • O Benfica conquistou a Supertaça portuguesa no dia 4 de Agosto, ao golear o rival lisboeta Sporting, por 5-0.
  • O conjunto encarnado iniciou a defesa do seu título de campeão português com outro triunfo por 5-0, desta feita na recepção ao Paços de Ferreira, antes de vencer fora o Belenenses, por 2-0. Contudo, a sua série de 11 vitórias consecutivas em jogos do campeonato foi quebrada a 24 de Agosto, altura em que o FC Porto foi ao Estádio da Luz triunfar por 2-0.
  • Esse foi o primeiro desaire caseiro do Benfica desde 2 de Novembro de 2018, quando o Moreirense se superiorizou por 3-1; o seu registo desde então era de 18 vitórias e três empates. No passado sábado as "águias" voltaram aos triunfos caseiros ao baterem o Gil Vicente por 2-0.
  • O Benfica marcou 39 golos nos seus 11 últimos jogos do campeonato.
  • Adel Taarabt alinhou nos dois amigáveis que Marrocos disputou durante a pausa para as selecções, naquelas que foram as suas duas primeiras internacionalizações desde Março de 2014. O médio renovou o seu contrato com o Benfica até 2022.
  • Gabriel tem estado afastado dos relvados desde 4 de Agosto, devido a uma lesão no joelho, ao passo que Chiquinho saiu a coxear do encontro ante o Porto, com um problema numa coxa. Vinícius (coxa), Gedson (pé), Germán Conti (coxa) e David Tavares (joelho) estão todos lesionados.
  • Em Agosto, Odisseas Vlachodimos, Haris Seferović e Tomás Tavares renovaram os respectivos contratos até 2024.
Leipzig
  • Transferências de Verão. Entradas: Hannes Wolf (Salzburgo), Luan Cândido (Palmeiras), Christopher Nkunku (Paris), Ethan Ampadu (Chelsea, empréstimo), Ademola Lookman (Everton), Philipp Tschauner (Hannover), Patrik Schick (Roma, empréstimo)
  • Transferências de Verão. Saídas: Bruma (PSV Eindhoven), Julian Krahl (Köln), Marius Müller (Luzern), Jean-Kévin Augustin (Mónaco, empréstimo)
  • O Leipzig bateu por 3-2 o VfL Osnabrück, clube da segunda divisão, na primeira eliminatória da Taça da Alemanha, a 11 de Agosto, numa partida onde Marcel Sabitzer bisou. O sorteio da segunda ronda ditou uma visita ao reduto do Wolfsburgo, em Outubro.
  • O Leipzig protagonizou um arranque perfeito na Bundesliga, sendo a única equipa que conta por vitórias as três jornadas já disputadas. Goleou (4-0) fora o Union Berlin a 18 de Agosto, uma semana antes de derrotar o Eintracht Frankfurt, por 2-1. A ronda mais recente do campeonato germânico rendeu uma vitória, por 3-1, no reduto do Borussia Mönchengladbach, a 30 de Agosto.
  • O Leipzig viu o seu arranque 100 por cento vitorioso na Bundesliga chegar ao fim no sábado, com um empate 1-1 na recepção ao campeão Bayern.
  • Timo Werner marcou os três golos em Gladbach e já contabiliza cinco nos quatro primeiros compromissos na Bundesliga.
  • Christopher Nkunku assinalou a sua estreia frente ao Union Berlin com a obtenção de um golo, isto depois de ter sido lançado no decurso do jogo.
  • Sabitzer e Konrad Laimer facturaram pela Áustria num triunfo (6-0) sobre a Letónia na Qualificação Europeia para o UEFA EURO 2020, a 6 de Setembro; Patrik Schick marcou, no dia seguinte, pela República Checa numa derrota (2-1) no Kosovo.
  • Emil Forsberg marcou o golo que valeu à Suécia um empate (1-1) ante a Noruega, a 8 de Setembro, enquanto Marcel Halstenberg deu à Alemanha a liderança no marcador durante o triunfo (2-0) na Irlanda do Norte, a 9 de Setembro, naquele que foi o seu primeiro golo ao serviço da selecção germânica.
  • Tyler Adams não joga desde o início de Agosto, devido a uma lesão no metatarso.
  • A 17 de Junho, Hannes Wolf marcou pela Áustria contra a Sérvia no seu primeiro jogo do Campeonato da Europa de Sub-21, isto antes de sofrer uma fractura no tornozelo direito.

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. Estreia na UEFA Champions League 19/20! Qual é a tua previsão sobre o resultado final e os marcadores?
  2. Qual é o teu onze inicial, estrutura e dinâmicas preferidos para este jogo?
  3. Que jogador ou aspeto do jogo do adversário constitui-se como a maior ameaça para o SL Benfica?
  4. Que jogador terá que fazer acontecer, superar-se a si próprio e embalar a equipa para a vitória?
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2019.04.11 22:54 fidjudisomada UEFA Europa League 2018/9, 1.ª Mão dos Quartos-de-final: SL Benfica 4-2 Eintracht Frankfurt

BOMBARDEIRO BENFICA

Um grande desempenho coletivo, com João Félix a sobressair na hora de visar as redes (três golos e uma assistência), conduziu o Benfica ao triunfo sobre o Eintracht Frankfurt por 4-2 no Estádio da Luz (perante quase 55 mil espectadores), na 1.ª mão dos quartos de final da Liga Europa.
Os primeiros minutos de jogo foram complicados para ambas as equipas: muita intensidade e vontade na discussão da posse de bola, mas pouco esclarecimento e diminuta eficácia, de parte a parte, na circulação da mesma.
Gradualmente, com Fejsa e Samaris no coração da linha média e Gedson a funcionar como terceiro médio e segundo avançado no apoio a João Félix (com Rafa a entrar pela direita e a aparecer também no meio), o Benfica criou uma dinâmica que confundiu o oponente, foi ligando jogadas e aproximou-se da grande área da equipa alemã.
Soltando o seu talento, João Félix estava com tudo e, aos 20', fez um passe a rasgar para a entrada de Gedson pelo corredor central. Já dentro da área, quando se preparava para visar a baliza contrária, o médio benfiquista foi derrubado pelas costas por N'Dicka. O árbitro nem pestanejou: penálti para as águias e cartão vermelho direto mostrado ao defensor do conjunto germânico.
Da marca dos 11 metros, João Félix aguentou a pressão com classe e disparou para a esquerda, colocando a bola no interior da baliza alemã, não obstante a estirada do guardião Trapp (1-0 aos 21'). O camisola 79 estreava-se a marcar pelos encarnados na Liga Europa e nas provas da UEFA.
Em inferioridade numérica, o Eintracht Frankfurt não deixou, no entanto, de exibir um dos traços dominantes: a facilidade com que pressiona e recupera a bola, para depois desenvolver contragolpes potencialmente letais. Num desses lances, aos 40', o conjunto germânico surpreendeu a defensiva do Benfica, cabendo a Luka Jovic, no coração da área, o toque final para o 1-1.
O Benfica carregou nos minutos finais do primeiro tempo e, aos 43', João Félix recebeu o esférico à entrada da área e bombardeou de pé direito, batendo Trapp e assinando o 2-1. O avançado formado e desenvolvido no Caixa Futebol Campus tornava-se no mais jovem jogador de sempre a bisar nas competições europeias, de acordo com a plataforma Playmakerstats.
Antes do intervalo, Cervi, em duas jogadas, ficou muito perto de alargar o resultado para 3-1: no primeiro, o remate foi sustido para canto pelo guarda-redes Trapp; no segundo, o disparo, em posição frontal, fez a bola passar rente à trave.
O Benfica voltou do descanso com vontade de ampliar a soma. Aos 50', no seguimento de um canto executado na direita por Grimaldo, João Félix saltou na zona do primeiro poste e, com as costas, fez uma assistência perfeita para a emenda de Rúben Dias (3-1), uma estreia na UEFA.
O quarto golo das águias tardou menos de 180 segundos. Grimaldo infiltrou-se na esquerda e cruzou rasteiro para o pontapé de primeira de João Félix, de pé direito, no meio da área, batendo o guardião Trapp (4-1 aos 53'). Com este tiro certeiro, passou a ser o português mais jovem de sempre a fazer três golos num jogo das competições europeias, superando Eusébio, segundo a plataforma Playmakerstats.
Ao cair mal após uma disputa aérea, Corchia teve de ser rendido: entrou Pizzi aos 66', recuando Gedson para lateral-direito (66'). E o Benfica rapidamente criou uma excelente ocasião para faturar o quinto golo: João Félix, com um passe magnífico no corredor central, desmarcou Seferovic (rendeu Rafa aos 59'), e o internacional suíço, na cara de Trapp rematou colocado e rasteiro, mas o guardião do Eintracht Frankfurt defendeu com a ponta da bota direita (69').
O adversário alemão, no aproveitamento de um canto batido na direita, reduziu para 4-2 num cabeceamento de Gonçalo Paciência (72').
Na parte final do encontro, Samaris foi rendido por Zivkovic (85') e o Benfica ainda dispôs de mais uma bola perigosa na área: Seferovic, descaído na esquerda, chutou com força, mas errou o alvo por muito pouco.
O jogo da 2.ª mão está marcado para as 20h00 da próxima quinta-feira (18 de abril) na Alemanha.

BRUNO LAGE: "A NOSSA ESTRATÉGIA FUNCIONOU EM PLENO"

"Alcançámos um resultado muito bom perante uma grande equipa", assumiu o treinador do Benfica, Bruno Lage, após o 4-2 sobre o Eintracht Frankfurt na 1.ª mão dos quartos de final da Liga Europa, no Estádio da Luz.
Um golo que muito definiu e mostrou
"A estratégia funcionou em pleno, não jogámos com ponta de lança fixo perante três centrais. O nosso primeiro golo define muito bem o que fomos à procura, com entradas verticais de Gedson. Há que destacar também a forma como entrámos na segunda parte. Alcançámos um resultado muito bom, jogámos perante uma grande equipa. Com 4-1, é verdade que podíamos ter tido mais controlo. Num lance de bola parada, o adversário chegou com mérito ao 4-2. Transição ofensiva forte e bolas paradas são as grandes valias deste adversário. Foi um resultado muito bom, com uma boa exibição. Estamos conscientes do trabalho que fizemos e no domingo cá estaremos novamente para seguir no Campeonato."
Nos "quartos" só há equipas difíceis
"Marcámos quatro golos a um adversário que a determinada altura ficou em inferioridade numérica, mas joga com um sistema muito difícil de contrariar. Vamos com dois golos de vantagem. A eliminatória está em aberto, como estaria com um resultado de 4-1. Estamos a jogar os quartos de final da Liga Europa, todas as equipas são muito difíceis. Temos mais 90 minutos para jogar bem, com a qualidade que mostrámos aqui e seguir em frente. Foi a pensar pela minha cabeça que cheguei aqui e é assim que vai continuar a ser. Jogo a jogo, temos de perceber o adversário, o sistema, que tipo de espaços oferece, depois é escolher a melhor estratégia e o melhor onze."
Jogo diferente sem expulsão?
"Os antigos, como o Jaime Graça, diziam: se o passe para a frente fosse feito para trás, o jogo era logo outro. É consequência do jogo. O penálti resultou de uma situação estratégica treinada por nós. Se não fosse penálti, com certeza o Gedson marcaria o golo, estaríamos em vantagem. É o jogo, não se sabe o que vai acontecer. Na 2.ª mão, podemos chegar lá, fazer um disparate e ficarmos reduzidos a 10 jogadores. As análises fazem sentido em função daquilo que vai acontecendo. Estávamos a ter o controlo do jogo. Aliás, para nós, o momento mais determinante para alterar a nossa dinâmica foi a lesão do Corchia, que nos obrigou a reorganizar, colocando o Gedson a defesa-direito, uma posição que tinha feito nos escalões de formação."
João Félix: o "especial" e o "normal"
"Se não fizesse nenhum golo, diriam que está em baixo de forma; como marcou três, volta a ser o Super-Wings! Vamos com calma, deixá-lo crescer e desfrutar do jogo. É um miúdo muito bom, muito bem tratado pelo grupo. Tem de crescer de forma natural. Não vamos fazer do João Félix um super-herói. É um miúdo fantástico, tem ainda muito para aprender, técnica e taticamente, saber ocupar espaços e perceber os momentos do jogo. E tem de perceber que quando fizer o normal vai ser criticado por quem está desse lado. É o jogador português mais jovem a fazer um hat-trick, facto que o torna cada vez mais especial, mas no dia em que for só o João, é criticado porque não é o João especial. Nós não lhe colocamos qualquer pressão, só queremos que faça o seu jogo e que tenha um crescimento sustentado. É isto que acreditamos que, a trabalhar connosco, vai acontecer."
"Lage effect?" Não... "Run a lot!"
"Correr muito... Os jogadores têm sido fantásticos nisso. Correr, determinados, com uma organização fantástica. Hoje, alterámos a nossa pressão. Vejam o que os quatro homens da frente correram e como pressionaram de forma diferente. Rafa, João, Cervi e Gedson, o que eles correram e pressionaram para a equipa ter um conforto maior naquilo que é jogar contra este sistema [3x4x3]."

Coisas e Loisas

  • Jardel chega aos 45 jogos nas provas europeias ao serviço do Benfica; iguala Toni na 21.ª posição. Luisão continua a ser o jogador encarnado com mais partidas na UEFA pelo clube (127 jogos);
  • Há 15 anos que o Benfica não beneficiava, tão cedo, de uma expulsão na provas europeias: 20' Evan N´Dicka [Eintracht Frankfurt] 2018/19; 3' Copa [Beveren] 2004/05;
  • 22' Benfica 1-0 Eintracht Frankfurt: João Félix estreia-se a marcar nas provas europeias (8 jogos). João Félix abriu o marcador no primeiro remate do jogo para os encarnados (3 remates para o Eintracht);
  • João Félix quebra o jejum sem marcar na Luz mês e meio depois (E. Frankfurt - Chaves). João Félix é o 3.º mais jovem de sempre a marcar pelo Benfica na UEFA (19 anos, 5 meses e 2 dias): 1962 Simões; 2015 Guedes; 2019 Félix;
  • Luka Jović fez o 25.º golo na época; praticamente 50% dos golos da carreira foram marcados em 2018/19. Não marcava há 3 jogos consecutivos desde Outubro 2018.
  • João Félix faz história! É o jogador mais jovem de sempre a bisar na UEFA pelas águias: 2019 - João Félix (19 anos, 5 meses e 2 dias); 1972 - Rui Jordão (19 anos, 7 meses e 14 dias); 1962 - Eusébio (20 anos e 29 dias);
  • João Félix nos primeiros 45 minutos frente ao Eintracht Frankfurt: 3 remates; 2 remates à baliza; 2 golos; 1 remate bloqueado; 83.3% de passes completos;
  • Benfica nunca perdeu os 93 jogos em que saiu em vantagem ao intervalo na Luz em jogos para as competições europeias (87 vitórias e 6 empates)
  • 27 anos depois um português do Benfica faz um hat-trick nas competições europeias: 2019 João Félix; 1992 Pacheco; 1975 Rui Jordão, Nené; 1972 Nené; 1970 Eusébio; 1968 Torres; 1965 Eusébio, José Augusto;
  • Rúben Dias estreia-se a marcar nas provas europeias (16 jogos). O defesa central do Benfica marcou 7 golos nas duas últimas épocas pelas águias em 79 partidas;
  • HISTÓRICO!!! João Félix é o português mais jovem de sempre a fazer 3 golos nas competições europeias, superando Eusébio. Últimos hat-tricks portugueses na UEFA: 2019 João Félix vs E. Frankfurt; 2019 C. Ronaldo vs Atlético; 2017 André Silva vs Austria Wien;
  • Andreas Samaris nos 85 minutos vs Eintracht Frankfurt: Mais passes no jogo (78); 94% de aproveitamento de passes completos; Mais toques na bola (101); Ganhou 55% dos 24 duelos; Recuperou 6 vezes a bola e perdeu 9;
  • Quatro jogos depois o Benfica volta a vencer uma equipa alemã. O último triunfo tinha sido frente ao Dortmund (Champions League) em Fevereiro 2017. As águias conquistam a 15.ª vitória em 49 partidas frente a equipas germânicas (30% de aproveitamento);
  • Benfica não perde em casa há 16 jogos consecutivos, o melhor registo desde 2016/17. A última derrota das águias na Luz foi frente ao Moreirense em Novembro 2018 (1-3);
  • 36% dos jogos do Benfica na era de Bruno Lage foram marcados 4+ golos num jogo. Os encarnados não marcavam em jogos consecutivos 4+ golos desde Fevereiro (Boavista, Sporting - Feirense, E. Frankfurt);
  • Benfica não perde há 21 jogos consecutivos na Luz para a Europa League (11 anos). A última derrota dos encarnados em casa nesta prova aconteceu em 2008 frente ao Metalist (0-1);
  • Benfica foi eliminado apenas por uma vez, em 14 eliminatórias, após uma vantagem de dois golos na 1.ª mão em casa; foi em 1970 frente a equipa... alemã [Vorwärts Berlin, 2-0, 2-0 5-3gp];

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o Vitória FC na próxima partida, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a 29.ª rodada da Primeira Liga 2018/9. Quais as perspetivas?

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2019.03.09 17:25 O-Pensador Por que imposto é roubo?

Talvez a frase de efeito mais famosa dentre os libertários é: “Imposto é roubo.” Apesar de ser uma verdade, que implica, em particular, a ilegitimidade do estado — visto que roubo é um crime, independentemente se praticado por cidadãos ou se por governos —, o fato é que vejo poucas pessoas que sabem dar uma justificativa correta a essa afirmação. Isto se deve em parte à fácil intuição gerada por ela, pois qualquer um sabe que, se uma pessoa não pagar impostos e resistir às intimidações do estado, ela será sequestrada pelo governo, como ocorreu com o famoso ativista anti-imposto Irvin Schiff, que em 2015 faleceu na cadeia por defender a ilegalidade do imposto de renda nos EUA [1]. Porém, essa constatação da ameaça implícita por trás dos impostos não é suficiente para determinar que o imposto é de fato um crime, embora seja obviamente uma condição necessária. Sendo mais preciso, poderíamos ter duas, e apenas duas, situações onde o imposto poderia ser visto como como algo legítimo, caso fosse: 1) um pagamento previsto em um contrato implícito, chamado “contrato social”, onde, no passado, as pessoas, legitimamente possuidoras de suas propriedades, abriram mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social; e/ou 2) uma taxa forçada feita pelo estado a fim de pagar suas despesas de manutenção, caso análogo a um condomínio, onde a posse territorial do estado seria legítima. Esses dois casos resumem todos os principais argumentos pró-imposto dos estatistas, de modo que para demonstrar que o imposto está fora da lei, é suficiente refutar ambos os casos, mostrando que o contrato social, caso exista como contrato implícito, não pode ser legalmente executável e que o território do estado não é legitimamente apropriado. Daí seguirá nossa famosa tese que imposto é de fato um assalto a mão armada.
Antes, porém, é importante ressaltar que questões sobre o estado ser necessário (e não é) para prover bens públicos [2] ou de seu surgimento ser ou não inevitável [3] dentro de uma sociedade livre são irrelevantes para determinarmos a justiça do imposto, pois estão em diferentes categorias epistemológicas: “imposto é roubo” é uma afirmação dentro do âmbito da Ética, das questões prescritivas, i.e., que tratam do dever, enquanto que as demais questões relativas ao estado são meramente descritivas. E como David Hume observou, [4] um dever nunca deve seguir de um ser, i.e., é epistemologicamente equivocado derivar verbos no imperativo de outros no indicativo – no nosso caso, derivar “você deve pagar impostos” de “o estado é necessário para manter a ordem” ou “o estado é inevitável”. Nesse artigo, vamos nos focar nas disciplinas da Ética e do Direito.
O Contrato Social é Uma Ficção Supérflua
Geralmente argumenta-se que o estado, tendo ou não posses legítimas, pode cobrar impostos, pois existe algum tipo de consenso implícito em torno desse arranjo social — a legitimidade se origina então da anuência dos cidadãos. A esse corpo de ideias que postulam um contratualismo implícito em sociedade feito para manter a ordem e instaurando, para isso, um regime político específico, se dá o nome geral de teorias do Contrato Social.
Antes de mais nada, é bom deixar claro que o Contrato Social jamais pode ser um contrato executável por lei, ou seja, um acordo cuja quebra pode resultar em retaliação legal. Primeiro porque — como os próprios teóricos contratualistas assumem — ele é implícito, não tendo uma expressão objetiva de consentimento. E, de fato, é deveras óbvio para qualquer um que ninguém foi consultado sobre a aderência ao arranjo político democrático que vivemos hoje. Nunca os estados modernos fizeram consultas entre as populações dominadas para que questionassem suas legitimidades e perguntassem sobre a possibilidade de elas gerirem suas propriedades por si mesmas, sem o estado como decisor último de instâncias. O ônus da prova desse consentimento recai todo sobre os contratualistas, que até agora não forneceram nenhuma evidência nesse sentido. E sequer poderiam. É um fato histórico que em geral os estados modernos surgiram não de um acordo voluntário em sociedade a fim de criar uma administração com a função de centralizar o poder público, mas sim pela conquista militar e ameaça de força física. Isto deveria ser deveras óbvio, pois é completamente irrealista que, dentro de um grupo de pessoas sempre alertas à possibilidade do surgimento de conflitos, alguém proponha, como solução a este problema, que ele próprio se torne o arbitrador supremo e monopolista de todos os casos de conflitos, inclusive daqueles em que ele mesmo esteja envolvido. Seria uma proposta no mínimo risível, por maior que seja a reputação que esse membro destacado tivesse.
Em segundo lugar, mesmo que tenha havido consenso no passado — e não temos registro algum disso, mas ao contrário, como veremos abaixo —, o Contrato Social é uma relação de subordinação individual e portanto precisa ter uma cláusula de rescisão, haja vista que a vontade humana é inalienável. Sob a ausência de tal cláusula, ele se torna um acordo tão absurdo como um contrato de “escravidão voluntária”, não tendo sentido legal algum. Com efeito, um consentimento sem rescisão prevista em contrato é uma mera promessa, de modo que a iniciação de força para fazer cumprir tal contrato tem o mesmo efeito legal de agredir pessoas em virtude de discursos. Vejamos o caso clássico de “contratos de escravidão” em mais detalhes. Suponhamos então que A promete (ou realiza contratos, ou concorda; a terminologia não é importante) em ser escravo de B, sendo assim uma tentativa de consentir agora para forçar ações no futuro. Se A depois muda de ideia e tenta fugir, pode B usar força contra A? Esta é a pergunta crucial. Se a resposta for sim, isso significa que A não tem o direito de se opor e alienou eficazmente os seus direitos. No entanto, isso não poderia acontecer simplesmente porque não há nenhuma razão para que A não possa retirar o seu consentimento. Assim, não é inconsistente para A, mais tarde, se opor ao uso de força. Tudo o que A fez anteriormente foi proferir palavras para B, tais como, “eu concordo em ser seu escravo.” Mas isso não agride B em qualquer sentido subjetivo tanto quanto não há agressão ao proferir o seguinte insulto: “Você é feio”. As palavras por si só não podem agredir, isso é – inclusive – uma das razões as quais justificam o direito à liberdade de expressão. Em poucas palavras, um proprietário de escravos deveria ter o direito de usar a força contra o escravo para que a escravidão seja mantida e que os direitos sejam dessa forma alienados, entretanto o escravo não teria previamente iniciado força contra o proprietário de escravos. Logo, o proprietário de escravos não tem o direito de usar a força contra o escravo e, assim, nenhum direito de fato foi alienado. O mesmo vale para o contrato social, que pode ser pensado como um caso particular do aqui exposto.
Em terceiro e último lugar, se existiu um contrato social para legitimar a espoliação moderna do estado, então ele certamente diz respeito às gerações passadas e não às nossas. E da mesma forma que crimes não podem passar de pais para filhos, visto que a pena é sempre individual, promessas de cumprimento contratual também não. Assim, um consentimento — implícito ou não — no passado não pode ser herdado hoje pelas gerações que não participaram direta ou indiretamente desse processo.
Tendo derrubado as teorias do Contrato Social sob o prisma jurídico, resta dele apenas mera formalidade, um conceito abstrato para ilustrar uma suposta necessidade do estado. Este foi o caso de Thomas Hobbes, que sustentou que, em estado natural, as pessoas iriam reivindicar cada vez mais direitos, ao invés de menos, levando a conflitos incessantes e cada vez maiores. Urge então a necessidade de um arbitrador soberano, acima e exterior à sociedade civil. A ideia jurídica por trás disso é clara: acordos requerem um fiscal externo que os torne vinculantes. O estado não pode portanto seguir daí, pois quem iria tornar esse mesmo acordo vinculante, se não há árbitros fora do estado? De duas, uma: ou será necessária a instauração de outro estado (caindo em regressão infinita) ou o próprio estado hobbesiano está, por si só, em estado de anarquia dentro de si mesmo. Na prática, nos encontramos no segundo caso, onde o estado não está vinculado a nenhum fiscal externo. Não há contratos fora do estado de modo que todos os conflitos envolvendo-o (seja dele com cidadãos privados, seja entre ele e seus parasitas) será sempre resolvido dentro de seus próprios mecanismos jurídicos, com suas próprias autoimpostas regras, i.e, com as restrições que ele mesmo, e apenas ele, se impõe a si. Em relação a si próprio, o estado ainda está no estado natural de anarquia caracterizada pela autofiscalização e pelo autocontrole, da mesma forma que a sociedade em “estado natural”. Só que pior: dado que o homem é como ele é, e dado que o estado é formado por homens, ele tem uma tendência natural a mediar seus conflitos em seu próprio benefício, em detrimento dos cidadãos privados. O totalitarismo é seu destino inevitável.
Outro teórico do Contrato Social foi John Locke, que assim como Hobbes inicia sua teoria focando num estado de natureza [5], que, através do contrato social, vai se tornar o estado civil. Porém, ao contrário de Hobbes, Locke vê a relação da sociedade com o Contrato Social não como uma subordinação, mas sim como um consentimento. E uma vez que o consentimento é dado, o governo, segundo Locke, tem o dever de retribui-lo garantindo a liberdade individual de duas formas básicas: fazendo valer o direito à propriedade para o homem conseguir seu sustento e sua busca à felicidade; e assegurando a estabilidade jurídica para que os homens possam resolver seus conflitos e assim assegurar a paz.
Um importante ponto do contratualismo lockeano é que a delegação de poder ao governante não retira dos indivíduos o direito de removê-la se eles julgarem que o governante traiu a confiança nele depositada:
“Pois todo poder concedido em confiança para se alcançar um determinado fim, estando limitado por este mesmo fim, sempre que este fim é manifestamente negligenciado, ou contrariado, a confiança deve necessariamente ser confiscada (forfeited) e o poder devolvido às mãos daqueles que o concederam, que podem depositá-lo de novo onde quer que julguem ser melhor para sua garantia e segurança.” [6]
Assim, o governante que quebra a confiança nele depositada está, segundo Locke, em estado de guerra com a sociedade, pois agiu de modo contrário ao direito, do mesmo modo que o indivíduo que viola a lei natural.
Apesar do significativo avanço do contratualismo lockeano frente ao de Hobbes no que diz respeito às liberdades individuais, dada sua ênfase na manutenção do direito natural à propriedade [7] e no consenso dos cidadãos, ele peca em ser demasiadamente ingênuo do ponto de vista político. O ponto de Locke a favor de um governo “voluntário” que tem legitimidade enquanto cumprir suas funções delegadas pela sociedade civil pode parecer razoável à primeira vista, mas, afinal, o estado é uma instituição de natureza definitiva, e as ações esperadas disso são determinadas pela sua natureza e não pelos nossos desejos e fantasias. Então, a verdadeira questão é se é realista esperar este tipo de operação automática e imparcial de um monopólio centralizado. E de fato, não é. O poder corrompe, porque atrai o corruptível. E o sistema de incentivos de um monopólio estatal é verdadeiramente perverso. A história está aí para mostrar que, como tendência geral, a liberdade humana é cada vez mais sufocada pela ameaça estatista e pouco ou nada pode-se fazer para deter isso dentro do âmbito político [8].
A experiência histórica da Revolução Americana foi profundamente influenciada por John Locke e ilustra muito bem o caráter utópico das ideias lockeanas de governo limitado e consensual. A famosa frase “Governos são instituídos entre os Homens, derivando seus justos Poderes do Consentimento dos Governados” foi proferida quando os revolucionários norte-americanos justificaram sua secessão do Império Britânico, dando um marco inicial à primeira república fundada por um ideário genuinamente liberal. A constituição americana foi redigida no propósito de limitar as funções do governo para os propósitos lockeanos e assim, em tese, proibia cabalmente o exercício de políticas esquerdistas (bem-estar social) e direitistas (belicismo). E é claro também que o significado geral da constituição não dá margens para dúvidas: o princípio dominante de que tudo que o Governo Federal não está autorizado a fazer está proibido de fazer. A décima emenda, por exemplo, proíbe o Governo Federal de exercer quaisquer poderes não especificamente atribuídos a ele pela constituição. Isso por si só invalidaria o estado de bem-estar social e, de fato, praticamente toda a legislação progressista. Mas quem se importa? Até mesmo o famoso jurista constitucional Robert Bork considerou a Décima Emenda politicamente inexequível.
A constituição americana já pode ser considerada morta desde a Guerra Civil, quando o direito de secessão foi negado aos estados do Sul. Ora, mas isso não era constitucional? Os estados federados não poderiam retirar-se da União? Lincoln, através dos resultados estabelecidos após a Guerra Civil, declarou que a União era “indissolúvel”, a menos que todos os estados federados concordassem em dissolvê-la. É sempre o próprio estado que irá decidir, pela força, o que a constituição “significa” firmemente decidindo a seu próprio favor e aumentando seu próprio poder em prol dos caprichos pessoais da casta política. Isto é verdade a priori, e a história americana apenas ilustrou isso. Assim, as pessoas são obrigadas a obedecer ao governo, mesmo quando os governantes traem seu juramento perante Deus de defender a constituição.
Daí em diante, as portas para o socialismo estavam escancaradas e o New Deal de Roosevelt foi a prova final desse fato. A América olhou calada a mais uma grave usurpação de poder, dessa vez de viés esquerdista, um claro golpe inconstitucional. Roosevelt e seus asseclas da Suprema Corte interpretaram a Cláusula do Comércio de forma tão abrangente de modo a autorizar praticamente qualquer reivindicação federal, e a Décima Emenda de forma tão restrita de forma a privá-la de qualquer força para frear tais reivindicações. Hoje, essas heresias são tão firmemente arraigadas que o Congresso raramente ainda se pergunta se uma proposta de lei é autorizada ou proibida pela constituição.
O estado não possui legitimamente propriedades
Ainda que não haja nenhum consenso em torno da estrutura política em que vivemos, o imposto para sustentá-la ainda poderia ser justificado caso o estado fosse considerado uma espécie de condomínio. Esse seria o caso se, e somente se, ele possuísse posses legítimas, pois daí seu território configuraria propriedade e o indivíduo que não estiver satisfeito com o retorno do imposto e se rejeitar a pagá-lo teria apenas a opção de deixar o “país” — do contrário, o uso de força por parte dos agentes do estado estaria justificada. Essa geralmente é a visão das ditaduras e dos regimes nacionalistas totalitários, onde o chavão “ame seu país, ou deixe-o” é muito comum e aparece em diversas versões nas propagandas governistas.
Veremos contudo que esse não é o caso e que a história do surgimento dos estados e de suas evoluções territoriais está profundamente marcada por guerras e injustiças nas delimitações de seus títulos de “propriedade”.
Dado que estamos analisando a justiça dos atos do próprio estado, precisamos de uma teoria legal consistente e independente do mesmo. Mais especificamente, precisamos de uma norma universal e atemporal acerca da justiça de delimitação de títulos de propriedade que nos forneça um critério preciso e objetivo de quando determinada posse é justa, i.e., quando ela configura a propriedade, entendida aqui como o direito legal de controle exclusivo de um bem escasso.
Comecemos então do início, respondendo à mais básica das perguntas do Direito: para que precisamos de leis? A chave para resolvê-la reside no conceito de escassez, que é o caracteriza nossa realidade econômica na Terra. Com efeito, se considerarmos um mundo de completa abundância, onde todos os recursos teriam replicabilidade infinita, sem danos às cópias originais, então nenhuma lei de delimitação de propriedades seria necessária e tampouco a ideia de “roubo” faria sentido. É apenas em virtude da finitude dos recursos disponíveis para o homem agir que necessitamos de uma regra universal para especificar quem tem o direito de controlar o quê. Na própria ação humana, o conceito de escassez já está subentendido, pois ao agir, o homem está fazendo escolhas específicas de como usar seu próprio corpo (também um recurso escasso) e os bens que o circundam. E escolher, i.e., preferir um estado de coisas a outro, implica que nem tudo, nem todos os prazeres ou satisfações possíveis podem ser obtidos de uma só vez e ao mesmo tempo. Ocorre na verdade o exato oposto: a ação humana implica que algo considerado menos valioso tem de ser declinado de forma a que se possa ater-se a qualquer outra coisa considerada mais valiosa. Assim, escolher também implica sempre a avaliação de custos: adiar possíveis prazeres porque os meios necessários para consegui-los são escassos e são ligados a algum uso alternativo que promete retornos mais valiosos que as oportunidades preteridas.
Assim sendo, a escassez combinada com o convívio do homem em sociedade produz conflitos que dizem respeito ao controle de um mesmo bem (i.e., um mesmo meio) para atingir fins distintos. Enquanto mais de uma pessoa existir, as amplitudes de suas ações se interceptarem, e enquanto não existir nenhuma harmonia e sincronização de interesses pré-estabelecidos entre essas pessoas, os conflitos sobre o uso do próprio corpo delas e dos recursos escassos em geral serão inevitáveis. É para resolver tais conflitos que as leis se fazem necessárias.
Uma vez que uma regra universal acerca do uso e controle de recursos escassos tenha sido estabelecida, e todos passarem a segui-la, então naturalmente os conflitos cessarão, pois as distinções entre o que é meu e seu estarão definidas por via dessa regra. As próximas perguntas que se seguem, que são inevitáveis nesse ponto, são: existe uma tal regra? E se existe, ela é única? Ou será que existe uma infinidade delas, sendo nossa escolha essencialmente arbitrária? A resposta é que existe apenas uma e sua escolha é uma necessidade lógica, dados os propósitos da lei. Pode-se concluir isto usando a exigência da universalidade e analisando a importante distinção entre posse e propriedade. A intuição aqui é bastante simples, pois se uma pessoa invade minha casa e toma meu carro, ela terá a posse dele, mas a propriedade do carro continua sendo minha, desde que, é claro, eu não tenha tomado esse carro de ninguém. Passemos a ser mais precisos.
Queremos determinar a justiça sobre a posse de um determinado bem X. [9] Vamos também exigir que o bem X seja de fato escasso, pois do contrário a própria noção legal de posse passa a não fazer sentido, já que bens não escassos, como as ideias por exemplo, podem estar em posse de uma infinidade de pessoas sem danos ou alterações ao bem original. Assim sendo, o bem X só pode ser controlado simultaneamente por um número limitado de pessoas. Suponhamos que ele esteja sobre a posse de um grupo de pessoas, que denotaremos por A e que outro grupo, digamos, B, reivindique essa posse. Quem tem direito ao controle exclusivo de X? Uma hipótese já pode ser descartada de antemão, a saber, se B reivindica X apenas por declaração verbal sem nunca ter tido um elo objetivo com X, pois se pudéssemos ter propriedades apenas por decretos, então jamais iríamos resolver conflitos, mas sim perpetuá-los, sistematizando-os legalmente no convívio em sociedade. Uma norma de delimitação por decreto verbal não atende ao propósito último da lei que é o de eliminar os conflitos.
Suponhamos então que a reivindicação de B se dá argumentando que, ao contrário de um mero decreto, ele teve um elo objetivo com X, assim como A o tem. O que deve ser feito a fim de determinar a propriedade de X? Novamente, precisamos nos ater à questão dos conflitos e distinguir quem é que teve o primeiro uso do bem X. Uma norma que visa resolver conflitos não pode ser consistente com as éticas retardatárias, dando privilégios de uso a quem tomou posse dos bens depois do usuário original. Com efeito, qualquer regra que fizesse com os que vieram depois, ou seja, aqueles que de fato não fizeram algo com os bens escassos, tivessem tanto ou mais direito quanto os que chegaram por primeiro, isto é, aqueles que fizeram algo com os bens escassos, então literalmente ninguém teria a permissão de fazer nada com nada, já que teriam de esperar pelo consentimento de todos os que ainda estivessem por vir antes de fazer o que quisessem. Se B fez uso posterior a A do bem X, sem o consentimento de A, então ele não pode ser proprietário de X, uma vez que uma tal regra, se universalizada, impossibilitaria o uso de X, também instaurando o conflito em sociedade. Em outras palavras, B, neste caso, seria classificado como um ladrão.
Resta-nos a última possibilidade de B ter feito o uso de X antes de A. Se assim for, então os papéis se invertem e A passa a ser um possuidor ilegítimo de X. Isto contudo não é suficiente para declararmos que B tem uma justa reivindicação a X, mas apenas que a reivindicação de B é mais justa que A. Pode ocorrer que outro indivíduo, ou grupo de pessoas, digamos, C, reivindique o bem X de B, mostrando, assim como B fez com A, que teve um elo objetivo mais antigo que o de B. Neste caso, C teria uma reivindicação melhor, mas que por si só não garante uma posse justa, pois com efeito, pode ainda surgir outro grupo D comprovando uma apropriação anterior a de C, e assim por diante. Obviamente, esse raciocínio para em um, e apenas um, dos dois seguintes momentos: 1) quando ninguém mais além do possuidor reivindica o bem X; ou 2) quando o bem X foi apropriado originalmente, i.e., retirado de seu estado natural. Em ambos os casos obtemos uma situação isenta de conflitos. E considerando, por abuso de linguagem, um bem abandonado, cujos possuidores anteriores não mais reivindicam sua propriedade, como um bem em “estado natural”, podemos — sem perda de generalidade para fins legais — unificar as análises dos casos 1) e 2) em uma só. Assim sendo, vemos da discussão acima que a posse de um bem escasso X só pode ocorrer isenta de conflitos se ela remonta a uma apropriação original, ou seja, no caso em que ela foi obtida por trocas contratuais voluntárias que formam uma cadeia que tem início em um possessor que retirou o bem o X de seu estado natural para o uso. E dado que a lei visa resolver conflitos, esta é a única posse do bem X legalmente justificável.
Obtemos então a famosa lei da apropriação natural, ou homesteading, que pode ser enunciada afirmando-se que todo homem tem o direito à posse exclusiva de qualquer bem escasso que ele remova do estado que a natureza tem proporcionado e deixado, fazendo para isso uso intencional de seu trabalho. Em poucas palavras, o homesteading diz que a primeira posse determinada a propriedade, i.e., o direito de excluir a posse terceiros ao bem apropriado. Nas palavras do filósofo libertário Hans-Hermann Hoppe:
“Para evitar conflitos desde o início, é necessário que a propriedade privada seja fundada a partir de atos de apropriação original. A propriedade deve ser estabelecida por meio de atos (em vez de meras palavras, decretos ou declarações), porque somente através da ação, que ocorre no tempo e espaço, um elo objetivo (verificável intersubjetivamente) pode ser estabelecido entre uma pessoa específica e uma coisa específica. E somente o primeiro apropriador de uma coisa anteriormente não-apropriada pode adquirir essa coisa e sua propriedade sem conflito, dado que, por definição, como primeiro apropriador, ele não pode ter incorrido em conflito com alguém ao se apropriar do bem em questão, uma vez que todos os outros apareceram em cena apenas posteriormente.”
Estamos agora em posição de determinar a justiça (ou a ausência dela) das posses estatais. São elas legitímas? A resposta é um claro e sonoro “não” e já foi analisada por diversos antropólogos e sociólogos. Exemplos de origens violentas de estados abundam na história antiga. O antropólogo alemão Franz Oppenheimer resumiu o que chamamos de origem exógena do estado pela típica história de um clã de famílias que, pressionado pela escassez de bens e pela queda no padrão de vida, resultante da superpopulação absoluta, resolveu por uma opção pacífica: não guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra. E graças ao processo de produzir bens – ao invés de simplesmente consumi-los – eles passaram a poupar e estocar bens para o consumo posterior. Contudo, sendo que a natureza do homem é como ela é, outras tribos bárbaras passaram a cobiçar os bens acumulados desse clã e iniciou-se aí uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos. O clã voltou à condição inicial de pobreza e com menos capital humano demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente. Os bárbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confortáveis se eles permitissem que o clã continuasse produzindo mas com a condição de que agora os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo periódico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migrações. E é por esse processo de conquista e dominação que Oppenheimer definiu seu conceito sociológico de estado:
“O que é, então, o estado como conceito sociológico? O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores.” [10]
Alguns exemplos bastante ilustrativos disso foram dados pelos arqueólogos Charles Stanish e Abigail Levine da universidade de Chicago. Em artigo publicado em 2011 pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os autores descreveram processos de dominação sucessivas de algumas aldeias que precederam o Império Inca na América do Sul. Os primeiros sinais de guerra remontam a pelo menos a 500 a.C. e, com o aumento populacional, os conflitos foram se intensificando. Já no primeiro ano d.C. a aldeia de Taraco foi invadida, provavelmente por forças de Pukara, outro centro regional da área. Pukara, por sua vez, teve seu status como estado primitivo até cerca de 500 d.C., quando foi absorvido pela Tiwanaku, o estado principal do outro lado da bacia do Lago Titicaca.
Um processo muito similar de um estado inicial surgindo de decorrentes chiefdoms beligerantes foi identificado no vale de Oaxaca do México por um estudo de Kent V. Flannery e Joyce Marcus, dois arqueólogos da Universidade de Michigan, também publicado no PNAS. Por 4.500 anos atrás, havia cerca de 80 aldeias do vale. Com o aumento populacional, um período de guerra intensa se instaurou a partir de 2.450 a 2.000 anos atrás, que culminou com a vitória de uma cidade sobre todas as demais no vale e finalmente com a formação do estado Zapotec.
Dr. Stanish acredita que a guerra era a parteira dos primeiros estados que surgiram em muitas regiões do mundo, incluindo a Mesopotâmia e a China, bem como as Américas. Os primeiros estados, em sua opinião, não foram impulsionados por forças além do controle humano, como clima e geografia, como alguns historiadores têm suposto. Em vez disso, eles foram moldados pela escolha humana como pessoas procuraram novas formas de dominação e novas instituições para as sociedades mais complexas que estavam se desenvolvendo. O comércio era uma dessas instituições de cooperação para a consolidação de grupos mais organizados. Depois veio a guerra que serviu como força de conquista para a formação de grupos maiores, que vieram a ser os protoestados.
Apesar de ser o caso mais frequente, nem só de guerra os estados adquiriram a forma que têm hoje. Com o crescimento de seus territórios, novas formas mais complexas de anexação de territórios foram surgindo. Ao longo da história moderna, abundam exemplos de pactos feitos pelos estados europeus para aquisição de territórios por decreto verbal. Um famoso exemplo é o Tratado de Tordesilhas assinado entre Portugal e Espanha para declarar divisão de posse de terras ainda não exploradas ao longo da América Sul e assim resolver os conflitos de terras após a descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Mais precisamente, o Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras “descobertas e por descobrir” situadas antes da linha imaginária que demarcava 1.770 km a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. Outro exemplo de conquista territorial por decreto é o Tratado da Antártida, um documento assinado em 1 de dezembro de 1959 pelos países que reclamavam a posse de partes continentais da Antártida. Embora sem definir partes da Antártida como território dos países signatários, mas sim como “patrimônio de toda a Humanidade” — um termo que nada significa —, o fato é que o continente foi repartido para posses — ainda que parciais e temporárias [11] — desses países perante uma clara ausência de elo objetivo. Exemplos recentes no Oriente Médio, por exemplo, Israel, também ilustram aquisição territorial por parte de decretos.
No geral, a história territorial dos estados está majoritariamente marcada por aquisições fora da lei. Isto já basta para decretarmos os territórios que eles reivindicam como ilegítimos e os próprios estados como foras da lei. De fato, a apropriação por decreto tem o efeito de privar os indivíduos de se apropriar de terras virgens, o que obviamente configura um crime, visto que a apropriação original é um direito natural. Quem tem o costume de viajar por vias rodoviárias entre cidades ou até estados já deve ter notado a enorme quantidade de terra não trabalhada e não ocupada que está na posse de governos, conhecidas por terras devolutas.
No Brasil há também o famoso exemplo da Amazônia, uma valiosa terra de ninguém que o governo brasileiro reivindica para si de forma completamente arbitrária. Já a apropriação por conquista militar é um roubo, um assalto a mão armada em escala geográfica, sendo obviamente também uma ilegitimidade.
O fato é que a imensa maioria do território sob controle dos estados foi na verdade apropriado originalmente pelos seus súditos, que hoje, além de terem apenas um controle parcial da propriedade sobre seus nomes, ainda estão sob constante ameaça armada do estado para darem a ele significativas parcelas dos frutos de seus rendimentos (imposto). E ainda que asseclas do estado tenham também se apropriado por trabalho de terras a mando dos governantes, isso não dá ao estado a propriedade delas pois, como visto acima, o estado está em débito jurídico com seus súditos. Ao contrário do que ocorre hoje, é o estado quem deve ter o uso de suas posses conquistadas legitimamente restringido e aos seus súditos deve ser dado o pleno direito de usufruto de todas propriedades sob seus nomes, até que alguém mostre juridicamente que elas não são legítimas. Vale sempre a máxima do Direito que diz que o ônus da prova é sempre de quem afirma. Em outras palavras, todos os cidadãos pacíficos devem ter o direito inalienável à auto-determinação e portanto à secessão individual, desvinculando todas suas propriedades dos monopólios jurídicos estatais. Em particular, ninguém deve ser obrigado a pagar qualquer tipo de taxa não contratual ao estado e imposto é roubo.
Notas
[1] Visto que originalmente, a constituição americana não concedia ao governo federal o poder de cobrar imposto de renda, ainda hoje há um amplo debate nos EUA sobre a legitimidade da coleta do Imposto de Renda. Foi apenas com a 16ª emenda que esse poder foi concedido ao estado americano, mas tal emenda nunca foi adequadamente ratificada. Segundo o economista Peter Schiff, filho de Irwin, no seu artigo em protesto pela morte de seu pai encarcerado:
“meu pai sempre foi mais conhecido por sua inflexível oposição à legalidade do Imposto de Renda, postura essa que levou o governo federal a rotulá-lo como um “manifestante tributário”. Meu pai não era anarquista e, sendo assim, admitia uma tributação moderada e objetiva. Ele acreditava que o governo tinha uma função importante, porém limitada, em uma economia de mercado. Ele, no entanto, se opunha à ilegal e inconstitucional imposição de um confisco da renda pelo governo federal, no forma do Imposto de Renda.”
Por sua cruzada anti-imposto de renda, Irwin Schiff faleceu na condição de prisioneiro político americano no dia 16 de outubro de 2015, aos 87 anos de idade, cego e algemado a uma cama de hospital dentro de um quarto de UTI vigiado por agentes armados do estado.
[2] Para mais detalhes sobre isso, veja meu artigo “Da Natureza do Estado à Cooperação Pacífica Por Segurança e Ordem”. Lá são fornecidos exemplos de arranjos privados de ordem e justiça na história, além de uma análise econômica de sistemas de produção privada de segurança.
[3] Para argumentos no sentido oposto, ou seja, da possibilidade de uma sociedade sem estado poder prosperar e se defender do surgimento de máfias governantes, veja esse texto de Robert Murphy.
[4] Na parte I do livro III da sua obra Tratado da Natureza Humana, Hume escreveu:
“Em todo sistema de moral que até hoje encontrei, sempre notei que o autor segue durante algum tempo o modo comum de raciocinar, estabelecendo a existência de Deus, ou fazendo observações a respeito dos assuntos humanos, quando, de repente, surpreendo-me ao ver que, em vez das cópulas proposicionais usuais, como é e não é, não encontro uma só proposição que não esteja conectada a outra por um deve ou não deve. Essa mudança é imperceptível, porém da maior importância. Pois como esse deve ou não deve expressa uma nova relação ou afirmação, esta precisaria ser notada e explicada; ao mesmo tempo, seria preciso que se desse uma razão para algo que parece totalmente inconcebível, ou seja, como essa nova relação pode ser deduzida de outras inteiramente diferentes.”
HUME, David. Tratado da Natureza Humana. Tradução de Débora Danowiski. Livro III, Parte I, Seção II. São Paulo, Editora UNESP, 2000, p. 509
[5] Há contudo algumas diferenças importantes na teoria de ambos do estado de natureza. Nesse sentido, Locke se opõe a Hobbes e Filmer, que julgavam que o estado de natureza é a-social e pré-moral, pois nele os homens não estariam submetidos a lei alguma. Para Locke, não apenas a sociabilidade é natural aos homens (não há, segundo ele, existência humana que não seja social) mas também existe uma lei que limita as ações no estado de natureza e cada indivíduo exerce um poder de julgá-la e executá-la com respeito aos demais.
[6] LOCKE, John. 1993a [1690]. Two Treatises of Government. Ed. Peter Laslett. Cambridge: Cambridge Univ. Press. Trad. de Júlio Fisher: Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998. xiii.149; trad. modificada.
[7] Note contudo a flagrante contradição lógica nisto: um monopólio forçado da segurança e da justiça jamais poderá garantir a propriedade privada, pois, barrando a entrada de concorrentes, ele vai arbitrar unilateralmente e sem restrições o preço de seus serviços que terão que ser obrigatoriamente pagos. Isso significa que ele, por definição mesmo, já inicia todo o processo roubando os cidadãos. Assim, um protetor monopolista é sempre um expropriador, uma contradição em termos. Nas palavras de Walter Block, em “National Defense and the Theory of Externalities, Public Goods, and Clubs”:
“Argumentar que um governo cobrador de impostos pode legitimamente proteger seus cidadãos contra agressão é cair em contradição, uma vez que tal entidade inicia todo o processo fazendo exatamente o oposto de proteger aqueles sob seu controle.”
[8] No artigo “Por que devemos rejeitar a política” eu discuto o fracasso e a imoralidade da política partidária e dos meios políticos em geral.
[9] Para uma outra abordagem para a justificação do homesteading, utilizando o conceito de Ética da Argumentação, veja o meu artigo “A ética argumentativa hoppeana”.
[10] Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926) p. 15.
[11] As posses previstas no Tratado Antártico se limitam a fins pacíficos, com ênfase na atividade científica, sendo vedada a realização de explosões nucleares e o depósito de resíduos radioativos. O Tratado determinou que até 1991 a Antártida não pertenceria a nenhum país em especial, embora todos tivessem o direito de instalar ali bases de estudos científicos. Na reunião internacional de 1991 os países signatários do Tratado resolveram prorrogá-lo até 2041.
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2019.03.04 00:14 Manner1918 Nação Livre Brasileira

-Contexto: Estou escrevendo este livro por causa de um devaneio. Estou procurando criticas tanto positivas quanto negativas sobre esta escrita.Para ter um contexto geral antes da leitura, esse livro se passa em um mundo alternativo onde a Alemanha ganhou a Segunda Guerra Mundial, os nazistas também invadiram o Brasil e a tornaram em um estado fantoche a serviço da Alemanha.
Ainda não fiz nenhuma personagem no livro explicar sobre esse evento, ou como eles ganharam a guerra, mas já tenho as ideias principais anotadas em um caderno e tudo vai ser bem explicado. Se você tiver qualquer dúvida sobre o porque eu não dei muitos detalhes sobre qualquer coisa (a casa, as características de personagens, roupas, etc) é porque eu decidi não explicar no momento que a cena acontece, mas vou detalhando sobre tudo ao decorrer do livro.
-Importante: Só estou postando o primeiro capitulo do livro, apesar de ser mais de 3000 palavras. Já escrevi o inicio do segundo capitulo, mas está incompleto.Sinto muito por qualquer erro de português. E sinto muito por ser longo, mas vamos ao inicio do livro:


Eram cinco da manhã, Amélia tinha passado a noite acordada já que sua insônia tinha lhe mantida acordada novamente. Ela virava de um lado para outro na cama, agitava seu cabelo negro e liso que vinha até seus ombros, girava e apalpava seu travesseiro, tentando conseguir dormir ao mínimo alguns minutos. Mas foi tudo em vão e logo ela começava a pensar, enquanto desistia de culpar a sua cama pela insônia, pensava sobre como ela ainda não tinha um pingo de sono e enquanto olhava para o teto de seu quarto, pensava novamente em seus avós, como toda manhã, e como ela sentia saudades deles, de suas risadas, conselhos, puxadas de orelhas e, sobretudo, o cheiro do bolo de chocolate que seu avô fazia enquanto ela escutava as músicas que sua avó ouvia enquanto alimentava seus belíssimos pássaros. A sua avó adorava pássaros, e ela os tinha de todas as cores e espécies que ela poderia se lembrar, ela se lembrava do periquito azul, do canário amarelo, da calopsita cinza, da andorinha branca e um pássaro peculiar que parecia um pequeno pavão, da qual Amélia adorava como parte de sua família e até nomeará o pequeno pássaro como Fênix.
Os avós de Amélia tinham saído do país para viajar, isso de acordo com seus pais que tinham recebido uma carta no mês passado, na carta eles citam que iriam para um lugar muito longe e muito bonito, para Amélia, este lugar só poderia estar cheio de pássaros e bolos de chocolate. Mas, ao se tocar da realidade, ela cortou o seu sorriso da cara ao lembrar que eles nunca escreveram novamente, nem mesmo uma carta ou cartão postal. Ela pensava se tinha feito algo de errado antes deles partirem, talvez tenha sido o quadro do vovô que ela tinha derrubado ao brincar de astronauta no quarto de seus avós, ou talvez o vovô tenha ficado bravo com ela por ela derrubar o fermento, fazendo que o bolo do vovô não tenha crescido, ou poderia ter sido a gota d’água ela ter desligado a música da vovó acidentalmente em seu aniversário de seis anos. Ou talvez ela não era uma boa ouvinte dos conselhos, talvez ela nem merecesse os ouvir, ela não se sentia corajosa como sua avó, ou astuta como seu avô, pensando bem, ela não se sentia nem forte, nem observadora, ou dedicada, focada, e até mesmo inteligente como seus avós. Como toda manhã, ela pensava novamente em outro e novo motivo que poderia justificar a viajem e a não comunicação com ela por parte de seus avós, e hoje, ela pensava que poderia ser a sua gula, talvez se ela não tivesse pedido mais um pedaço de bolo no aniversário de oito anos, eles poderiam ter ficado.
Em todos estes pensamentos, ela notou que seus pais finalmente acordaram, na noite passada eles combinaram de acordar mais cedo para se arrumarem, ela se sentia sozinha com seus pensamentos a noite inteira por causa de sua insônia, ela vira para seu relógio de pilha que marcava seis em ponto, em breve ela teria que ir rapidamente a rua na frente de sua casa, precisando estar com cabelo e roupas arrumadas, e portando um sentimento de foco, força e determinação. Ela sentia dificuldade em todas as etapas, como iria arrumar o cabelo se ele sempre ficava mais alto na parte direita?, como iria arrumar a sua roupa, se ela se sentia desconfortável com a calça e o tênis verdes?, ela odiava os tênis verdes, como iria se levantar com foco, se quando levantava o sono lhe atacava com seus grilhões fortes? como iria sentir força se ela era tão magra em comparação aos seus pais e avós? E, como iria se sentir determinada, se ela deveria ser o motivo para seus avós partirem em uma viajem para outro país que parecia durar para sempre? As seis e quinze, o relógio despertava, ela conseguia ouvir o bairro inteiro se levantando em um pulo, ela queria ter essa força de vontade como os outros, principalmente a força de vontade de seu vizinho que ela nunca virá ficar triste ou desanimado, quem conseguia ficar animado de manhã? Ela pensava consigo mesma. Finalmente, seus pais batem na porta de seu quarto.
-Vamos logo Amélia, não se perca no horário novamente mocinha.
Dizia o seu pai, quase gritando. Ela tinha perdido o horário no dia anterior e enfureceu o seu pai e ela teve que ficar sem ler a parte do jornal que continha as tirinhas que ela adorava, do Capitão Hound, ela não queria perder mais um dia de suas aventuras no espaço. Levantando em seu ritmo e motivada pelas tirinhas que iria ler no fim do dia, pegou em seu armário as suas roupas e as vestiu sem ligar a luz de seu quarto, ela então olhava no espelho e tentava seu arrumar o máximo possível para não desapontar seus pais e finalmente sai do quarto e vai de encontro aos seus pais na sala de estar, ela via o seu pai terminando de se arrumar, ele tinha comprado uma gravata nova após tanto reclamar por falta de uma por quase um mês inteirinho, e reclamava por sempre estar passando vergonha na frente de seus vizinhos que tinham uma gravata nova quase toda semana, mas, dessa vez, ele iria impressionar com a gravata marrom escura de veludo nova, que combinava com seus cabelos e olhos castanhos, mas não tanto com a barba, pensava Amélia. Sua mãe estava otimista com seu cabelo, eles eram cacheados e escuros e todo dia pareciam ser diferentes após o banho e quase nunca à agradavam, mas hoje ela estava contente com o resultado que havia conseguido. O pai de Amélia checava em seu relógio de pulso a cada segundo para estar na rua de sua casa na hora certa, andava de um lado para outro em frente a porta, confiante com sua gravata de veludo.
-Eu sempre fico ansioso, não importa quantas vezes eu faça, ou quão pronto eu esteja, ou acho que esteja. Disse o pai de Amélia sem parar um segundo para respirar.
-Acho que nós já se acostumamos, a Amélia já está aqui e não irá cometer o erro de ontem, aquilo foi um show de horror. Sua mãe falava enquanto arrumava os seus brincos e olhando para a televisão em estática.
-Eu já pedi desculpas, eu só estava pensando no vovô e na vovó novamente e me atrasei, já chegou alguma carta deles mamãe? Amélia sempre tinha um pingo de esperança pela manhã, em que sua mãe lhe diria que havia chegado uma carta de seus avós.
-Já lhe disse para não comentar sobre seus avós, vamos deixar eles aproveitarem a viajem, também não podemos enviar cartas a eles, não sabemos o endereço correto e não podemos fica-
Enquanto sua mãe falava, seu pai a interrompe com um gesto de corte com a mão, e querendo desligar o assunto dos pais de sua esposa, que ele não gostava tanto por um motivo que Amélia não sabia.
-Pedir desculpas não adianta, o que move o nosso país e o mundo são ações, não palavras, você sabe muito bem mocinha, já lhe contamos essa história um milhão de vezes, não precisamos te falar o quão importante é que você sempre esteja na hora, esteja com foco, força e...
-Determinação. Completava Amélia a frase de seu pai com a cabeça baixa, olhando para os seus tênis verdes que tanto odiava.
-Agora, vamos continuar esperando a hora certa, a televisão já está no volume máximo, se o relógio não funcionar, temos a televi... – A fala de seu pai é cortada pelo despertador do relógio de pulso, mostrando que de fato eram sete horas da manhã, ele então desliga o despertador e abre a porta de sua casa com um grande sorriso no rosto, que, para ele mostrava sua força e determinação para continuar o dia e estar na hora exata todo dia seria uma grande demonstração de foco e ele se orgulhava nisso. Sua mãe acompanhou o marido enquanto puxava Amélia pelo ombro para lhe seguir, sua mãe sempre estava de cabeça erguida as sete da manhã, isto mostrava sua determinação, estar com sua filha mostrava o seu foco como mãe, já a sua força era refletida na saúde total de seu marido e sua filha. Amélia sentia que por conseguir levantar de manhã e não desmaiar de sono, era seu foco, aguentar seus pais com esses horários era sua força e, conseguir andar parecendo ridícula com aqueles tênis verdes, eram sua determinação.
Finalmente, os homens de cada casa começavam a elevar a bandeira nos mastros que todas as casas tinham exatamente alinhada, uma bandeira verde, amarela, com um círculo azul no meio e uma grande suástica branca com bordas pretas no meio desse círculo e dentro da suástica possuía em preto a frase “Foco, Força e Determinação”. Com a bandeira no topo, todos levantavam seus braços direitos em direção a bandeira e começavam a cantar o Hino da Nação Livre Brasileira.
Enquanto Amélia cantava o hino, acompanhando o ritmo do hino que estava sendo tocado na televisão da maioria das casas e nas rádios das outras casas, ela olhava ao seu redor, via que todos nunca tiravam os olhos da bandeira, não piscavam ou sequer moviam seus braços estendidos, e se questionava se ela também deveria estar sempre assim, mas ela não aguentava mais estar de pé cedo todos os dias, mesmo que sua insônia lhe mantivesse acordada a noite inteira. Ela olhava o seu vizinho que nunca virá ficar triste, um menino mais velho que Amélia, de cabelos curtos, lisos e loiros, chamado de Arthur Von Müller Hoff Braun, e ele, como toda sua família se orgulhava imensamente de ser totalmente alemão, o pai de Amélia tinha feito uma amizade quase duradoura com essa família. Já do outro lado da rua, ela via diversas crianças quase da mesma idade que ela, mas ela não tinha conhecimento de quase ninguém, ela tentava imaginar os nomes dessas crianças, do que elas gostavam de comer aos Sábados, se elas gostavam de bolo de chocolate, como deveria ser o quarto delas, imaginava se eles tinham uma televisão em casa ou um rádio, de quais desenhos eles mais gostavam, se eles eram alemães, ou italianos, japoneses ou brasileiros e, pensava também como os tênis de outras crianças eram incrivelmente mais legais do que os dela e ainda por cima, pareciam muito mais confortáveis do que os tênis verdes dela. No meio dessas famílias desconhecidas, ela via a sua única amiga da escola, uma menina de cabelos escuros e olhos claros, chamada de Rúbia, Amélia adorava esse nome, por achar muito diferente do que todos que já tinha ouvido na vida e, diferentemente das outras crianças, ela sabia quase tudo sobre Rúbia, começando pelo nome, o que ela gostava de comer aos Sábados, se ela tinha uma televisão, quais desenhos ela gostava e tudo mais. Rúbia não vinha de uma família muito rica, ela tinha exatamente tudo para ter uma boa vida, mas não tinham uma televisão, o que o pai de Amélia achava estranho e dizia que era algo que somente pessoas pobres e sem cultura não teriam uma televisão em casa, mas, a família de Rúbia tinha um rádio que precisava ser ligado em uma tomada, esse rádio não era um orgulho dos pais de Rúbia, mas Amélia achava o rádio incrível, por ser grande, quase do seu tamanho e não precisar comprar pilas quase toda semana, o que ela achava uma inconveniência enorme, além de ser muito bonito por ter um pedaço feito com couro de verdade, apesar de Amélia não saber exatamente de onde o couro vinha. Amélia tinha conhecido Rúbia após precisar de ajuda em História da Alemanha no segundo ano da escola, Rúbia ajudou Amélia em quase todos os aspectos da história alemã e ambas conseguiram notas máximas na última prova do ano escolar e, desde então, ficaram amigas para “todo mundo, para sempre e adiante”, como Amélia sempre dizia.
O hino tinha finalmente acabado, todas as famílias iam para dentro de casa após dobrar a bandeira, o pai de Amélia andava de peito estufado para que todos olhassem a sua gravata de veludo, enquanto ele ia retirar a bandeira para a hastear no próximo dia, já sua mãe foi em direção da família dos Von Müller para conseguir se atualizar nas conversas, já que no dia anterior não conseguiram conversar por causa do atraso de Amélia para cantar o hino nacional. Amélia estava ajudando o seu pai a retirar e dobrar a bandeira do Brasil.
-Filha, por favor, tente manter contato visual com a bandeira, você sabe que todo mundo faz isto.Dizia o seu pai quase sussurrando para Amélia.
-Eu... estava só olhando ao redor, a bandeira não ia sair dali pai. Você nunca fez isto quando criança?
-Se fiz, fui repreendido pelos meus pais, o mesmo que estou fazendo com você. Então eu espero que você siga o meu caminho e me obedeça. Amanhã olhe diretamente para a bandeira e não tire seus olhos dela, fui claro mocinha?
-Tudo bem pai, sinto muito. Disse Amélia com um tom deprimido, olhando novamente para seus tênis verdes. Ela imaginava se deveria contar ao seu pai que o tamanho que ele comprará estava errado, ou se ela deveria aguentar até o próximo ano, quando seu pai poderia comprar-lhe outro tênis, seu pai tinha guardado dinheiro para comprar a Amélia um tênis da marca Griffin, considerado um dos melhores de acordo com o programa de moda alemã que sua mãe tinha visto no ano anterior. Talvez seu pai fosse brigar com ela ou dizer que ela está maluca por não gostar de um tênis tão caro e de marca alemã. Com isto em mente, ela decidiu não falar nada para seu pai, e pensava que no ano seguinte, ele iria lhe comprar um tênis melhor, apesar que tinha medo que seu pai comprasse novamente um tênis que não lhe serviria.
Ela tinha terminado de ajudar seu pai com a bandeira, guardando-a em uma caixa de madeira ao lado da caixa de correio, e em um piscar de olhos seu pai foi para dentro de casa se arrumar para o trabalho e, se conseguisse se arrumar rápido ele conseguiria ver o noticiário da manhã que iria começar as sete e meia da manhã, exatamente a hora em que o hino nacional iria parar de tocar nas televisões e nas rádios. Amélia decide entrar em casa e checar novamente seu material escolar antes da aula, seria a terceira vez que iria fazer isso, já que, de madrugada ela tinha checado duas vezes por não conseguir dormir. Ela conta quantos lápis possui, quantas canetas, até tentou contar quantas folhas tinham em seu livro didático e em seu caderno, mas desistiu quando a contagem chegou a cinquenta e sete e meio, já que ela tinha rasgado uma página do seu caderno no meio para poder desenhar o Capitão Hound e ela juntos em uma aventura longe da sua casa, longe do bairro, longe da escola, longe do Brasil, longe de tudo e todos; Quanto Rúbia viu o desenho, pediu para estar junto com ela, Rúbia admirava os desenhos que Amélia conseguia fazer, ela tinha guardado em casa um desenho de Amélia, sobre uma noite estrelada dentro dos olhos de Rúbia. O desenho com ela, Rúbia e o Capitão Hound estava guardado perto do espelho de seu armário marrom, onde ela poderia ver toda manhã.
Ela escutou o som do jornal sendo jogado contra à porta, ela estava animada para poder ler o quadrinho novo do Capitão Hound, mas sabia que só poderia ler quando seu pai terminasse de ler todas as notícias, o que só acontecia ao anoitecer, mas ela não se importava com isso, porque ela sabia que o Capitão Hound estaria ali a noite para conceder uma proteção vinda do espaço e além. Ela saiu de seu quarto para o corredor, sua mãe ainda não tinha voltado para casa, com certeza a conversa com a vizinha deveria estar muito emocionante, ela pensou consigo mesma. Seu pai veio logo em seguida arrumando uma gravata antiga que ele possuía, com certeza ele só utilizaria a gravata de veludo na hora do hino, ou talvez em alguma outra ocasião importante, como quando sua mãe faria Schnitzel em algum jantar futuro, o pai de Amélia amava Schnitzel, ele abriu a porta da frente e pegou o jornal acenando para alguns vizinhos que estavam na rua, ele logo entrou em casa e guardou o jornal no topo do armário da sala, onde Amélia não alcançava de jeito algum, e ela tinha parado de tentar quando quase quebrou o braço se equilibrando em uma cadeira, querendo mostrar as tirinhas para Rúbia em uma tarde de Sábado. Seu pai então se sentou no sofá da sala e começou a ver o noticiário da manhã, ela se sentou no chão em cima do tapete branco e felpudo para esperar os desenhos as oito da manhã. Ela estava lá em corpo, mas sua mente sempre estava fervendo com novos pensamentos, ela se imaginava comendo novamente um bolo de chocolate de seu avô e vendo o álbum de fotos da vovó, que ela nunca tinha visto por completo, já que sempre começavam a ver tudo novamente toda vez que iam ver as fotos no fim da tarde, e na metade do álbum seu pai sempre chegava para lhe trazer para casa, a vovó sempre tinha histórias novas para contar, mesmo que as fotos eram as mesmas, apesar de Amélia não entender muito bem sobre o que a vovó falava, um tempo em que você não precisava acordar de manhã para cantar o hino, um tempo em que você não tinha toque de recolher, um tempo com o que a vovó chamava de liberdade. O que a vovó queria dizer com liberdade? Amélia nunca tinha visto algo além de sua casa, sua rua, sua escola, a casa de seus avós e o espaço sideral com o Capitão Hound. O pensamento de Amélia foi puxado de novo para o presente quando ela ouviu a televisão dar um alto som do noticiário, e um grito de espanto do papai.
-MINHA NOSSA. Gritou o pai de Amélia.
-Caros telespectadores, é com pesar que anunciamos um ataque terrorista novamente perto da Capital, os terroristas plantaram uma bomba na Praça da Liberdade e acabaram matando dois estudantes da Juventude Hitlerista e um político de alta patente que o nome não será relevado para maior segurança de seus familiares. Estes terroristas são inimigos declarados do Reich e do Brasil Livre, mantenham seus olhos abertos, seus vizinhos podem ser inimigos da nossa nação e da nação alemã, não se esqueçam de denunciar a qualquer autoridade sobre atividades suspeitas ligadas a terrorismo e ligações com tentativas de criar o fim da liberdade de nosso povo e da nossa grande nação. O nosso grande líder Heinrich Hitler II, fará um pronunciamento para a o Reich Alemão devido ao alto número de terroristas nesse ano, este pronunciamento irá ocorrer com intenção de unir a nossa grande nação em uma só causa. O pronunciamento será transmitido as oito da noite, no programa ReichZeit, ou Hora do Reich.Traremos mais notícias sobre o incidente assim que tivermos quaisquer novidades. Voltamos a programação normal. Heil Hitler.
Amélia só tinha visto aquele repórter uma vez na televisão, mas ela sabia que quando ele aparecia não era uma boa notícia, e o seu pai tinha sempre grandes ataques de ansiedade com notícias fortes e alarmantes. Enquanto o repórter falava, imagens da Praça da Liberdade eram mostradas, apesar de Amélia nunca ter visto a praça antes, ela sabia que não era daquele modo que deveria estar, com fogo, ruínas e ambulâncias por todo lado.
-Minha nossa, eu não posso acreditar que ocorreu novamente, deve ser a quinta ou sexta vez que está acontecendo isto. Como isto está acontecendo, como pode estar acontecendo? Meus vizinhos podem ser inimigos? Não só inimigos da nação, mas inimigos da minha liberdade e da minha família. Eu tenho que pensar em algo para me proteger e para proteger minha família. Como... quando, eu, posso fazer algo.... eu teria que, bem, eu posso tentar, não, é impossível... só se eu fizer aquilo, mas não, não posso e nem deveria.Seu pai dizia sem piscar ou respirar, a sua ansiedade estava altíssima.
A mãe de Amélia entra na casa correndo, ela deveria ter visto o mesmo noticiário da casa dos Von Müller. Ela se acalma e respira fundo e nota que seu marido está andando de um lado para outro sem parar.
-Acalme-se Luís, com certeza teremos uma repercussão alta pelo pronunciamento do Führer. Ele vai ajeitar tudo. Nós temos que acreditar na nação. Não podemos perder a cabeça, estamos aqui e juntos iremos passar por qualquer situação.A mãe de Amélia conseguira fazer o marido sentar um instante para respirar.
Amélia não conseguia entender a situação completamente, ela sabia quem era o Führer, mas não entendia como os terroristas agiam, ou porque agiam deste modo, ou quem eram. O repórter havia dito que seus vizinhos poderiam ser inimigos, mas como poderiam? Rúbia era sua amiga para todo mundo, para sempre e adiante. E Arthur era inofensivo, um pouco chato, mas inofensivo sem dúvidas, uma vez ela pisou no sapato dele sem querer e ele que pediu desculpas a Amélia. E no fundo, ela se perguntava se esses ditos “terroristas” iriam gostar do bolo de chocolate do seu avô.

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2018.09.19 22:52 fidjudisomada UEFA Champions League 2018/9, matchday 1: SL Benfica 0-2 FC Bayern München

O MÉRITO DE NÃO TER MEDO DE DISCUTIR
Sem medo de encarar o Bayern olhos nos olhos, o Benfica discutiu os primeiros pontos na Liga dos Campeões 2018/19, teve as suas oportunidades de golo, mas o hexacampeão alemão foi mais certeiro na finalização e saiu do Estádio da Luz (60 274 espectadores) com uma vitória (0-2).
O Bayern, com Renato Sanches a titular (estreia em 2018/19), conseguiu entrar melhor no jogo e instalar-se no meio campo ofensivo. Colheu um par de cantos e, num lance bem elaborado pela esquerda e com conclusão de qualidade de Lewandowski no interior da área, adiantou-se no marcador aos 10’: 0-1.
A partir do minuto 20, o Benfica começou a assentar o seu futebol. Mais confortável nas movimentações e nas ligações no espaço ofensivo, foi obrigando o Bayern a recolher-se e a compactar-se para vedar acessos à baliza de Neuer.
Pela direita, o Benfica criou a primeira grande oportunidade para igualar a partida aos 28’: Salvio foi o responsável pela finalização da jogada, mas ao remate do argentino respondeu Neuer com uma estirada absolutamente decisiva, impedindo que a bola beijasse as redes germânicas.
Perante um Bayern sempre venenoso com a bola nos pés e mais ainda quando dispunha de larguezas, a equipa benfiquista soube pôr-se por cima e assumir o comando do jogo na fase final do primeiro tempo, mas faltou-lhe contundência nos últimos metros para rasgar a última linha alemã.
O primeiro sinal de perigo no segundo tempo saiu das botas de Salvio, mas o camisola 18 do Benfica, numa ação individual, não conseguiu furar pelo meio, já em cima da grande área (50').
Renato Sanches, em excelente plano no Bayern, arriscou um remate de meia distância sem sucesso (52') e, logo a seguir, com a equipa em posse, aplicou um dos seus esticões (54') e lançou os bávaros para um ataque rápido, num lance que o mesmo Renato haveria de terminar já na pequena área (após cruzamento de James Rodríguez na esquerda), batendo Odysseas (0-2). Após o golo, o ex-benfiquista pediu desculpa aos adeptos, que, com fair play, lhe dispensaram uma salva de palmas.
As dificuldades aumentavam, mas o Benfica não se rendeu: na sequência de um livre cobrado por Pizzi à direita, Rúben Dias, aos 60', apareceu na área para cabecear à matador, só não marcando porque Neuer voou e sacudiu para canto. Logo a seguir foi Jardel a usar a cabeça para tentar superar o guarda-redes alemão, mas a bola saiu à figura.
Já com Rafa e Gabriel nos lugares de Salvio e Pizzi (62'), a equipa encarnada tentou ter bola e desenhar novas soluções no relvado (fecharia o encontro com 14 remates, ao nível do que o adversário fez), mas a organização do Bayern e o seu guarda-redes opunham-se às investidas.
Zivkovic (por Gedson aos 75') também se juntou à nova fórmula ofensiva no quarto de hora final. O sérvio, aliás, teve um cabeceamento na direção do alvo, mas Neuer estava lá (83'). Nos últimos minutos, o Bayern procurou guardar a vantagem com a bola nos pés, fazendo uso de uma circulação larga e segura, mas sempre à espreita das lanças afiadas no ataque.
RUI VITÓRIA: "NENHUMA EQUIPA REMATOU TANTO CONTRA O BAYERN"
O resultado do Benfica-Bayern (0-2) não foi aquele que Rui Vitória e os seus jogadores perseguiram na jornada de abertura do Grupo E da Liga dos Campeões. "A minha equipa dividiu o jogo, não teve receio, não se remeteu à sua defensiva, teve as suas situações de golo", lembrou o treinador na análise ao jogo.
"A finalização foi bem aproveitada pelo Bayern. Tivemos bolas para relançar o jogo, mas não as aproveitámos. Perdemos contra uma grande equipa, das mais poderosas da Europa, que ganha o seu campeonato há muito tempo, que vai longe nesta competição, mas não perdemos a identidade nem a ambição de continuar nesta prova", enfatizou Rui Vitória.
Não mudou: o Benfica foi fiel à sua identidade
"Dissemos que não iríamos mudar a nossa perspetiva de jogo, porque andamos a trabalhar dessa forma. A equipa foi equipa determinada, convicta, acreditando no que estava a fazer, defrontando uma das melhores equipas da Europa, muito experiente, que domina todos os momentos do jogo. Nos lances dos golos, permitimos que o adversário fizesse saídas que normalmente não deixamos fazer, mas o Bayern teve argumentos e conseguiu. Fez os golos em momentos cruciais, nos primeiros 10 minutos da primeira parte e nos primeiros 10 da segunda."
Olhos nos olhos
"Fomos penalizados em dois lances muito idênticos, que normalmente não permitimos aos adversários, mas eles também têm qualidade e mérito; saíram de zonas recuadas atravessando os corredores e finalizaram. A nossa equipa, após o 0-1, teve chegadas à área, oportunidades para marcar, mas não fomos eficazes, não tivemos a estrelinha para empatar e relançar o jogo para a segunda parte. Disputamos este jogo olhos nos olhos, sem receio. Queríamos vencer. Não conseguindo, ficou a imagem e a conceção que andamos a defender."
Tantos remates como o Bayern
"Também tivemos as nossas situações. Fizemos 14 remates e nesta época mais ninguém conseguiu fazê-lo contra o Bayern. Podíamos ter aproveitado melhor as bolas que tivemos e entraríamos no jogo. Estamos tristes pela derrota, mas não posso estar triste com o comportamento da equipa. Perdemos contra uma grande equipa, mas estamos preparados para os jogos seguintes."
Bolas para relançar o jogo, mas não aproveitadas
"Há que olhar com frieza e pragmatismo para o jogo. Defrontámos uma equipa de enorme qualidade. Por isso é que nem com muitos milhões de euros conseguem tirar-lhes jogadores de enorme qualidade e experiência, que estão muito trabalhados em conjunto e que já jogam de olhos fechados. A minha equipa dividiu o jogo, não teve receio, não se remeteu à sua defensiva, teve as suas situações, foi à procura das suas situações. A finalização foi bem aproveitada pelo Bayern. Tivemos bolas para relançar o jogo, mas não as aproveitámos. Perdemos contra uma grande equipa, das mais poderosas da Europa, que ganha o seu campeonato há muito tempo, que vai longe nesta competição, mas não perdemos a identidade nem a ambição de continuar nesta prova."
Determinados na corrida aos oitavos
"Temos a noção de que o Bayern está acima das outras equipas, que é a mais forte do nosso grupo. Estamos a fazer o nosso trabalho e vamos discutir o apuramento [para os oitavos de final] com as outras duas equipas, com toda a força e determinação. O próximo desafio na Champions é com o AEK, mas antes desse ainda temos o Aves e o Chaves, que são os mais importantes por agora."
Renato Sanches mostrou o que aprendeu no Benfica
"Senti tristeza por sofrer o segundo golo. O que importa é o Benfica e nada se sobrepõe a isso, por mais que goste do Renato. A manifestação dos adeptos [aplausos] é sinal daquela que é a massa benfiquista, de reconhecimento de quem foi feito aqui e tem levado o nome do Benfica por essa Europa fora. O Renato mostrou aquilo que aprendeu na nossa Formação e a trabalhar connosco; mostrou aquilo que fez com que o Bayern se enamorasse por ele. Não ganhando nós, que tenha ele a sorte e que este golo posso conduzi-lo a um patamar de rendimento elevado e possa jogar nesta equipa, que não é fácil."
Fonte: SL Benfica
  • Gedson Fernandes faz a estreia na UEFA Champions League. Portugueses mais jovens a estrearem-se na UCL pelas águias: Miguel Vitor [07/08]; Renato Sanches [15/16]; Gonçalo Guedes [15/16]; Luís Martins [11/12]; M. Fernandes [05/06]; Gedson [18/19];
  • Golos mais rápidos sofridos pelo Benfica, na Luz, para a Champions League: 5' Hulk [Zenit, 2014]; 5' Elyounoussi [FC Basel, 2017]; 6' Paul Scholes [Man. United, 2005]; 6' Alexis Sánchez [Barcelona, 2012]; 10' Lewandowski [Bayern, 2018];
  • 32 meses depois Renato Sanches volta a marcar ao serviço de um clube: Bayern vs Benfica [F], UCL 18/19; Benfica vs V. Guimarães [F], Liga 15/16;
  • Renato Sanches estreia-se a marcar nas competições europeias de clubes. Golos do médio português na UEFA (seleções e clube): 2018 vs Benfica, Champions League; 2016 vs Polónia, Euro 2016; 2015 vs Galatasaray, Youth League; 2014 vs Escócia, Euro U17;
  • Benfica está há 8 jogos consecutivos a perder na UEFA Champions League, a pior sequência de uma equipa portuguesa nesta prova. Máximo de derrotas equipas portuguesas na Champions League: 8 Benfica; 5 FC Porto; 4 Sporting; 4 SC Braga;
  • Excluindo as fases de qualificação, o Benfica está há 4 jogos consecutivos a perder em casa, o pior registo de sempre do clube em todas as provas da UEFA: D 0-2 Bayern, UCL; D 0-2 FC Basel, UCL; D 0-1 Manchester United, UCL; D 1-2 CSKA Moskva, UCL;
  • Benfica só venceu 1 dos últimos 11 jogos na Champions League; o último triunfo foi em Fevereiro 2017 (há 19 meses) quando derrotou, em casa, o Dortmund por 1-0;
  • Histórico!!! Nunca o Benfica esteve tantos jogos consecutivos sem conseguir marcar, em casa, numa fase de grupos UEFA (3J). O último remate certeiro das águias na Luz, a contar para as provas europeias, foi o golo de Seferovic frente ao CSKA Moskva há 1 ano;
  • Mais jogos consecutivos, de uma equipa portuguesa, sem marcar em casa numa fase de grupos UEFA: 3 Benfica, 2017-2018 Champions League; 3 Belenenses, 2015 Europa League.

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o CD Aves na próxima partida, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a 5.ª rodada da Primeira Liga 2018/9. Quais as perspetivas?

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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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